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"publishedAt": "2026-06-06T13:37:28.000Z",
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"textContent": "\nUma mãe americana compartilhou o relato de como viveu a perda do filho durante um aborto espontâneo na 17ª semana de gestação, 13 anos após o ocorrido. Em depoimento publicado pela Newsweek, ela conta que o bebê ficou vivo por cerca de um minuto após o nascimento e que, naquele momento, foi uma enfermeira, e não ela, quem o segurou. \"Pensei que, se o pegasse no colo, ou mesmo o olhasse, eu morreria\", relata. Hoje, como terapeuta especializada em luto perinatal, Jennie Hardman faz questão de contar sua história para ajudar outras famílias a não carregarem o mesmo arrependimento. Jennie Hardman teve uma perda gestacional de 17 semanas. Acervo pessoal Uma hospitalização de três dias Quando recebeu o diagnóstico, Jennie estava no mestrado em serviço social. A notícia da internação foi tão inesperada que seu primeiro pensamento foi na apresentação que tinha naquele mesmo dia. \"Os fatos simplesmente não faziam sentido para mim\", lembra. Ela ficou três dias internada, de segunda a quarta-feira. O que ninguém havia dito a ela é que pacientes em situação de perda gestacional são alocadas na ala de parto, junto com mães que estão recebendo seus bebês. Ver o berçário do hospital foi extremamente doloroso. Apesar do aviso na porta do quarto para orientar os profissionais, alguns não o viram. \"Fui cumprimentada com 'parabéns'. Não fiquei com raiva, mas foi muito estranho.\" Dissociação: o que o corpo faz para sobreviver Anos depois, dentro de um processo terapêutico, Jennie entendeu que havia se dissociado completamente durante a internação, um mecanismo de defesa diante do trauma. \"Eu estava basicamente esperando meu filho morrer. Me lembro de dizer para o meu marido: 'Queria que você pudesse fazer isso no meu lugar.'\" A equipe verificava os batimentos cardíacos do bebê regularmente. \"Era bom ouvir, mas eu também não queria ouvir, porque sabia que ele não ia sobreviver.\" O uso do termo \"aborto espontâneo\" pela equipe médica também influenciou sua percepção. \"Na minha cabeça, ainda não era um bebê. Por que eu iria querer segurar um aborto espontâneo? Por que ia querer fotos?\" Ela acredita que teria agido diferente se alguém tivesse dito claramente: \"Este é o seu filho. Este é todo o tempo que você vai ter com ele.\" A enfermeira que ficou na memória Entre as pessoas presentes naqueles dias, a mais marcante foi uma enfermeira experiente, que Jennie descreve como uma \"presença firme e estável\". Em um dos momentos mais tensos da internação, quando ela pediu para o marido sair da sala, a enfermeira lhe disse que a perda afeta os pais de forma diferente. \"Foi a primeira vez que percebi que ela já havia passado por aquilo antes com outras famílias.\" Quando o bebê nasceu, Jennie sentiu gratidão profunda por aquela profissional. \"Não me surpreenderia se ela o tivesse segurado, se tivesse estado presente com ele. Isso me conforta muito.\" Jennie é terapeuta e compartilha conteúdo de apoio para mães que estão sofrendo com a perda de uma gravidez. Acervo pessoal Tatuagem, fotos e memória viva A cura veio de forma gradual, com terapia focada no luto traumático. Jennie explica que, quando o luto vem acompanhado de trauma, é preciso tratar o trauma primeiro. \"Só então o luto pode ser realmente processado.\" O hospital havia guardado impressões em cerâmica das mãos e dos pés do bebê e fotos, que ela foi buscar um ano depois. Fez uma tatuagem com as impressões. Ela e o marido falam do filho para os filhos que vieram depois. A data da perda é tratada como sagrada. \"Para muitas pessoas que viveram uma perda gestacional, o luto dura a vida toda. Você sempre se pergunta: o que ele teria sido?\" Hoje, Jennie atende em sua clínica particular, a Jennie Hardman Therapy, e compartilha conteúdo de apoio para mães em luto gestacional e gestantes após uma perda no Instagram @wholemotherstory. \"Descobri que não fui a única que teve de fazer aquela escolha. E isso tem sido muito curativo.\"",
"title": "Mãe que perdeu bebê com 17 semanas revela arrependimento de não tê-lo segurado: \"Quero acreditar que a enfermeira o abraçou\""
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