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  "textContent": "\nQuase três anos de escrita e 624 páginas depois, o pediatra Daniel Becker e a jornalista Rita Lisauskas finalmente colocaram no mundo Os 1.000 Dias do Bebê, pela Editora Planeta. A obra percorre os 270 dias da gestação e os dois primeiros anos de vida da criança – período que faz parte da primeiríssima infância, que vai até os 3 anos, quando o desenvolvimento é mais intenso e as experiências deixam marcas profundas. “Demorei tanto para ‘largar’ o livro, como brinca a Rita, porque o SUS não deixava. Era sempre uma vacina nova, uma atualização de política. Precisava deixar o texto atualizado”, relembra Daniel. Em conversa com a CRESCER, a dupla conta como nasceu a parceria, o que diferencia o livro dos guias tradicionais e por que, na era do TikTok e do ChatGPT, um volume de papel e capa dura ainda faz sentido. \"A gente quer que os pais reflitam. Não que sigam um manual\", dizem Daniel Becker e Rita Lisauskas sobre novo livro Divulgação CRESCER.: Como surgiu a ideia do livro e de que forma vocês dois se encontraram nesse projeto? Daniel Becker: Foi um convite da Editora Planeta que veio a calhar, porque eu já queria há muito tempo escrever sobre a primeira infância. Eles trouxeram esse recorte dos primeiros mil dias, que é muito elegante, 270 dias de gravidez mais dois anos de vida. É um número redondo e bonito, mas que representa exatamente o que a gente chama de primeiríssima infância, quando o desenvolvimento é mais explosivo. Só que eu estava há 10, 15 anos tentando escrever um livro e nunca conseguia por falta de tempo. Aí a editora propôs colocar uma jornalista para trabalhar comigo. A primeira opção não funcionou e eu sugeri a Rita, que já conhecia e de quem admirava o trabalho. Eles toparam na hora. Rita Lisauskas: E aí foram quase mil dias de escrita também, não foram? É um processo muito solitário e emocionalmente desgastante. Você coloca toda a sua energia ali e o livro demora a nascer. Se eu não tivesse falado em algum momento “Daniel, larga esse livro”, ele não teria saído. Ele é muito perfeccionista. Daniel Becker: Sim, sou culpado. Tanto que, no final, eu percebi que a gente não havia escrito sobre o que é ser criança no Brasil, e fui lá escrever mais um capítulo. A Rita olhou para mim com aquela cara. C.: O que diferencia este livro dos guias de parentalidade que já existem? R.: A gente tinha como referência um livro clássico chamado A Vida do Bebê, do Rinaldo De Lamare, que passava de mãe para filha nas famílias. Era prescritivo: faça isso para conseguir aquele resultado. A gente gostou da ideia de um livro para dar de presente para novos pais, mas não queria esse tom. O Daniel usou uma vez uma metáfora muito boa: é como um guia de viagem. Ele te conta o que existe, o que você pode encontrar pelo caminho, mas não diz “você tem que ir aqui, senão sua viagem não vai dar certo”. A maternidade e a paternidade são livres demais para isso. D.: A linguagem médica é historicamente prescritiva e quis romper com isso. Tenho muitos anos de saúde pública, sou ativista pela infância, trabalho com redes sociais há bastante tempo. Então, sei quais são as dúvidas reais dos pais, o que não encontram resposta em lugar nenhum, onde se sentem perdidos. O livro trata de epigenética, saúde emocional, autonomia, birra, desfralde, amamentação com crítica à indústria, coisas que nem existiam na minha residência de pediatria. E a Rita trouxe a linguagem do jornalismo: clara, acolhedora, dialógica. C.: Qual o maior desafio de escrever um livro para pais que vivem na era da internet e da IA? D.: A internet tem um problema sério: além de fragmentada, ela é cheia de informações contraditórias. Tem influenciador dizendo para deixar o filho chorar até dormir, outro dizendo que não pode chorar nunca. A gente apresenta as duas perspectivas, com embasamento científico, e deixa o pai e a mãe decidirem. Isso dá segurança e tranquilidade. R.: Quando não existia internet, as pessoas iam perguntar para a tia, para a vizinha, para a aldeia de confiança. Hoje, essa aldeia é enorme, mas você não necessariamente confia em todo mundo. Ter duas pessoas que trabalham nesse universo há muito tempo, com credibilidade, tudo condensado num livro robusto que você pode pegar na prateleira... acho que isso dá um quentinho no coração mesmo. E ainda no papel, que é uma escolha quase política em um momento em que a gente está sempre numa tela. C.: Por que 1.000 dias? O que vocês querem que os pais levem desse período? D.: Porque é quando tudo deixa mais marcas. O desenvolvimento nesse período é explosivo: neurológico, emocional, físico. As escolhas que se fazem aqui têm impacto real e duradouro. Mas a gente não quer que os pais se sintam pressionados. Queremos que eles se sintam informados e acolhidos para fazer escolhas conscientes. R.: A gente quer que os pais reflitam sobre a infância dos seus filhos. Não que sigam um manual. O livro tem 624 páginas. Qualquer tema está lá, com ciência, com carinho e sem julgamento. Se ele trouxer calma para quem está nessa jornada, a gente fez bem o nosso trabalho. Livro de Daniel Becker e Rita Lisauskas Divulgação",
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