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  "textContent": "\nPara a americana Bella Davis, de Utah, tornar-se mãe na adolescência trouxe consigo o peso dos julgamentos. Mas não foi apenas a forma como era vista pelas outras pessoas que tornou esse período tão difícil. Aos 17 anos, ela desenvolveu uma condição pouco conhecida, que altera drasticamente a percepção dos sentidos. Diagnosticada com parosmia, Bella passou a sentir cheiro e gosto de podre em praticamente tudo o que comia. Hoje com 21 anos, ela conta que chegou a rejeitar a maioria dos alimentos porque, para ela, tinham gosto de \"pessoas mortas\". Bella com a família Reprodução/Daily Mail Estima-se que a parosmia afete mais de 3 milhões de americanos. Além de provocar odores e sabores desagradáveis, a condição também distorce a forma como eles são percebidos. No caso de Bella, por exemplo, o cheiro de cigarro lembrava manteiga de amendoim estragada. A parosmia de Bella persistiu por anos, acompanhando inclusive outras duas gestações. \"Não estou exagerando quando digo que tudo tinha cheiro e gosto do que você imagina que um corpo em decomposição teria\", contou a criadora de conteúdo ao tabloide britânico Daily Mail. Dubladora sente cheiros e gostos distorcidos há 5 anos: \"Perdi completamente o prazer de comer\" \"Além de não ter recuperado o olfato, sinto cheiro constante de cigarro\", relata gestante que teve covid Ao longo dos anos, alguns cheiros mudavam. \"O cheiro de cigarro, por exemplo, lembrava manteiga de amendoim estragada. Qualquer alimento com cebola, alho ou carne era completamente impossível de comer. Outros alimentos eram um pouco mais toleráveis, mas nunca tinham gosto normal. Comer sempre foi uma tarefa difícil\", disse. \"Na minha terceira gravidez, eu precisava tampar o nariz e engolir 12 ovos cozidos por dia apenas para conseguir me alimentar. Foi brutal\", relembrou. 'Era constrangedor e afetava profundamente minha qualidade de vida' Segundo Bella, os primeiros sintomas surgiram pouco depois de ela engravidar do primeiro filho, que hoje tem três anos. Nos primeiros meses, Bella conta que sequer conseguia beber água. Ela passou cerca de três meses sem conseguir comer nenhum alimento sólido e sobreviveu graças aos nutrientes administrados por via intravenosa. Após o nascimento do primeiro filho, o olfato e o paladar começaram a melhorar. No entanto, os sintomas voltaram a piorar quando ela engravidou do segundo filho. Após o parto, os sintomas diminuíram novamente. No entanto, durante a terceira gestação, a parosmia voltou a se manifestar. Bella durante gravidez Reprodução/Daily Mail \"Fiquei arrasada, e isso me desanimou por muito tempo. Era constrangedor e afetava profundamente minha qualidade de vida\", contou. \"Consegui seguir em frente porque sempre achei que aquilo fosse passar, mas nunca passou. Cheguei a acreditar que teria de conviver com essa condição para sempre.\" A parosmia não afetava apenas a alimentação. De acordo com Bella, a condição também alterava sua percepção de fragrâncias, fazendo com que ela não suportasse ficar perto de velas aromáticas, sabonetes, desodorantes, perfumes ou qualquer outro produto com cheiro forte. Como tinha dificuldade para se alimentar, ela desenvolveu hipoglicemia (queda dos níveis de açúcar no sangue) e anemia (redução dos glóbulos vermelhos), o que acabou comprometendo sua saúde e sua capacidade de cuidar dos filhos. \"Quando minha família preparava alimentos cujo cheiro eu não conseguia suportar, eu precisava sair do ambiente e me trancar no quarto, com as saídas de ar fechadas. Depois disso, eu evitava ficar em casa por dias. Sentia que era um peso para todos\", relatou. \"Eu não conseguia fazer o suficiente pelos meus filhos quando o assunto era alimentação, e odiava que eles me vissem doente o tempo todo\", acrescentou. 