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"publishedAt": "2026-06-20T17:50:03.000Z",
"site": "https://revistacrescer.globo.com",
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"textContent": "\nTem se popularizado nas redes sociais o termo \"hobby parenting\", usado por pais que, ao cuidar de apenas um filho por um período (enquanto outro está, por exemplo, na casa de parentes ou viajando a trabalho), descrevem a experiência como leve, quase um hobby. Mas, segundo especialistas ouvidas pela Newsweek, essa comparação é enganosa e ignora boa parte do que realmente envolve criar um filho único. Mãe e filho conversando (Foto: Getty Images) Crescer Com menos de 2 anos, menina pega bichinho em máquina e choca web: “Se não filmasse, ninguém acreditaria” \"Isso não torna a parentalidade mais fácil, torna-a exigente de uma maneira diferente\", afirma Melissa Tract, psicoterapeuta licenciada que trabalha com jovens e famílias. Para ela, o discurso de que ter apenas uma criança é \"mais fácil\" confunde dois conceitos distintos: menos logística e menos esforço. \"A intensidade da parentalidade não é puramente uma função do número de filhos\", explica. A relação de um filho único com os pais tende a ser mais intensa, não menos Embora administrar múltiplos filhos envolva necessidades concorrentes e rotinas mais complexas, Tract argumenta que famílias com um único filho enfrentam pressões próprias. Sem irmãos, a relação entre pai/mãe e filho costuma ser mais concentrada, com maior sintonia emocional e engajamento direto. \"Há mais tempo individual, mais negociação entre pai e filho, e muitas vezes uma sintonia emocional mais próxima. Isso pode ser algo bonito, mas também pode criar pressão sobre a criança, que se torna a única destinatária das esperanças, ansiedades e atenção dos pais\", diz a psicoterapeuta. Segundo Tract, pesquisas não sustentam a ideia de que criar um filho é inerentemente mais fácil. Estudos sugerem que filhos únicos costumam desenvolver relações mais próximas com os pais, reflexo de tempo, atenção e investimento emocional mais concentrados, não de menos esforço. A psicóloga e terapeuta familiar Lisa Thomson concorda e acrescenta que a intensidade da parentalidade não pode ser inferida apenas pelo tamanho da família. \"Isso ignora os muitos outros fatores que moldam a experiência cotidiana de criar um filho\", afirma. Em famílias com um único filho, os pais costumam ser a principal fonte de interação, brincadeira e suporte emocional em casa, algo que exige, segundo ela, \"intencionalidade contínua e disponibilidade sustentada\". O peso da linguagem e dos estereótipos Para Thomson, expressões como \"você só tem um filho\" podem, sem intenção, sugerir que algo está faltando ou incompleto. \"Para muitos pais, isso reflete um viés cultural mais amplo que associa o tamanho da família à legitimidade, ao valor ou à profundidade da experiência\", diz. Estereótipos sobre filhos únicos — como serem mimados ou socialmente desajeitados — já foram amplamente contestados por pesquisas. Uma pesquisa recente do Instituto Gallup mostrou que 47% das famílias americanas preferem ter um ou dois filhos, enquanto 45% consideram famílias maiores como ideais. \"O estereótipo diz mais sobre o desconforto cultural com famílias pequenas do que sobre os resultados reais\", afirma Tract. As decisões sobre o tamanho da família envolvem fatores complexos e profundamente emocionais, como fertilidade, finanças, saúde e valores pessoais. Para Thomson, esse contexto emocional costuma ficar de fora do debate. \"Muitos pais carregam luto, decepção ou realidades inesperadas em relação ao número de filhos que um dia imaginaram ter\", diz. As duas especialistas concordam que a parentalidade se manifesta de forma diferente em cada casa e que essa diferença não deveria ser interpretada como maior ou menor. \"A intensidade da parentalidade não é linear e não pode ser prevista de forma confiável pelo número de filhos em uma casa. Ela é moldada pelo temperamento, pelos recursos, pelas dinâmicas relacionais e pelo contexto mais amplo em que a família vive\", resume Thomson.",
"title": "Cuidar de um filho só parece 'fácil'? Psicólogas dizem que essa sensação pode ser uma armadilha"
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