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  "textContent": "\nAntes de sair de casa, Cláudia mediu a pressão. Mediu a glicemia. Colocou os medicamentos na bolsa, amarrou a mala na garupa e a mochila nas costas. Filmou um vídeo rápido para o grupo da família, \"partiu para a maternidade\", e foi. Grávida foi sozinha de moto para maternidade Reprodução/Instagram Ela estava com 39 semanas de gravidez e uma cesariana eletiva marcada — tudo planejado. E foi sozinha porque era assim que as coisas estavam. O vídeo viralizou. Mas o que ele não mostra é uma trajetória de anos de parto prematuro, diagnóstico de autismo, ausência paterna e recomeço constante. Cláudia e os filhos vivem uma vida simples, mas com muito amor. Acervo pessoal Ravi, o primeiro filho de Cláudia O primeiro filho chegou com 33 semanas, depois de uma noite inteira de sentindo dores que ela, mãe de primeira viagem, não reconhecia como contrações. Foi trabalhar mesmo assim, em Ariquemes, Rondônia, quando percebeu o sangramento e entendeu que algo estava errado. Pediu para sair mais cedo e foi até a casa de parto da cidade. O que veio depois foi uma sequência de desencontros com o sistema de saúde que ela conta com uma calma que assusta. Na unidade, diagnosticaram infecção urinária e a deixaram horas numa sala com outras puérperas, sem acompanhante, já que era época de Covid. Quando não aguentou mais a dor e pediu para ir embora, o médico exigiu que assinasse um termo dizendo que estava \"arriscando matar o filho\". Ela assinou. Pagou R$ 300 numa clínica particular, descobriu que estava com 7 centímetros de dilatação e foi encaminhada de ambulância para Porto Velho, sozinha, sem mala, com a roupa do corpo e os documentos de gestante. Ravi nasceu com 1,860 kg e ficou quatro dias na UTI até estar forte o suficiente para ir para casa. Ravi, o primeiro filho de Cláudia, com Isis Maitê nos braços, após o nascimento da caçula. Acervo pessoal Dois anos depois, foi uma vizinha, babá do Ravi e avó de uma criança autista, quem fez a pergunta que mudou tudo: \"Cláudia, será que o Ravi não tem autismo?\". Ele andava nas pontas dos pés, buscava muita atenção e seguia padrões que chamavam atenção. Uma professora da creche ajudou Cláudia a montar o caminho para o diagnóstico, que veio pelo SUS em janeiro de 2024. A segunda gestação e o pai ausente Cláudia engravidou da Isis Maitê e, ainda na gestação, se separou do pai dos seus filhos. A gestação foi difícil: pressão alta e diabetes gestacional. Na véspera da cesárea, quando Cláudia foi até a casa da mãe buscar a sopa que o médico orientou, levou Ravi para que ele visse o pai. A iniciativa foi dela, como quase tudo. Na manhã seguinte, ela arrumou a própria mala, amarrou na garupa da moto e foi. A mãe de Cláudia e o pai da bebê estavam na maternidade quando ela chegou, mas foi a mãe que ela escolheu para entrar no bloco cirúrgico. Isis Maitê nasceu com 4,335 kg e 53 cm, grande e saudável, \"de muita bênção\", como a mãe descreve. Cláudia com Isis Maitê já em casa. Acervo pessoal \"No final do mês, eu passo dificuldade\" Hoje, Cláudia está desempregada, recebendo seguro-desemprego até setembro, morando numa casinha pequena em Ouro Preto do Oeste, perto da família, que ela escolheu após anos em Ariquemes, onde não havia rede de apoio. A rotina é intensa: Isis Maitê tem cólicas e acorda muito à noite. Ravi precisa de atenção constante, dorme nos pés da cama da mãe para não rolar e ainda não entende bem por que, quando a brincadeira está boa, a irmã chora para mamar. Isis Maitê ainda não possui o nome do pai na certidão de nascimento porque o exame de DNA ainda não saiu. \"O seguro-desemprego mal cobre as contas, o pai do Ravi paga 500 reais de pensão, mas o menino toma medicamento contínuo, e acaba não suprindo todas as necessidades\". Cláudia recebe pensão do pai de Ravi e espera o resultado do exame de DNA de Isis Maitê. Acervo pessoal As roupinhas da bebê vieram de doações, assim como o carrinho. As fraldas foram presente do chá de bebê, que Cláudia organizou com o dinheiro da rescisão do emprego. \"Só estou mantendo a casa. E, mesmo assim, passo dificuldade no final do mês. Ontem, minha mãe foi ao mercado e conseguiu comprar umas bolachinhas para o meu filho. Graças a Deus.\" O recado e os sonhos Quando perguntamos o que ela diria para outras mães que vivem situação parecida, Cláudia respondeu: \"Toda mãe que é solo é guerreira. Não só eu. Ela não está sozinha, mesmo achando que está. A mãe tira força de onde não tem para dar o melhor para o filho, da alma, da mente, de tudo.\" E sobre o futuro, ela também sabe bem o que quer: uma casa própria, um carro usado, poder ir ao mercado e deixar o filho escolher o que quer, ter dinheiro para comprar o remédio dele e a fralda do bebê sem depender de ninguém. \"Eu quero dar uma vida melhor para os meus dois filhos. Eu sou simples, mas eu quero. E se Deus me deixar, eu vou dar.\" Confira o vídeo que viralizou Initial plugin text",
  "title": "\"Tirei força de onde não tinha\", diz grávida que foi sozinha de moto para dar à luz em maternidade"
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