{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreibrdpg7rfmcrdv2ouhhud6xtbf2fdub4zyea3wuwuz4mmffzrszge",
"uri": "at://did:plc:qvpgc4tnvvaveshvev5a2fu3/app.bsky.feed.post/3mnjoynlfa2k2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreifnkvnl5556pg4pxlwytupszce7jijoegtjcoiipr3situqsfdv7u"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 308537
},
"path": "/maes-e-pais/famosos/noticia/2026/06/narrador-da-ge-tv-jorge-iggor-fala-sobre-paternidade-frustracao-e-o-maior-desafio-da-carreira-a-copa-do-mundo.ghtml",
"publishedAt": "2026-06-04T11:09:41.000Z",
"site": "https://revistacrescer.globo.com",
"tags": [
"crescer"
],
"textContent": "\nTem gente que descobre a vocação tarde. Jorge Iggor não é uma dessas pessoas. O narrador do Grupo Globo e principal voz da ge TV cresceu colado no rádio, na televisão e naqueles locutores que transformavam um jogo em história. A voz que hoje narra os jogos dos times nos campeonatos nacionais e estaduais começou a se formar nos estúdios de emissoras de bairro na zona norte do Rio de Janeiro, e chegou ao Esporte Interativo em 2007, aos 21 anos. O caminho foi longo o suficiente para ensinar que narrar, como ele mesmo diz, não é só gritar gol: é conduzir uma emoção coletiva. Jorge Iggor conta como lida com a vida profissional agitada na ge TV e com os filhos, Carol e Gustavo Reprodução/redes sociais Mãe encontra figurinha rara do álbum da Copa e reação de filho viraliza No meio desse percurso, a paternidade entrou em campo duas vezes. Primeiro com Gustavo, hoje com 21 anos. Depois com Carol, de 8. Cada uma das chegadas trouxe aprendizados diferentes, transformou a régua com que ele mede o próprio trabalho e, de quebra, o obrigou a se observar com mais honestidade. Pai de dois, narrador numa Copa do Mundo pela primeira vez com a responsabilidade de narrar os jogos do Brasil, Jorge está num momento que seria o sonho de qualquer jornalista esportivo. E, em conversa com a CRESCER, ele falou sobre tudo isso, incluindo as partes que os grandes momentos não mostram. A paternidade que redimensionou tudo Quando o primeiro filho chegou, Jorge sentiu o que qualquer pai de primeira viagem sente: a sensação de que cada decisão é definitiva e que qualquer dúvida é sinal de despreparo. Com Gustavo, era tudo estreia. Com Carol, veio mais a calma. Não porque seja mais simples, mas porque a experiência ensina que cada filho é um universo próprio. \"Depois você percebe que ser pai é justamente aprender fazendo\", diz. A segunda paternidade reforçou algo que ele já intuía: o que funciona com um filho não necessariamente funciona com o outro. \"Isso ensina muito sobre respeito, escuta e individualidade.\" Na carreira, as mudanças também foram concretas. \"Continuo tendo ambição, vontade de crescer e de viver grandes momentos, mas, a minha régua ficou diferente. Hoje, penso mais no exemplo que eu dou\", reflete o jornalista. Ainda segundo ele, seus filhos talvez não entendam todos os detalhes do trabalho, mas percebem sua dedicação, suas ausências, suas alegrias e frustrações. \"Isso me faz querer ser melhor dentro e fora do ar.\" Initial plugin text Shakira leva crianças de Uganda para show na final da Copa do Mundo Copa do Mundo: privilégio, pressão e memória afetiva Para quem trabalha com transmissão esportiva, a Copa do Mundo é o palco máximo. Para Jorge, ela é também uma estreia numa função que carrega um peso simbólico imenso: narrar os jogos da seleção brasileira. \"É uma chance única de contar histórias que ficam na memória e no coração de milhões de pessoas\", diz. A preparação, ele conta, vai muito além do estudo técnico. \"A Copa tem uma memória afetiva muito forte para todo mundo. As pessoas lembram onde estavam, com quem assistiram, o que sentiram. O narrador entra um pouco nessa memória também, então existe uma responsabilidade grande.