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  "textContent": "\nSentir os primeiros chutes do bebê é um marco importante e inesquecível. O momento é muito esperado pelas mães e torna mais palpável o fato de que, sim, seu filho está crescendo a cada dia, ali dentro. Acontece que, conforme as semanas passam, esse padrão de movimento vai se transformando. Os chutes fortes e as cambalhotas dos meses anteriores dão lugar a sensações diferentes, que parecem mais sutis e coordenadas. A redução das mexidas, principalmente, é algo que preocupa – e com razão. Até que ponto isso é normal? Quando a redução dos movimentos do bebê é motivo de preocupação? Freepik É comum que a percepção dos movimentos mude na reta final da gestação, mas isso não significa que o bebê deva se mexer muito menos. Na dúvida, a orientação é sempre procurar avaliação médica. Aqui, especialistas explicam o que você precisa saber sobre o assunto: É normal o bebê mexer menos no fim da gravidez? O que costuma acontecer é uma mudança na forma como a gestante percebe os movimentos. Para o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo Nogueira, associado à Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), é comum perceber movimentações menores do bebê em relação àquelas que a mãe sentia entre o segundo semestre e o início do terceiro. Isso acontece porque o espaço dentro do útero fica mais limitado conforme o bebê cresce. Mas o bebê não deve simplesmente parar de se movimentar. “Não consideramos isso como um padrão normal\", alerta a ginecologista e obstetra Luciana Nicastro, especialista em Medicina Fetal e coordenadora da maternidade do Hospital e Maternidade Sepaco (SP). \"No final, a mãe percebe apenas 40% dos movimentos. Isso porque o sistema neurológico fetal está mais 'maduro', neste momento, próximo ao parto, fazendo com que os movimentos sejam menos bruscos e mais coordenados\", explica. Como os movimentos fetais mudam durante a gravidez? Os movimentos do bebê começam muito antes de serem percebidos pela mãe. De acordo com Alexandre, o feto já se movimenta por volta de 8 ou 9 semanas de gestação, embora a maioria das mães só comece a sentir entre 20 e 22 semanas. \"Esses movimentos vão se tornando mais vigorosos ao longo do tempo, até que a relação entre o tamanho do bebê e o útero faz com que ele já não tenha espaço suficiente para grandes rotações\", detalha. Nas últimas semanas, em vez de grandes cambalhotas, dá para notar mais movimentos de braços, pernas, esticadas e mudanças de posição. \"Percebe-se mais movimentos de braços, pernas e cutucadas do que propriamente movimentos do corpo como um todo\", diz o especialista. Além disso, como a maioria dos bebês já está posicionada de cabeça para baixo perto do parto, muitos movimentos passam a ser rotações do tronco e mudanças de posição dentro do útero. Como perceber os movimentos do bebê ao longo do dia? Nem sempre a sensação de que o bebê está mexendo menos significa que há uma redução real dos movimentos. A rotina da gestante pode influenciar bastante essa percepção. Durante o dia, enquanto trabalha, cuida da casa ou realiza outras atividades, é comum prestar menos atenção aos movimentos fetais. \"Quando você está mais quieta, mais tranquila, sem estímulos externos, a percepção da movimentação do bebê é maior\", ressalta o médico. Por isso, muitas mulheres relatam sentir o bebê mais ativo à noite, quando estão deitadas e relaxadas. A posição da placenta também pode interferir. Quando ela está localizada na parte anterior do útero, funciona como uma espécie de amortecedor, tornando alguns movimentos menos perceptíveis. Outro fator importante é que os bebês também dormem dentro do útero. Por isso, pequenos períodos com menos atividade podem ser normais. O que preocupa, de acordo com os especialistas, é a ausência prolongada de movimentos ou uma redução importante em relação ao padrão habitual. Saiba quais são os momentos que o bebê pode mexer na barriga da mãe Freepik 7 respostas sobre dor na