External Publication
Visit Post

Com câncer, mulher se emociona ao ver sua mãe e sua filha raspando a cabeça junto dela

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… June 17, 2026
Source
Receber um diagnóstico de câncer nunca é fácil, mas a travessia fica menos turbulenta quando você percebe que, de fato, não está sozinha. A enfermeira Suzana Cristina Xavier, 48, de Goiânia (GO) já sabia que perderia os cabelos durante o tratamento contra um câncer de mama, mas não imaginava que, naquele momento tão delicado, receberia uma demonstração de amor capaz de transformar a dor em acolhimento — e de emocionar milhares de pessoas na internet. Suzana (acima, à dir.) descobriu um câncer e promoveu uma cerimônia para raspar os cabelos. Ela só não sabia que a filha, Amanda (abaixo, à dir) faria o mesmo, assim como a mãe (abaixo, à esq.). Luana (acima, à esq.), a filha caçula, se uniu a elas e participou do momento emocionante Arquivo pessoal/ Luana Shelps Como profissional da área da saúde, Suzana faz anualmente todos os exames preventivos. Neste ano, porém, os resultados mostraram algo diferente. "Foi uma surpresa muito grande, porque não tinha nenhum sinal, não tinha nenhum nódulo palpável. Daí a importância de fazer os exames de prevenção. Mesmo fazendo todo ano, apareceu. Se eu não tivesse feito, poderia ser pior", conta, em entrevista exclusiva a CRESCER. Desta vez, a mamografia mostrou alterações na axila. Depois vieram biópsias, ressonância magnética e, finalmente, a confirmação do câncer de mama. "Quando eu peguei aquele diagnóstico, só pensava: meu Deus, o que vai ser isso? É claro que a gente pensa na parte ruim, num desfecho ruim. Eu só lembrava das minhas filhas, como elas iam ficar se eu não estivesse aqui, o que eu poderia perder delas se acontecesse alguma coisa", relembra ela, que é mãe da estudante de Letras Amanda Shelps Alves Xavier e da estudante de Direito, Luana Shelps Alves Xavier, 22. Hoje, com coragem e ao lado da família, Suzana enfrenta o tratamento, que inclui seis ciclos de quimioterapia. Depois, ela deve fazer cirurgia, radioterapia e medicação complementar por aproximadamente um ano. Após a primeira sessão de quimioterapia, os médicos explicaram que a queda dos cabelos seria inevitável. Foi então que ela decidiu transformar aquele momento em uma celebração de afeto. "Eu tive a ideia de fazer um chá de lenço, um no-hair, uma bota-fora do cabelo”, relata. “Convidei mulheres muito importantes da minha vida. A ideia era que todas viessem de lenço, compartilhassem experiências e me ajudassem a enfrentar essa fase”, explica. Durante o encontro, amigas e familiares participaram de um ritual simbólico: cada uma cortaria uma pequena mecha de cabelo de Suzana antes que ele fosse raspado por completo. "A ideia era que cada uma tirasse um pedacinho. Começou com a minha mãe, depois minhas meninas, e foi muito bacana. No final, minha mãe faria o acabamento com a máquina", relata. Com amor e união, a trajetória fica menos dolorosa e mais bonita Arquivo pessoal/ Luana Shelps Mas os planos mudaram. Sem que Suzana soubesse, a filha mais velha, Amanda, havia tomado uma decisão: ela também rasparia a cabeça. "No começo eu fiquei um pouco resistente, mas depois entendi que era de coração. E foi muito importante para ela e para mim", diz Suzana. A emoção já tomava conta do ambiente quando Suzana passou a máquina nos cabelos da filha. "Eu acho que estava bem preparada para rapar a minha cabeça. Mas aí veio o impacto da Amanda. Eu rapando a cabeça dela foi muito forte”, recorda-se. Surpresa inesperada No entanto, ainda havia mais emoções pela frente. Enquanto todos acompanhavam, já com lágrimas, a homenagem da filha, uma nova surpresa acontecia atrás de Suzana. A mãe dela, Fatima Dantas Xavier, 70, sempre muito vaidosa com os cabelos, pegou a máquina e começou a raspar a própria cabeça. Suzana terminou de raspar o cabelo da mãe, Fátima: "Percebi que sou a criança dela. Eu tinha as minhas crianças, mas era a criança dela que estava doente" Arquivo pessoal/ Luana Shelps Suzana não percebeu imediatamente. "Em nenhum momento ela deixou transparecer que poderia fazer isso comigo. De repente, todo mundo soltou um grito. Ela estava atrás de mim e eu não enxerguei. Quando virei a cabeça e olhei para a minha mãe, eu não aguentei”, conta. Nesse instante, algo mudou dentro dela. "Quando recebi o diagnóstico, eu só pensava nas minhas filhas. Eu repetia para mim mesma: 'Ainda bem que é comigo, não é com elas'. Porque a gente sempre prefere que as coisas aconteçam com a gente do que com os nossos filhos", analisa. Mas, ali, diante da mãe, a perspectiva se inverteu. "Na hora em que eu olhei para ela, caiu uma ficha muito grande. Percebi que sou a criança dela. Eu tinha as minhas crianças, mas era a criança dela que estava doente", reflete. A compreensão daquele amor atravessando gerações foi avassaladora. "Eu consegui sentir a empatia dela, o medo dela naquele momento, o que aquilo significava. Era uma forma de me dizer que ela estava ali comigo e que sempre vai estar", reconhece. E completa: "Eu me senti realmente uma criança ali, toda vulnerável, sendo cuidada pela minha mãe. Foi uma coisa muito forte”. Três gerações O vídeo do momento rapidamente ganhou as redes sociais e emocionou milhares de pessoas. "Eu não imaginava que fosse viralizar. Eu nem sou muito ligada em rede social", diz Suzana. Nos comentários, ela encontrou não apenas mensagens de apoio, mas também relatos de outras famílias enfrentando batalhas semelhantes. "Tem muita gente desejando a cura, dando força. E impressiona a quantidade de pessoas que estão passando pela mesma coisa, seja a própria pessoa, uma mãe ou outro familiar”, observa. A repercussão também revelou algo que vai além da doença. "Teve muito comentário falando sobre família, sobre estar unido, sobre apoiar quem a gente ama. E eu acho que é isso mesmo. É quando a gente está precisando, quando está vulnerável, que vê quem está ali para segurar a nossa mão”, diz a enfermeira. De uma forma emocionante, uma mensagem imponente ficou clara no momento registrado pelo vídeo: o amor entre mães e filhas não tem idade e é capaz de atravessar gerações, fortalecendo todas elas. Assista ao vídeo abaixo (se não conseguir visualizar, clique aqui): Initial plugin text

Discussion in the ATmosphere

Loading comments...