\" Acompanhar jogadores, histórias, contextos, lesões e eliminatórias faz parte da rotina. Mas a consciência do privilégio também. \"Estou me preparando com muito estudo, mas também com muita consciência do que é viver isso.\" Dentro de casa, a Copa não fica no trabalho. \"Invade a casa de todo mundo, né? Ainda mais a casa de quem trabalha com futebol. Tem conversa, curiosidade, seleção, camisa, jogador, palpite.\" Com Carol, a figurinha e o álbum transformam o mundial num evento paralelo. \"Eu gosto dessa parte porque a Copa aproxima gerações. A criança entra pelo lúdico, pela figurinha, pela camisa, pela bandeira, pelo mascote, e aos poucos vai entendendo o tamanho daquilo.\" Initial plugin text Sarampo: saúde está em alerta máximo após caso de bebê e faz alerta sobre Copa do Mundo Frustração como ferramenta de formação Narrador de esporte, Jorge sabe bem o que significa perder. Sabe também que a derrota, quando bem acompanhada, forma mais do que o resultado em si. Essa convicção ele leva para a criação dos filhos. \"A frustração ensina limite, resiliência, empatia e humildade. Ensina que o mundo não gira em torno da nossa vontade. Que o outro também joga, também quer ganhar, também tem mérito\", explica. Para ele, existe um equívoco comum entre os pais de hoje: a tentativa de poupar as crianças de qualquer desconforto. \"Desconforto também educa. Proteger não é resolver tudo por eles. Proteger é dar segurança para que eles enfrentem algumas coisas sabendo que têm apoio.\" Perder um jogo de tabuleiro, não ser atendido imediatamente, ouvir um não: tudo faz parte. \"É claro que nem sempre é simples. Às vezes, a gente também erra, cede, exagera, se impacienta. Mas, tento trabalhar com eles essa ideia de que sentir raiva, tristeza ou decepção é normal. O importante é o que a gente faz com isso.\" Ele também reconhece que a incoerência tem um custo alto quando se é pai. \"Não adianta eu falar para eles lidarem bem com a frustração se eu não lido bem com as minhas. Então, a paternidade também obriga a gente a se observar.\" Esporte como prazer, não como cobrança O futebol é muito presente na vida do jornalista, mas ele faz questão de não impô-lo aos filhos. \"Uma coisa é apresentar, compartilhar, convidar. Outra é transformar isso em obrigação\", pontua Jorge. Se em algum momento Carol ou Gustavo estiverem mais interessados em outra coisa, tudo bem. \"Eu gosto da ideia de que eles vejam o esporte como prazer, convivência e aprendizado, não como cobrança.\" Quando o assunto é desempenho, ele traça uma distinção que parece simples, mas que muitos pais têm dificuldade de manter. \"Sou exigente com valores, mas flexível com resultado.\" Esforço, respeito, compromisso e educação entram no campo da exigência. Performance, ranking e vitórias, não. \"Transformar toda experiência em teste de desempenho pode ser muito pesado para uma criança.\" Há, no entanto, uma linha que ele faz questão de não cruzar. \"Não quero que eles sintam que precisam performar para receber amor, atenção ou aprovação. Criança precisa saber que é amada quando ganha e quando perde, quando acerta e quando erra\", responde. O desempenho, diz ele, pode ser trabalhado. \"A autoestima, a confiança e o vínculo precisam ser protegidos.\" É com essa lógica que Jorge leva os filhos pela vida e a Copa do Mundo para dentro de casa. Com a mesma voz que narra um gol histórico, ele tenta ensinar que a derrota não define ninguém e que o que importa de verdade sempre acontece fora das câmeras.",
"title": "Narrador da ge TV, Jorge Iggor fala sobre paternidade, frustração e o maior desafio da carreira, a Copa do Mundo"
}