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O que o intestino do seu filho tem a ver com o humor, o sono e as notas na escola

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… June 30, 2026
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A saúde intestinal na infância é um dos pilares fundamentais para o crescimento saudável, o equilíbrio imunológico e o adequado neurodesenvolvimento. Cada vez mais, a ciência reconhece a importância da chamada microbiota intestinal — o conjunto de microrganismos que habitam o trato digestivo — como peça-chave na construção da saúde global da criança. Pai alimentando filho; criança comendo fruta; alimentação infantil Freepik "Um verdadeiro retrocesso", diz Kfouri após Trump retirar recomendação de seis vacinas do calendário infantil Desde o nascimento, o intestino do bebê começa a ser colonizado por bactérias, vírus e fungos que compõem nossa microbiota. Esse é um processo dinâmico que sofre influência de diversos fatores como: tipo de parto, aleitamento materno, uso de antibióticos, introdução alimentar e hábitos familiares. Vamos tratar aqui sobre a importância de uma microbiota equilibrada, que favorece a absorção adequada de nutrientes, essenciais para o crescimento físico, atua na maturação do sistema imunológico, ajudando a criança a responder melhor a infecções além de reduzir o risco de alergias e doenças autoimunes. Além disso, o equilíbrio regula a qualidade do sono e do humor, melhora o aprendizado e o desenvolvimento cognitivo e emocional e estudos recentes apontam para a proteção até contra distúrbios de ansiedade e déficit de atenção. O mecanismo envolvido nessa função protetora é a competição com microrganismos patogênicos, produzindo substâncias que fortalecem a barreira intestinal. Há mais de uma década, já reconhecemos o chamado eixo intestino-cérebro, uma comunicação bidirecional mediada por sinais hormonais, nervosos e imunológicos, que pode ser modulada por uma microbiota saudável, influenciando a produção de neurotransmissores (serotonina e dopamina) e de ácidos graxos de cadeia curta, que atuam na função cerebral. Importante destacar que a formação da microbiota se inicia ainda durante a gestação, já que, recentemente, se comprovou a transferência de microrganismos e metabólitos da mãe para o feto, e sua dieta e outros fatores ambientais podem já interferir na colonização do trato intestinal infantil, além é claro, da importância do aleitamento materno nessa construção. O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses é um dos fatores mais importantes na formação de uma microbiota saudável. O leite materno contém, além dos nutrientes essenciais, prebióticos (como os oligossacarídeos do leite humano), que alimentam as bactérias benéficas; probióticos naturais (microrganismos presentes no leite), anticorpos e fatores imunológicos que protegem contra infecções e auxiliam na maturação intestinal. Bebê sentado no cadeirão comendo durante a introdução alimentar Freepik Infectologista alerta: em época de doenças respiratórias, quando é preciso levar a criança ao pronto-socorro? Não menos importante, a introdução alimentar na infância desempenha relevante papel na modulação da microbiota. Uma alimentação variada, rica em frutas, legumes, verduras, cereais integrais e alimentos minimamente processados favorece a diversidade bacteriana. Vale lembrar que, por outro lado, o consumo excessivo de ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras saturadas e aditivos, está associado a desequilíbrios da microbiota, que chamamos de disbiose, que pode repercutir em maior risco de obesidade, doenças metabólicas, inflamações crônicas e prejuízos cognitivos. Quando o intestino não funciona adequadamente (seja por uma alimentação pobre em fibras, baixa ingestão de líquidos ou alterações da microbiota), é comum que a criança apresente constipação. A constipação prejudica a eliminação de toxinas e altera o ambiente intestinal, interferindo no equilíbrio das bactérias benéficas e, consequentemente, na absorção de nutrientes e no bem-estar geral. Seguem algumas recomendações importantes para uma microbiota mais saudável: Cuidar da saúde materna desde a gestação; Incentivar o aleitamento materno; Evitar o uso desnecessário de antibióticos; Promover uma alimentação natural e equilibrada, evitando ao máximo alimentos ultraprocessados; Garantir oportunidades de contato com a natureza e brincar ao ar livre, favorecendo diversidade microbiana; Valorizar o sono e o equilíbrio emocional da criança. Em resumo, a microbiota intestinal é um verdadeiro “órgão invisível” que participa ativamente do crescimento físico, do amadurecimento do sistema imune e do neurodesenvolvimento infantil. O cuidado começa antes mesmo do nascimento e se estende por toda a infância, sendo a alimentação natural e o aleitamento materno pilares essenciais para o fortalecimento desse eixo intestino-cérebro e para a prevenção de doenças futuras.

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