Nutricionista faz alerta sobre "golpe do spray" em carro de aplicativo, no RJ
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July 3, 2026
A nutricionista Luna Azevedo, do Rio de Janeiro, estava indo buscar o filho quando passou por uma situação assustadora com um motorista de aplicativo. Por volta das 19h50, em 22 de junho, logo após entrar no carro, o motorista espirrou um spray. Segundo ela, o cheiro forte a deixou com falta de ar. "Foi um susto", diz, em entrevista exclusiva à CRESCER. Já conhece nossas comunidades para mães no WhatsApp? Confira aqui! Luna sofreu o "golpe do spray" em carro de aplicativo Reprodução/Instagram Luna seguia de Ipanema para Botafogo, onde ia buscar o filho em um restaurante, e solicitou a corrida no aplicativo 99. "Era curta, eu faço sempre essas corridas pela Zona Sul, moro aqui, meu consultório também é na região. É um trajeto que estou muito habituada a fazer", conta. Segundo ela, o motorista era bem avaliado na plataforma, com 4.9 estrelas. "Ele foi educado, deu boa noite, perguntou se o ar-condicionado estava bom", lembra. No início, tudo parecia bem, mas poucos minutos depois, ele começou com alguns comportamentos suspeitos. Criminologista alerta sobre a forma correta de sair do Uber para proteger seu filho de um possível sequestro 'Deu a sensação de que eu ia desmaiar' "Quando a gente chegou em Copacabana, ele perguntou: 'Você está sentindo esse cheiro de peixe? Você está com peixe na sua bolsa?' Foi uma pergunta estranha. Se tem uma coisa que nós, mulheres, aprendemos é saber sinais de homem. Na hora, já estranhei. Eu estava com uma bolsa grande, tinha acabado de comprar roupa para o meu filho e estava com a sacola da loja. Respondi: 'Não, na minha bolsa não tem peixe'", recorda. Luna reparou que, no mesmo momento, ele começou a mexer na saída do ar-condicionado que estava voltada para ela. A nutricionista questionou se poderia ser um cheiro vindo do lado de fora, o motorista concordou e seguiu mexendo nos botões do ar-condicionado. Até que ela realmente sentiu o cheiro de peixe. "Era um cheiro horroroso! Mas, muito estranho, porque, em Copacabana, às 20h, não tinha nenhum caminhão por perto que poderia estar carregando peixe para explicar isso. Parecia que o cheiro estava vindo de dentro do carro mesmo", explica. Luna disse que ia abrir a janela, mas, antes que conseguisse, o motorista pegou um spray e começou a espirrar no carro todo, especialmente na saída do ar-condicionado que estava virada para ela. "Foi tudo muito rápido, foram frações de minutos. Ele botou o spray em frente ao ar", conta. Ela começou a sentir um cheiro forte de produto químico. "Eu sou nutricionista, eu entendo de substâncias químicas, entendo cheiros de remédio para anestesia. Deu a sensação de que eu ia desmaiar", afirma. "Eu abri a janela porque estava com falta de ar e coloquei a cabeça para fora. Aí, eu vi que, na hora, ele mudou a forma de falar, era outra entonação, mais agressivo, incomodado que eu abri a janela. Ele disse: 'Cuidado que vão roubar o seu celular'. Mas, eu falei que não estava bem com aquele cheiro. Ele já foi ficando nervoso", diz. O motorista seguiu insistindo que ela fechasse a janela. Mas, Luna continuou sentindo falta de ar. Então, pediu para descer do carro. "Ele ainda ficou meio que na dúvida se parava ou não. Aí o sinal fechou, eu abri a porta e saí. Foi horrível", conta. 'Eu não sei o que ia acontecer e não paguei para ver' Luna desceu em Copacabana, antes de terminar a corrida. Pouco depois, foi buscar o filho e voltou para casa. Mas, a falta de ar continuou até às 23h daquela noite, sua pele também ficou vermelha devido ao produto. A nutricionista resolveu publicar um vídeo nas redes sociais para alertar as mulheres. Nos comentários, outras pessoas disseram que já ouviram falar desse golpe. "Parece que tem uma quadrilha fazendo isso. Algumas falaram que eles usam um protetor no nariz ou uma pomada para não sentir o efeito do produto. Outras já falaram que eles abrem a janela e colocam a cabeça para fora. Sinceramente, eu não reparei na hora, não consigo lembrar se ele fez isso. Eu não sei o que ia acontecer depois e não paguei para ver", afirma. Luna está acostumada a usar carros de aplicativo e nunca tinha acontecido algo assim antes. "Eu vendi meu carro, porque estava em desespero, achava que dirigir também era perigoso para mulheres. Teve uma época que eu tive um carro blindado, mas desisti, porque os bandidos abordam dentro de estacionamento, quando você vai abrir a porta do carro. Então, decidi usar carros de aplicativo, achava que era mais seguro", afirma. 'Mulheres, se protejam, não se sintam constrangidas' Luna quer deixar uma mensagem para outras mulheres e mães que costumam usar carros de aplicativo. "Se você se sentiu desconfortável, não pense duas vezes. Muitas vezes nós, mulheres, nos colocamos em situação de risco onde o corpo está dando alerta e a gente fica com vergonha de parecer que a gente é louca, de parecer que a gente está duvidando do outro. Não pague para ver, saia da situação", alerta. Desde o ocorrido, ela tem andado com spray de pimenta na bolsa. "Na hora [que desci do carro], eu peguei o telefone e liguei para um amigo meu, ele não atendeu, mas eu fingi que estava falando com ele. Acho importante a gente ter esse protocolo de segurança, de mandar localização, enviar mensagem para alguém dizendo que não está confortável", diz. Além disso, é possível apertar o botão da polícia no próprio aplicativo da 99. "Mulheres, se protejam, não se sintam constrangidas. Desconforto é sinal de alerta no corpo. Digo isso como profissional de saúde também: se o corpo entrou em estado de alerta, observa o sinal. O corpo não costuma errar. O que vale é se proteger", finaliza. Initial plugin text O que diz a 99? A CRESCER entrou em contato com a 99, que afirmou que está ciente da situação. Leia a nota na íntegra: "A 99 lamenta o ocorrido. Desde que o caso foi registrado na Central de Segurança, uma equipe especializada busca contato com a passageira para acolhimento e orientação. A empresa segue à disposição para colaborar com as autoridades, se necessário. A empresa reforça a orientação aos usuários para informar à Central de Ajuda, diretamente pelo aplicativo, sobre qualquer incidente durante a corrida, para que uma equipe especializada possa prestar o suporte necessário. A plataforma conta com mais de 50 ferramentas de segurança como botão de emergência que permite ligar diretamente para a polícia, Central de Segurança 24 horas, gravação de áudio e compartilhamento de rota com contatos de confiança, além de ferramentas automatizadas que adicionam camadas de proteção se algum risco for identificado."
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