“Em vez de sofrer, agradeci à ciência por essa conquista”, diz mãe que engravidou após recorrer à ovodoação
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June 23, 2026
A decisão de ter um filho aos 39 anos trouxe uma sequência de desafios para a jornalista Germana Delage, de 43 anos, moradora de Belo Horizonte (MG). Após quase um ano de tentativas e uma perda gestacional precoce, ela decidiu procurar ajuda médica especializada. Ao longo do processo, recebeu diagnósticos inesperados, passou por tratamentos e precisou considerar alternativas que pareciam distantes da sua realidade. Uma delas foi a ovodoação, técnica de reprodução assistida que utiliza óvulos doados por outra mulher. Hoje, mãe de Antonio, de 3 anos, ela compartilha a experiência para falar sobre infertilidade e o impacto emocional das tentantes. Germana Delage com o filho Arquivo pessoal "Eu pensei que ficaria grávida naturalmente. Sempre achava que aquele mês tinha dado certo, até que a menstruação interrompia esse sonho. Depois de um aborto em estágio inicial, a ficha finalmente caiu. Busquei ajuda especializada no dia seguinte", afirma. O diagnóstico que mudou tudo A jornalista mineira Germana Delage tentou engravidar por vários meses até ter uma gravidez química, condição em que a fecundação ocorre, mas a gestação não evolui. Abalada pela perda, ela decidiu procurar clínicas de reprodução humana. Nesse momento, realizou diversos tratamentos com medicamentos e injeções hormonais sem sucesso. Somente após passar por cinco especialistas veio o diagnóstico de endometriose severa. "Os médicos acreditavam que eu convivia com aquela endometriose havia cerca de 25 anos sem saber. Meu caso era grave, precisei passar por uma cirurgia complexa. Senti muita tristeza e sensação de desamparo. Fiquei sem chão e me perguntava se poderia ser mãe”, completa. Ovodoação como caminho até o filho Após o procedimento, ela fez mais exames e descobriu baixa reserva ovariana, condição que reduz a quantidade de óvulos disponíveis e pode dificultar a gravidez, principalmente após os 40 anos. Foi quando surgiu a indicação da ovodoação. “No começo, soou como algo surreal. Mas fui me informar e entrei em contato com mulheres que já tinham realizado a ovodoação. Se aquele era o caminho para ter meu filho, eu estava disposta a seguir", diz. A partir daí, Germana encarou os procedimentos com positividade e tinha confiança de que engravidaria na primeira tentativa. Ela escolheu a doadora, contratou nutricionista especialista em fertilidade e fez várias sessões de acupuntura. “Fiz a transferência de dois embriões e sabia que já estava grávida. Descobri o positivo quando estava de férias na Bahia e nunca tive dúvida que fiz a escolha certa. Pegar o Antonio no colo é o momento que gostaria de reviver todos os dias. Foi um misto de alegria com gratidão”, afirma. Germana e o marido Arquivo pessoal O nascimento de um sonho Quase três anos após o nascimento de Antonio, Germana descreve a jornada como desafiadora e marcada por expectativas. Ela também relata que, muitas vezes, sentiu falta de acolhimento nos atendimentos médicos. Nascimento de Antonio Arquivo pessoal Ao compartilhar sua trajetória, ela diz que deseja ampliar a discussão sobre infertilidade, endometriose e ovodoação, temas que ainda geram dúvidas e desconhecimento entre mulheres que desejam ser mães. “A ovodoação é um caminho possível para gerar um filho. Entendi que o óvulo de uma mulher é apenas uma célula, uma parte que faltava para o meu sonho se concretizar. Nunca pensei em tipo sanguíneo ou em como meu filho se pareceria. Em vez de sofrer, agradeci à ciência por essa conquista. O amor vai muito além do DNA”, finaliza. Família completa Arquivo pessoal Entenda a ovodoação A ovodoação é um método de reprodução assistida recomendado quando os óvulos da mulher não são viáveis para a fecundação. Nesses casos, os óvulos de uma doadora são fecundados em laboratório e o embrião é transferido para o útero da paciente. A indicação é mais comum em mulheres que já entraram na menopausa, com histórico de abortos recorrentes, endometriose ou falhas repetidas em tratamentos de fertilidade. “A idade do óvulo é o principal fator de sucesso na fertilização in vitro, e a ovodoação é indicada quando há falência ovariana ou em mulheres a partir dos 42 anos. A chance de sucesso com óvulos doados é de 60% a 70% por tentativa, e há cerca de 5% com óvulos próprios nessa faixa etária”, afirma Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo. O processo começa com a escolha da doadora compatível, que pode ocorrer de forma direcionada ou por meio de bancos de óvulos congelados. Em seguida, os óvulos são fertilizados em laboratório com o sêmen, formando o embrião, que depois é transferido para o útero. “Após a gravidez em mulheres acima dos 40 anos, o acompanhamento deve ser individualizado, com atenção ao controle hormonal e a um pré-natal mais rigoroso. Isso porque há aumento do risco de complicações como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e prematuridade”, finaliza o especialista.
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