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  "textContent": "\nA história de Tati Machado mobilizou o Brasil. A apresentadora passou por um aborto espontâneo em 2019 e, em maio de 2025, perdeu o filho Rael, na 33ª semana de gestação, uma gravidez que ela descreveu como tranquila até a reta final. Na época, Tati deu entrada na maternidade após notar a ausência de movimentos do feto e, no hospital, foi constatada a parada dos batimentos cardíacos por causas que ainda estavam sendo investigadas. Agora, ela e o marido, o diretor de fotografia Bruno Monteiro, anunciaram uma nova gravidez, por meio de um vídeo nas redes sociais. \"O amor encontrou mais um jeito de florescer\", escreveu ela na legenda da publicação. Em post, Tati Machado desabafou sobre sua perda gestacional Reprodução/Instagram 8 mudanças no pós-parto que ninguém fala, mas são mais comuns do que parecem No entanto, o caso de Tati lança luz sobre uma realidade que muitas mulheres enfrentam em silêncio: como é engravidar de novo depois de uma perda. Quais exames são necessários? Quanto tempo esperar? Como lidar com o medo que acompanha cada movimento do bebê? Para responder, a CRESCER conversou com a ginecologista, obstetra e mastologista Monique Novacek, da Clínica Mantelli, e com Leonardo Coelho, médico obstetra especialista em Gestação de Alto Risco e coordenador da Emergência da Maternidade Brasília, da Rede Américas. A investigação que vem antes de uma nova tentativa Quando uma paciente chega ao consultório com histórico de perda, o ponto de partida é o mais completo possível. \"O mais importante é entender todo o histórico dessa paciente e também do marido dela, se tem algum problema de saúde que ela já saiba, como pressão alta, diabetes, hipertensão, se usa alguma medicação controlada, como são os hábitos de vida\", explica Monique. A partir daí, a investigação se aprofunda. Segundo a especialista, é preciso pedir exames para trombofilia. \"São doenças sanguíneas que a gente pode ter hereditárias ou adquiridas durante a vida, que podem atrapalhar o processo, tanto da gestação quanto de perda gestacional.\" Também entram na lista doenças autoimunes, alterações de tireoide, distúrbios hormonais, diabetes, hipertensão e infecções que possam ter sido contraídas na gestação, como toxoplasmose, citomegalovírus e rubéola. A anatomia do útero é avaliada por exames específicos, e a placenta, em casos de perda tardia, é enviada para exame anatomopatológico. No caso de perdas recorrentes, como o de Tati, a investigação é ainda mais criteriosa. Leonardo explica que, diante de duas perdas, sendo uma delas um óbito fetal tardio sem causa aparente, diversas sociedades médicas recomendam uma investigação laboratorial extensa para descartar síndrome antifosfolípide, distúrbios endócrinos e infecções, além de uma avaliação anatômica do útero. Ele acrescenta que não dispensaria o exame da placenta e discutiria com o casal a realização de estudo genético do feto, associado ou não ao cariótipo do casal. Mãe revela por que decidiu incluir seus abortos espontâneos no currículo Quanto tempo esperar: corpo e emoção caminham juntos Não existe uma resposta única para o tempo de espera, e os dois especialistas reforçam que o lado emocional pesa tanto quanto o físico. \"O prazo vai muito de como está o emocional dessa paciente. Ela tem que ser respeitada, ouvida, tratada, ter acompanhamento psicológico e psiquiátrico, porque é ela que vai dizer quando está pronta\", afirma Monique. Do ponto de vista físico, há parâmetros. Monique explica que, em caso de parto cesárea, o ideal é manter um intervalo de 18 meses entre os nascimentos. \"Se a gente faz essa conta, depois de nove meses da perda ela poderia tentar. Se o parto foi induzido para um parto normal, esse tempo pode ser reduzido, mas sempre respeitando o lado emocional.