Nobel de Química cria máquina que extrai água do ar e promete até 1.000 litros por dia
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February 21, 2026
Um sistema capaz de extrair água potável diretamente do ar, mesmo em condições áridas, pode se tornar alternativa estratégica para regiões vulneráveis a furacões e secas prolongadas. A tecnologia foi desenvolvida pelo químico Omar Yaghi, vencedor do Nobel de Química de 2025, segundo reportagem do The Guardian. A invenção utiliza um campo conhecido como química reticular, que permite criar materiais molecularmente projetados para capturar umidade do ambiente. Segundo a empresa Atoco, fundada por Yaghi, cada unidade, com tamanho aproximado ao de um contêiner de 6 metros, pode gerar até 1.000 litros de água limpa por dia. O sistema opera com energia térmica de baixa intensidade e pode funcionar de forma descentralizada, sem depender de redes elétricas ou sistemas centralizados de abastecimento. Alternativa à dessalinização Yaghi afirma que a solução pode ser especialmente relevante para pequenas ilhas do Caribe, frequentemente atingidas por eventos extremos como os furacões Beryl e Melissa, que deixaram milhares de pessoas sem acesso à água. A proposta também surge como alternativa à dessalinização, que embora amplamente utilizada, pode gerar impactos ambientais devido ao descarte de salmoura concentrada nos oceanos. Segundo relatório da ONU citado na reportagem, o planeta entrou em uma “era de falência hídrica global”. Cerca de 2,2 bilhões de pessoas ainda não têm acesso seguro à água potável e 4 bilhões enfrentam escassez severa ao menos um mês por ano. Resiliência climática e autonomia local Em Granada, no Caribe, onde o furacão Beryl devastou áreas como Carriacou e Petite Martinique em 2024, autoridades locais avaliam a tecnologia como possível reforço à estratégia de resiliência. As ilhas enfrentam uma combinação de ameaças: tempestades cada vez mais intensas, secas prolongadas e erosão costeira. Hoje, em períodos de estiagem, precisam importar água da ilha principal. Para autoridades ambientais locais, a possibilidade de operar sistemas off-grid, com energia ambiente e sem depender de infraestrutura centralizada, reduz custos, emissões e riscos associados à interrupção de serviços após desastres naturais. Da escassez pessoal à inovação global Yaghi cresceu em uma comunidade de refugiados na Jordânia sem acesso regular a água encanada. Em discurso no banquete do Nobel, relembrou a ansiedade de esperar a chegada do abastecimento governamental, que ocorria a cada uma ou duas semanas. Ele descreve sua invenção como uma “ciência capaz de reimaginar a matéria” e defende maior cooperação global e investimento em ciência para enfrentar a crise climática. “O conhecimento já existe”, afirmou. “O que precisamos agora é coragem proporcional ao tamanho do desafio.” Mais Lidas
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