virilha na gravidez, segundo especialistas Existe uma quantidade “normal” de movimentos? Mais do que contar chutes, é importante identificar o padrão do próprio bebê. \"É necessário perceber que o seu bebê está, de fato, se mexendo com a frequência que habitualmente mexe\", afirma o obstetra. Ainda assim, a contagem dos movimentos fetais pode ser uma ferramenta útil, especialmente em algumas fases da gestação. Segundo Luciana, as diretrizes recomendam acompanhar os movimentos principalmente a partir de 28 a 30 semanas em gestações de alto risco e acima de 34 semanas em gestações de baixo risco. Uma das orientações mais utilizadas para as mães é que elas se deitem, preferencialmente sobre o lado esquerdo, após uma refeição, e contem os movimentos durante uma hora. O teste tem até nome: mobilograma. \"A literatura varia ligeiramente, mas o consenso mais aceito aponta como normal a percepção de pelo menos 4 a 6 movimentos fetais em 1 hora\", explica a médica. Caso a gestante não perceba pelo menos seis movimentos na primeira hora, a observação pode ser estendida por mais uma hora. Quando a diminuição dos movimentos merece atenção? A redução dos movimentos fetais pode ser um importante sinal de alerta, especialmente após 28 a 30 semanas de gestação. Segundo Luciana, uma das explicações possíveis é a insuficiência placentária, situação em que o fornecimento de oxigênio ao bebê fica comprometido. \"Quando o suprimento de oxigênio pela placenta cai, o feto diminui sua atividade para poupar energia e reduzir o consumo de oxigênio, priorizando o fluxo sanguíneo para órgãos vitais (cérebro e coração)\", explica. Algumas gestantes merecem atenção ainda maior, como aquelas com hipertensão, diabetes, restrição de crescimento fetal, malformações fetais, síndromes cromossômicas ou outras condições consideradas de alto risco. O que fazer se o bebê parar de mexer ou mexer muito menos? Ao perceber uma redução importante dos movimentos, a primeira orientação é interromper as atividades e prestar atenção ao padrão do bebê. Períodos muito longos de jejum também podem influenciar temporariamente os movimentos. Nesses casos, a recomendação é fazer uma refeição ou ingerir algum alimento mais energético e observar o comportamento fetal por cerca de 30 minutos. \"Se ainda assim o bebê não se mexer, deve ser reportado isso ao médico imediatamente\", afirma Pupo. Quando a gestante relata uma diminuição dos movimentos fetais, alguns exames podem ajudar a avaliar se o bebê está bem. A ultrassonografia obstétrica com Doppler permite analisar a posição e o peso do bebê, a quantidade de líquido amniótico e o fluxo de sangue entre a placenta e o feto por meio do cordão umbilical, além da circulação sanguínea no cérebro fetal. Já o perfil biofísico fetal é considerado um dos exames mais importantes nesses casos, pois avalia diretamente a vitalidade do bebê por meio da observação de quatro parâmetros no ultrassom — tônus fetal, movimentos corporais, movimentos respiratórios e volume de líquido amniótico — associados a um parâmetro obtido pela cardiotocografia. “Os resultados ajudam a equipe médica a decidir se é necessário algum acompanhamento ou intervenção imediata”, explica Luciana. Quando é preciso buscar avaliação médica com urgência? Procure seu obstetra ou uma maternidade sem demora se houver: Ausência de movimentos fetais por várias horas; Redução importante em relação ao padrão habitual do bebê; Resultado alterado no mobilograma; Sangramento vaginal; Perda de líquido; Dor abdominal intensa; Qualquer outro sintoma que cause preocupação. Como estimular o bebê a mexer? Se você perceber que o bebê está mexendo menos do que o habitual: Pare as atividades e procure um local tranquilo; Deite-se de preferência sobre o lado esquerdo; Faça uma refeição ou um lanche; Beba água; Observe os movimentos por cerca de uma hora; Caso a movimentação continue reduzida, entre em contato com seu médico ou procure uma maternidade.",
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