\" Leonardo complementa com as evidências mais recentes. \"Conceber dentro de 6 a 12 meses após um óbito fetal não aumenta o risco de desfechos adversos na gestação subsequente, portanto, esse parece ser um prazo razoável.\" Mas, ele faz questão de destacar: \"Mais importante do que um tempo arbitrário é tomar a decisão de maneira compartilhada com o casal, priorizando a recuperação emocional e a conclusão da investigação.\" Ele lembra que mulheres com história de óbito fetal apresentam taxas aumentadas de depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático. Amanda sofreu uma perda gestacional com 22 semanas de gravidez mrsiraphol/Freepik Estudante de medicina usa arte para transformar a relação com os pacientes: \"Conecta\" O medo na gestação seguinte: quando vigiar vira sofrimento O medo é esperado e tende a se intensificar à medida que a gravidez se aproxima da idade gestacional da perda anterior. Para Leonardo, esse manejo é parte central do cuidado. \"O estresse e a ansiedade podem inclusive aumentar riscos de parto prematuro e baixo peso ao nascer, além de afetar o apego materno-fetal.\" Por isso, ele defende um pré-natal com intervalo menor entre consultas, ultrassonografias adicionais e orientação sobre movimentação fetal a partir das 28 semanas. O acompanhamento, segundo o especialista, segue diretrizes específicas. \"O ACOG orienta vigilância fetal com cardiotocografia e doppler obstétrico uma a duas vezes por semana, iniciando às 32 semanas ou uma a duas semanas antes da idade gestacional da perda anterior.\" O momento do parto, completa ele, deve ser individualizado, considerando a ansiedade materna, os resultados da vigilância e a presença de comorbidades. Monique alerta para o ponto em que a vigilância protetora se torna prejudicial. \"Quando é uma tensão constante, a paciente fica depressiva, ansiosa, gera um sofrimento intenso, prejudica o sono, interfere na rotina, não consegue trabalhar nem sair de casa, isso deixa de ser uma gestação saudável e começa a impactar o lado emocional, o que pode gerar complicações.\" Nesses casos, ela defende o acompanhamento psicológico e, quando necessário, medicações e terapias alternativas como acupuntura, óleos essenciais e atividade física regular. Um mês após perda gestacional, Tati Machado desabafa: “Perder o futuro que a gente imaginou com um filho é perder a si” Nem sempre há uma resposta e tudo bem acolher isso Uma das verdades mais difíceis sobre perda gestacional é que nem sempre existe explicação. \"A medicina, infelizmente, não é uma ciência exata. Muitas vezes, a gente não vai ter um diagnóstico ou alguma resposta para essa perda\", reconhece Monique. Leonardo confirma com dados: \"Mesmo com investigação completa, a causa do óbito fetal permanece indeterminada em aproximadamente 24% dos casos.\" Sobre a movimentação fetal, sinal que levou Tati a buscar atendimento, Leonardo orienta atenção redobrada no terceiro trimestre. \"A percepção de 10 movimentos distintos em até 2 horas é considerada tranquilizadora. Cada feto tem seu próprio padrão, mas nunca se deve aguardar até o dia seguinte caso haja percepção de redução da movimentação habitual.\" No fim, o que une os dois especialistas é a convicção de que o cuidado vai muito além dos exames. É acolhimento, escuta e presença. Como resume Monique, o papel do médico é \"destrinchar tudo que a gente pode, seja de causa materna, fetal ou placentária, para evitar uma nova perda.\" E, acima de tudo, caminhar ao lado de quem decidiu, apesar do medo, tentar de novo. Este texto aborda perda gestacional, um tema sensível. Se você passou por uma perda e está enfrentando sofrimento emocional intenso, procure apoio de um profissional de saúde mental. O acompanhamento psicológico é parte fundamental do cuidado.",
  "title": "Tati Machado: O que a ciência diz sobre engravidar de novo após um luto"
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