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Anvisa alerta para risco grave no uso de canetas para emagrecer e tratar diabetes

Home | Época Negócios [Unofficial] February 10, 2026
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um alerta sobre os riscos do uso indevido, ou seja, sem acompanhamento médico e para doenças que não estão aprovadas nas bulas dos medicamentos, de fármacos análogos do GLP-1. Nessa classe estão incluídas a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida (princípio ativo do Wegovy e Ozempic) e a tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), popularmente conhecidas como "canetas emagrecedoras". Desde junho de 2025, a venda desses medicamentos só é permitida com retenção da receita na farmácia, como acontece com antibióticos. De acordo com a Anvisa, a decisão para a retenção da receita e para o novo alerta foram pautadas principalmente pelo risco de pancreatite, uma inflamação grave no pâncreas que pode surgir de forma rápida e causar dor intensa, vômitos e, em casos mais graves, levar à morte. O risco da condição já consta nas bulas aprovadas no Brasil. No entanto, a agência afirma que as notificações têm aumentado no cenário internacional e nacional, o que exige reforço das orientações de segurança. No alerta, a agência informa de 2020 até 7 de dezembro de 2025, houve o registro de 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito. Considerando também dados de pesquisas clínicas, o total chega a 225 notificações no período. Os registros fazem parte do sistema VigiMed, utilizado pela Anvisa para monitorar eventos adversos relacionados a medicamentos. A série histórica revela crescimento contínuo dos casos nos últimos anos. Em 2020, foi registrada apenas uma notificação. O número subiu para 21 em 2021, 23 em 2022, 27 em 2023 e 28 em 2024. Já em 2025, houve um salto para 45 registros — alta de 60,7% em relação ao ano anterior. A Anvisa ressaltou que os dados se referem a notificações de suspeitas, e não a casos comprovados. “É importante destacar que os casos se referem à notificações de suspeitas relatadas para a Anvisa. Não podemos afirmar que se tratam de casos comprovados.” Ainda assim, a pancreatite aguda é considerada um efeito já conhecido e considerado incomum (que acomete de 0,1% a 1% dos casos) observado nos testes clínicos dos medicamentos, e estão nas bulas do Wegovy e do Mounjaro. Segundo a bula do Wegovy, da Novo Nordisk, a frequência dos casos nos testes foi de 0,2%, enquanto no grupo placebo foi de 0,1%. A maioria dos eventos foi classificada como pancreatite aguda leve. Em nota, a Novo Nordisk diz que “vários fatores de risco estão implicados no desenvolvimento de pancreatite, incluindo diabetes e obesidade”, ou seja, as doenças que motivam o uso dos fármacos. “Os pacientes devem ser informados sobre os sintomas característicos e orientados a descontinuar o tratamento com semaglutida/liraglutida caso haja suspeita de pancreatite, e sugere-se ter cautela em pacientes com histórico de pancreatite prévia”. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, reforça que a pancreatite é uma “reação adversa incomum” e aconselha os pacientes a “conversarem com seu médico para obter mais informações sobre os sintomas de pancreatite e informar o médico e interromper o tratamento em caso de suspeita durante o tratamento com Mounjaro”. No alerta, a Anvisa destaca que o uso desses medicamentos sem controle médico e fora das indicações autorizadas aumenta o risco de efeitos colaterais e dificulta o diagnóstico rápido de complicações graves. Segundo a agência, o perigo é maior quando eles são usados para emagrecer sem necessidade médica ou apenas por motivos estéticos, prática que se popularizou nos últimos anos. A agência também alerta para não comprar esses medicamentos pela internet ou em locais irregulares, pois há risco de falsificação. Além desse aviso, a Anvisa lembra que já emitiu outros alertas sobre esses remédios, como o risco de aspiração durante anestesia e, em casos muito raros, perda súbita da visão associada ao uso da semaglutida. Apesar do alerta, a Anvisa ressalta que esses medicamentos continuam sendo seguros quando usados da forma correta, com prescrição médica e acompanhamento. O alerta tem como objetivo evitar o uso indiscriminado e reduzir casos graves ligados ao uso sem orientação. Pancreatite Pancreatite aguda é um processo inflamatório agudo decorrente da autodigestão do pâncreas causado pelas próprias enzimas pancreáticas, podendo ou não envolver subsequentemente outros tecidos regionais, órgãos ou tecidos a distância. A condição pode ser classificada em dois tipos: leve ou grave. Na forma leve as alterações clínicas sistêmicas e locais são mínimas. Entretanto, em sua forma grave, estão presentes os sinais de falência de órgãos como hipotensão arterial, insuficiência respiratória, insuficiência renal e sangramento do trato gastrointestinal. Complicações locais como necrose, abscesso e pseudocisto pancreático estão presentes. De acordo com informações do site do Einstein Hospital Israelita, os sinais começam com uma dor abdominal difusa, localizada na parte superior do abdômen, irradiada para as costas, sendo fraca no início, evoluindo em questão de minutos ou horas para forte intensidade. Segundo os especialistas, a dor não melhora nem com o uso de analgésicos e é frequentemente acompanhada por náuseas e vômitos. Ainda podem ter sinais como: febre, desidratação, taquicardia, um incômodo leve ao apertar a barriga até uma dor forte e constante, como se algo no sistema realmente estivesse inflamado. Em alguns casos, surgem manchas roxas ao redor do umbigo ou nas laterais do abdômen, visíveis na pele. Por isso, a orientação da Anvisa é que a pessoa procure atendimento médico imediato se apresentar dor forte e contínua na barriga, que pode se espalhar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos. Se houver suspeita de pancreatite, o tratamento deve ser interrompido e não deve ser retomado caso o diagnóstico seja confirmado. Várias causas podem causar pancreatite, desde medicamentos, como quimioterápicos, retrovirais, e agora, as canetas emagrecedoras até questões hereditárias, hiperparatireodismo, hipercalcemia, anormalidades anatômicas, infecções virais, doenças vasculares e até mesmo procedimentos cirúrgicos. O tratamento da pancreatite envolve principalmente manter o paciente estável, com bastante hidratação, além de controlar a dor, enjoos e vômitos. Quando surgem complicações mais graves, como infecção, dificuldade para respirar, problemas nos rins ou queda da pressão, elas também precisam ser tratadas. Reino Unido A agência reguladora de saúde do Reino Unido emitiu um alerta na última semana sobre o risco de pancreatite aguda grave em usuários de medicamentos para obesidade e diabetes, como o Mounjaro, da Eli Lilly, e o Wegovy, da Novo Nordisk — as famosas canetas emagrecedoras. Em seu alerta, a Anvisa cita que a autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) informou que registrou, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite relacionadas aos usuários desses medicamentos, incluindo 19 óbitos. Embora os casos mais graves de pancreatite sejam raros, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA, na sigla em inglês) afirmou na semana passada que médicos e pacientes devem estar cientes de que alguns episódios foram particularmente severos, ao reforçar seu alerta sobre o uso desses medicamentos. Recomendações da Anvisa aos pacientes: Não usar agonistas de GLP-1 sem prescrição e acompanhamento médico. Procurar atendimento urgente ao apresentar dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e pode ser acompanhada de náuseas e vômitos, pois isso pode ser um sinal de pancreatite. Nunca reiniciar o medicamento caso tenha tido pancreatite confirmada. Não adquirir medicamentos por fontes não confiáveis (internet, comércio informal). Notificar qualquer suspeita de reação adversa no VigiMed. Mais Lidas

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