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  "publishedAt": "2026-06-14T15:50:36.000Z",
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  "textContent": "\nQue esperança estamos construindo para nossas crianças pelas palavras e histórias que elas têm escutado de nós? Tenho andado muito pouco distraído com as histórias. Na verdade, impaciente e impreciso estou, e assim será essa coluna. Alexandre Coimbra: \"A solidão é uma vizinha que todos temos, mas que ninguém convida para entrar\" Já aviso que não trago certezas, mas inquietações. Quero conversar com você que me lê, e que suponho na função de cuidadora de alguma criança ou adolescente. Estamos sós, e nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar. Mas não precisamos saber para onde vamos, precisamos estar juntos. Tô me sentindo muito sozinho nas minhas elocubrações, ando querendo conversar. Minha gente, o mundo está caótico, ler notícias nos desespera, nos desesperança, deixando-nos em estado de impotência misturada com vontade de gritar. Eu sei. \"Nossos filhos merecem ser bem mais protegidos de palavras apocalípticas\", reflete terapeuta familiar Magnific Ando assim também, já que sou deste mundo, e o fato de ser psicólogo não é nem jamais deixarei que seja salvo-conduto para alguém me desumanizar, achando que dou conta do que é desesperador. Eu não sei, mas quero falar é de nossas crianças e adolescentes. Eles estão nos vendo desesperançar em praça pública mas, sobretudo, nos mais privados dos momentos. Somos uma espécie de texto que eles leem simplesmente observando como dizemos, como descrevemos e como narramos a vida. Um dia uma menina de 11 anos me disse em uma escola, no meio de uma atividade que tive com os estudantes de Ensino Fundamental: “Xande, eu estou com muito medo do que eu escuto em todos os lados. Quero saber se você tem medo também. E como você faz com o seu medo”. Pedi para ela dizer melhor do seu medo, ao que ela respondeu: “Medo de não haver mundo para eu viver quando eu crescer”. Eu parei tudo, fiz silêncio e fiquei olhando para ela. Ela, nervosa, olhava para mim pedindo certeza. Fui até ela, pedi para lhe dar um abraço. Ela me abraçou, comovida, e no mesmo estado eu estava, com aquela cena de conexão em meio ao medo. “Mas você não me disse como resolve o seu medo”, me perguntou, ao me abraçar. Voltei ao meu lugar, peguei o microfone e lhe disse: “Eu brinco. Do que você gosta de brincar?”. E conversamos sobre as melhores brincadeiras para organizar na hora do medo, que não fossem jogos e telas. Conversar sobre brincar nos acalmou. A esperança surgiu da palavra, foi ela quem de fato conseguiu temporariamente vencer o medo. As nossas palavras não podem ficar infestadas de treva. As nossas palavras, diante dos nossos filhos, merecem brincar. Falar de coisa boba, de cena bonita, de orvalho, de coisa simples como nos ensinou Manoel de Barros, de desimportâncias da vida comum que nos dão o sentido maior de estarmos vivos. Nossos filhos merecem ser bem mais protegidos de palavras apocalípticas, de histórias de fim do mundo. A palavra que brinca e a brincadeira viva que depois pode ser contada como memória pulsante são formas de adiar o tal fim. O mundo ainda não acabou, minha gente. E ele é feito de palavras, brincadeiras e espaço para inventar o que ainda não está posto. Se o futuro não chegou ainda, que tal deixá-lo lá no lugar dele, e fazer do momento presente a alegria de ter crianças e adolescentes nos chamando para a vida que vale a pena ser vivida? Que palavras sorridentes nascem em você, agora, para convidar crianças e adolescentes a sentir o mundo deles renascendo? Alexandre Coimbra Amaral É mestre em psicologia pela PUC do Chile, palestrante, escritor, terapeuta familiar e de casais. Pai de Luã, 13, Ravi, 11, e Gael, 7. Psicólogo do programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo. (Foto: Divulgação) Crescer",
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