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  "textContent": "\n“Um dia, eu sonhei com vocês e a vida os trouxe até mim do jeito mais perfeito que poderia ser. Me deu uma família. O amor da minha vida, e os meus filhos. Me deu o título de ‘mãe’, um privilégio!” Foi com essa declaração que Laura Rodrigues Querino da Silva, 28 anos, emocionou seguidores ao falar sobre a relação construída com Joaquim, 7, e João, 5, filhos de sua noiva, Thayna Oliveira Brito Paulino, 28. Mais do que um relato sobre amor, a publicação abriu espaço para uma conversa importante sobre maternidade socioafetiva, relacionamentos homoafetivos e os diferentes formatos de família. Hoje, vivendo em Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo, Laura define a relação com os meninos de forma simples e profunda: “Eu passei a ser mãe, como um dia sonhei”. De enteados a filhos Reprodução/Redes sociais Como tudo começou A história das duas começou muito antes do relacionamento. Laura e Thayna já sabiam da existência uma da outra desde a infância. Isso porque a tia de Thayna se casou com o tio de Laura, o que fez com que elas se encontrassem em aniversários de família. “Temos até foto de um desses dias”, conta Laura. Apesar disso, nunca tiveram convivência muito próxima. “Nunca brincamos juntas e nem tivemos contato direto”, lembra. Cada uma seguiu seu caminho. Thayna se tornou mãe de Joaquim e João. Laura, por sua vez, carregava um sonho antigo: a maternidade. “Desde os 16 anos, eu falava: ‘Quero adotar dois e gerar um’. Esse sempre foi meu sonho”, diz. O desejo permaneceu vivo ao longo dos anos, mesmo sem saber exatamente como aconteceria. Foi apenas no final de 2023 que o destino voltou a aproximar as duas. Laura viu o perfil de Thayna no Instagram, as duas passaram a se seguir e, pouco depois, veio um convite inesperado: um karaokê em São Paulo. “Ela me chamou sem intenção nenhuma da parte dela — da minha tinha, sim”, brinca Laura. Na época, Thayna morava na capital paulista e Laura no interior. Ainda assim, a conexão foi imediata. “Foi ali, naquele karaokê, que nossa história começou.” O relacionamento cresceu entre viagens de cerca de 300 quilômetros todos os finais de semana. Aos poucos, o vínculo se fortaleceu. Laura conta que Thayna mudou sua vida em muitos sentidos — inclusive ajudando-a a compreender algo fundamental sobre si mesma. “Foi através dela que tive meu diagnóstico tardio de autismo. Ela me ajudou nesse processo e me ensinou o que é um relacionamento maduro e forte”, afirma. “Foi com ela que encontrei o amor da minha vida.” “Amor à primeira vista” Os filhos de Thayna entraram na história logo no início do relacionamento. Laura conheceu Joaquim e João durante uma visita ao salão da mãe da noiva, em São Paulo. “Eles estavam lá, e foi amor à primeira vista. Nos conectamos sem nem saber o que viria pela frente”, relembra. No começo, a convivência ainda era limitada pela distância. Como o casal morava em cidades diferentes, os encontros com os meninos aconteciam esporadicamente. Mas tudo mudou no fim de 2024. “Eles vieram morar no interior e passamos a viver juntos. Foi aí que minha maternidade começou”, conta. De enteados a filhos Arquivo pessoal A transição aconteceu de forma gradual e natural para todos. Laura explica que nunca houve imposição sobre como os meninos deveriam chamá-la ou enxergá-la dentro da família. “Eles me chamavam de tia, e nunca foi forçado. Sempre foi muito natural. Até que começaram a dizer: ‘Eu tenho duas mães’. E foi só aumentando o nosso elo de mãe e filho.” Para Laura, a maternidade nasceu no cotidiano: nas rotinas compartilhadas, no cuidado e na construção diária de afeto. “O meu amor por eles só crescia. Tudo era em prol deles, da alegria, do conforto, de uma vida de qualidade, baseada em amor e respeito”, afirma. A empresária, que administra uma ótica no interior paulista enquanto Thayna atua como micropigmentadora, vê a família como a realização de um sonho antigo. “Meu sonho se realizou. Eu adotei dois meninos e não imagino minha vida sem eles. Eles e a minha noiva são tudo para mim.” O dia em que a maternidade “caiu a ficha” Apesar do vínculo afetivo já estabelecido, houve um momento que transformou profundamente a forma como Laura passou a enxergar a si mesma: o primeiro Dia das Mães em família. Ela lembra da emoção ao participar da homenagem escolar ao lado de Thayna e ver os nomes das duas reconhecidos. “Foi muito marcante. Ver meu nome e o da minha noiva no papel da apresentação mexeu muito comigo. Eles entregaram duas flores e dois presentes. Ali minha ficha caiu: ‘Eu sou mãe’”, relembra, emocionada. “Eu chorei do começo ao fim.” Initial plugin text Laura conta que, embora os meninos já a reconhecessem como mãe, o maior desafio foi aceitar esse lugar dentro de si. “Eles me viam como mãe, mas eu não me sentia digna desse papel. Eu não me reconhecia”, diz. O processo exigiu tempo, terapia e muitas conversas. “Com apoio da minha noiva, fui entendendo: eu sou mãe.” Ouvir 'mamãe' pela primeira vez também foi um divisor de águas. Foi muito emocionante. E chamar eles de filhos é a coisa mais linda do mundo para mim. Porque é exatamente isso que somos: mãe e filhos, independentemente de qualquer coisa.” Duas relações, muito amor Laura descreve vínculos diferentes — mas igualmente intensos — com cada um dos meninos. Com Joaquim, o mais velho, a conexão é marcada pela identificação. “Ele é muito parecido comigo, na personalidade, nos jeitos. Até virou palmeirense por minha causa”, conta, entre risos. Já João, o caçula, demonstra o afeto de maneira mais física. “Nossa relação é cheia de beijos, abraços, colo. À noite ele gosta de dormir juntinho. É extremamente carinhoso e amável. Ele é a alegria da casa”, resume. Famílias homoafetivas e maternidade socioafetiva Histórias como a de Laura e Thayna ajudam a ampliar o entendimento sobre maternidade e parentalidade em famílias homoafetivas. Embora o vínculo biológico ainda seja frequentemente colocado como central no imaginário social, especialistas defendem que a construção afetiva e o cuidado constante também formam relações legítimas entre mães, pais e filhos. No caso de Laura, a maternidade não começou em uma gestação, mas no encontro de uma família já formada — e no amor que nasceu ali. \"Eu não os encontrei na barriga da mamãe, nem na minha. Mas nossos corações se encontraram”, resume. Hoje, Laura e Thayna também compartilham um novo sonho: aumentar a família. “Nosso perfil chama ‘4 e contando’ (@4econtando) porque queremos mais um. Eu sonho muito em gestar, e nós quatro sonhamos juntos com isso”, diz. Para Laura, a maternidade chegou de uma forma diferente daquela imaginada na adolescência — mas talvez ainda mais especial. “Eu sempre dizia que ia adotar dois e gestar um. E, de alguma forma, meu sonho já começou a se realizar.” Initial plugin text",
  "title": "Noiva de uma mãe, mulher emociona ao revelae como enteados viraram filhos: \"Nossos corações se encontaram\""
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