'Não consigo acreditar que voltei a comer normalmente' Bella voltou a comer normalmente Reprodução/Daily Mail Entre as opções de tratamento propostas a Bella estava uma terapia que consistia na aplicação de anestésico em nervos localizados na base do pescoço, com o objetivo de \"reiniciar\" o sistema nervoso simpático. O procedimento custou cerca de US$ 2 mil, mas, infelizmente, não trouxe nenhum resultado para ela. Sem enxergar outras alternativas, Bella conta que recorreu à fé e passou a pedir a Deus pela cura. Ela afirma que, quando finalmente aceitou que talvez tivesse de conviver com a condição pelo resto da vida, algo mudou. Há cerca de seis meses, a parosmia desapareceu completamente, praticamente da noite para o dia. \"Não consigo explicar minha cura de outra forma que não seja por Deus. Senti que, quando realmente deixei isso para trás e fiz as pazes com a situação, algo mudou instantaneamente\", disse. Hoje, ela afirma que voltou a comer de tudo. \"Senti uma emoção enorme quando dei a primeira mordida em um hambúrguer. Arrepiei ao perceber como o sabor parecia completamente normal\", relembrou. \"Comi o hambúrguer inteiro e precisei pedir outro. Foi uma sensação de euforia. Até hoje não consigo acreditar que voltei a comer normalmente.\" O que é parosmia? Parosmia é uma disfunção olfatória caracterizada por uma distorção do olfato. É diferente da anosmia, que é a perda completa do olfato, ou da hiposmia, que é a perda parcial do olfato. Pessoas com parosmia percebem odores normais de forma distorcida na maioria das vezes como desagradáveis, descritos como cheiro de queimado, podre ou químico. O diagnóstico é feito por um otorrinolaringologista, que pode utilizar testes olfatórios para avaliar a extensão da disfunção. Além disso, exames de imagem, principalmente a ressonância magnética deve ser solicitada para descartar outras causas. Embora alterações no olfato sejam comuns durante a gravidez por causa das mudanças hormonais, a parosmia — condição que distorce a percepção dos cheiros — é considerada incomum nesse período. A maioria dos casos está relacionada a infecções virais, como a Covid-19, traumatismos cranianos ou outras alterações do sistema olfatório. Ainda assim, há relatos de pacientes que desenvolveram a condição durante a gestação, embora essa associação ainda não esteja bem esclarecida pela ciência. Costuma desaparecer sozinha? Sim, em muitos casos a parosmia desaparece espontaneamente à medida que os neurônios olfatórios se regeneram corretamente. Isso pode levar semanas a meses, mas há casos que persistem por anos, embora não seja comum. Nessa situação, é possível que regeneração dos neurônios olfatórios tenha sido incompleta ou defeituosa. Embora seja raro, a parosmia pode se tornar permanente, especialmente se houver uma lesão irreversível nas células olfatórias ou nos circuitos neurais responsáveis pelo processamento dos odores. Como lidar com a parosmia? Embora não tenha cura ou remédio, existem algumas estratégias que podem ajudar a aliviar os sintomas. Alguns tratamentos também estão em estudo, mas ainda não há nada definitivo. Confira: Evitar alimentos com odores fortes, condimentados e apimentados; Priorizar alimentos com texturas neutras e temperaturas variadas; Experimentar temperos suaves para mascarar os odores desagradáveis; Manter uma alimentação balanceada mesmo que seja necessário adaptar os ingredientes Treinamento olfatório: exposição repetitiva a odores específicos (limão, cravo, eucalipto e rosa, por exemplo) para estimular a reabilitação olfatória; Corticosteroides: em alguns casos, para reduzir a inflamação tanto da mucosa nasal quanto a inflamcao causada pelo vírus no nervo. Podemos estender o uso do corticoide tópico/nasal e o corticoide oral pode ser utilizado por curto período no início do tratamento. O uso é recomendado após com orientação médica; Lavagem nasal com soro hipertônico 2% auxilia na redução do edema da mucosa e tem mostrado benefício em alguns estudos iniciais; Suplementação de Ômega-3 e complexo B: pode auxiliar na regeneração celular; Terapias experimentais: como neuromodulação e estimulação transcraniana, ainda em estudo. Fonte: Augusto Riedel Abrahao, otorrinolaringologista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.",
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