Novo estudo reforça que não há ligação entre uso de paracetamol na gravidez e autismo em crianças
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July 3, 2026
O uso de paracetamol durante a gravidez voltou a ser tema de discussão nos últimos anos após declarações do presidente americano Donald Trump, que associou o medicamento a um suposto aumento no risco de desenvolvimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças. No entanto, especialistas e autoridades de saúde contestaram essa relação. Agora, um novo e extenso estudo reforça o que já se sabia: não há evidências de que o uso de paracetamol na gestação aumente o risco de autismo ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) nos filhos. Uso de paracetamol na gravidez não aumenta risco de autismo Crescer A pesquisa, publicada na revista científica JAMA Internal Medicine na última segunda-feira (29), é uma das maiores já feitas sobre o assunto. Os pesquisadores analisaram registros de saúde de Hong Kong entre 2001 e 2023. Não foram encontrados indícios de que o uso de paracetamol durante a gestação aumente o risco de autismo ou TDAH após considerar fatores familiares e genéticos que poderiam influenciar os resultados. Paracetamol causa autismo? Especialistas listam 5 pontos que derrubam teoria polêmica Novo estudo não encontra ligação clara entre o uso de paracetamol na gravidez e autismo em crianças Foram avaliadas 708.020 pares de mães e filhos, sendo que 43,3% deles haviam sido expostos ao paracetamol durante a gestação. Vale destacar que os pesquisadores compararam irmãos, o que permitiu controlar melhor fatores familiares e genéticos que poderiam influenciar os resultados, uma vez que eles compartilham grande parte da carga genética e do ambiente familiar. Em uma gestação, a mãe havia usado paracetamol; na outra, não. Os pesquisadores acompanharam 124.333 crianças para avaliar o risco de autismo e 97.285 para investigar o TDAH. O período mínimo de acompanhamento foi de dois anos para autismo e de cinco anos para TDAH. Não há evidências de que paracetamol cause autismo Ao comparar irmãos, os cientistas não encontraram aumento no risco de autismo nem de TDAH associado ao uso de paracetamol durante a gravidez. O resultado se manteve mesmo quando a análise considerou o trimestre da gestação em que o medicamento foi usado, a dose acumulada e a frequência de uso, classificada como esporádica, intermitente ou persistente. Segundo os autores, os resultados reforçam que as associações observadas em estudos anteriores provavelmente foram influenciadas por fatores familiares compartilhados, e não pelo uso do medicamento. Vale destacar que os resultados não significam que o paracetamol possa ser usado sem orientação médica. De acordo com os pesquisadores, a recomendação continua sendo recorrer ao medicamento apenas quando houver indicação clínica, na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível. Transtorno do espectro autista: 10 informações para você entender o que é autismo O que diz o Ministério da Saúde? O Ministério da Saúde reforçou que não existe relação entre o uso de paracetamol e o TEA. Segundo a pasta, o medicamento é registrado no Brasil e sua segurança e eficácia são confirmadas. "Por se tratar de um transtorno complexo, com múltiplos graus e manifestações, o Transtorno do Espectro Autista frequentemente é alvo de desinformação", diz o Ministério, em comunicado. A pasta faz, ainda, um alerta importante para as gestantes: "Sigam sempre as recomendações médicas individualizadas para o uso de qualquer medicamento durante a gravidez para proteger a saúde da mãe e do bebê. Confie em fontes oficiais e ajude a combater a desinformação." Posicionamento da Anvisa A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, também já divulgou uma nota destacando que, no Brasil, não há registros de notificações de suspeitas de eventos adversos que relacionem o uso de paracetamol durante a gravidez a casos de autismo. A medicação registrada no Brasil é indicada para reduzir febre e aliviar dores leves a moderadas, como dor de cabeça, dor no corpo, dor de dente, dor nas costas, cólicas menstruais e dores associadas a resfriados. “De acordo com a Instrução Normativa nº 265/2023, o paracetamol é classificado como medicamento de baixo risco e integra a lista de produtos que não exigem receita médica. Essa classificação é resultado de um histórico de uso seguro e amplamente estabelecido ao longo de muitos anos de acompanhamento”, afirmou a entidade.
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