Parto nos EUA, cidadania e green card: o que é mito e o que é verdade sobre ter filhos fora do Brasil
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May 21, 2026
O que Luciana Gimenez, Simone Mendes, Claudia Leitte têm em comum? Nos últimos anos, cada vez mais brasileiras famosas compartilharam a experiência de ter filhos nos Estados Unidos e, com isso, o assunto ganhou força bem além dos perfis das celebridades. Hoje, famílias de diferentes realidades pesquisam, planejam e se perguntam se faz sentido para elas também. A dupla cidadania, as oportunidades futuras para a criança... são muitos os fatores que entram nessa conta. Mas, junto com o interesse crescente, vem também a circulação de informações imprecisas e algumas delas podem gerar problemas sérios tanto para os pais quanto para o bebê. Saiba mais informações sobre ter filhos nos EUA Magnific Estudo revela que 53% das famílias raramente leem para criança Para ajudar as famílias a separar o que é real do que é mito, a CRESCER conversou com a Larissa Salvador, especialista em Direito Imigratório nos EUA e fundadora da Salvador Law. "Muitas famílias tomam decisões baseadas apenas em informações que circulam nas redes sociais, sem compreender como as regras migratórias realmente funcionam. Buscar orientação correta antes da viagem é essencial para evitar problemas futuros tanto para os pais quanto para a criança", alerta a advogada. Confira as principais dúvidas respondidas pela especialista: 1. Ter um filho nos EUA dá green card aos pais? Não. Esse é um dos maiores mitos sobre o tema e, segundo a especialista, também um dos mais perigosos, porque pode levar famílias a tomar decisões baseadas em expectativas que simplesmente não correspondem à realidade. "Existe uma ideia equivocada de que ter um filho nos EUA automaticamente resolve questões migratórias dos pais, e isso não é verdade. A cidadania é um direito da criança, garantido pela Constituição americana, mas não representa uma regularização automática para toda a família", explica Larissa. Os pais continuam sujeitos às regras migratórias que se aplicam a qualquer estrangeiro, independentemente de onde o filho nasceu. 2. O bebê perde a cidadania brasileira ao nascer nos EUA? Também não. Esse é outro ponto que gera muita confusão, especialmente entre famílias que temem que a criança precise escolher entre as duas nacionalidades. Filhos de brasileiros nascidos nos Estados Unidos podem ter dupla cidadania: americana e brasileira. "A criança pode ser reconhecida tanto como cidadã americana quanto brasileira. Para isso, é importante realizar o registro junto às autoridades brasileiras para garantir acesso futuro aos documentos do Brasil", orienta a especialista. Esse registro consular é um passo fundamental e não deve ser negligenciado logo após o nascimento. 3. Mulheres grávidas estão proibidas de entrar nos EUA? Não existe essa proibição. A gravidez, por si só, não impede a entrada no país. O que pode acontecer, na prática, é que a agente de imigração no aeroporto faça perguntas sobre o objetivo da viagem e solicite comprovações de que a família tem condições financeiras de arcar com eventuais despesas médicas. "Muitas pessoas acreditam que mulheres grávidas estão proibidas de entrar nos Estados Unidos, mas não existe essa regra. O que pode acontecer é uma análise mais detalhada sobre o objetivo da viagem e a comprovação financeira para custear despesas médicas", esclarece Larissa. Transparência e documentação organizada fazem toda a diferença nessa hora. Desenvolvimento do bebê de 10 meses: o que ele já faz, como é o sono, quando começa a andar e falar? 8 mudanças no pós-parto que ninguém fala, mas são mais comuns do que parecem 4. Os hospitais nos EUA são gratuitos para estrangeiros? Não. Este é um ponto que merece atenção especial no planejamento financeiro de qualquer família que considere ter um filho nos Estados Unidos. O sistema de saúde americano é privado e os custos podem ser muito elevados, especialmente em situações de emergência ou complicações durante o parto. "Os custos hospitalares nos Estados Unidos podem ser bastante altos. Por isso, organização financeira e transparência durante todo o processo fazem diferença", destaca a advogada. Planejar com antecedência, incluindo a contratação de seguro viagem adequado para gestantes, é indispensável. 5. A cidadania americana traz benefícios reais para a criança no futuro? Sim, e esse costuma ser o principal motivador das famílias que optam pelo parto nos EUA. A cidadania americana abre portas para estudo, trabalho e mobilidade internacional ao longo de toda a vida da criança, com acesso a universidades americanas com valores diferenciados para cidadãos, possibilidade de trabalhar legalmente nos EUA sem necessidade de visto e a facilidade de trânsito que o passaporte americano oferece em dezenas de países. "A cidadania americana pode abrir portas para estudo, trabalho e mobilidade internacional ao longo da vida da criança. Mas os pais também precisam entender as responsabilidades legais e documentais envolvidas nesse processo", conclui Larissa. Vale lembrar que, apesar dos debates recentes sobre cidadania por nascimento no contexto das políticas do governo Trump, o direito continua garantido pela Constituição dos Estados Unidos, em vigor há mais de 100 anos. Mudanças nessa regra demandariam uma alteração constitucional, o que é um processo longo e complexo. Por enquanto, o direito segue assegurado.
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