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"publishedAt": "2026-05-19T11:25:21.000Z",
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"textContent": "\nUma regra em uma escola de natação de São Paulo tem causado revolta entre mães de alunos. Na ACM Unidade Lapa, zona Oeste da capital, mães não podem entrar no vestiário masculino infantil, destinado para crianças de 6 a 9 anos, para ajudar no banho — apenas os pais têm essa permissão. O mesmo vale para o vestiário feminino: só mães podem auxiliar as filhas. Escola de natação ACM Reprodução/ACM Lapa A regra virou problema, especialmente para mães solo de meninos, que têm levado os filhos para casa sem banho. \"Essa regra desconsidera completamente a realidade das famílias. Na prática, isso faz com que algumas crianças tenham direito à assistência e outras não — não por necessidade, mas pela configuração familiar\", afirma Mariana Brito*, 44, mãe de dois, de 9 e 7 anos. Segundo ela, a regra sempre existiu, mas os funcionários começaram a reforçá-la nas últimas semanas, muitas vezes agindo de forma ríspida com as mães. Recentemente, um mural foi fixado próximo ao vestiário: \"Não é permitida a entrada de mães ou responsáveis do sexo feminino para auxiliar\". Alunos se rebelam e forçam escola a mudar regras para uniforme de educação física Escola de natação é criticada por foto 'sexista' em anúncio Regulamento exposto no mural Arquivo pessoal \"Passaram a não permitir que a gente troque as crianças lá dentro. Passou a entrar um supervisor e tirar as mães de dentro do banheiro, que eu também achei uma situação bastante abusiva\", acrescenta Juliana Pereira*, mãe de um menino de 9 anos. Muitas não tinham o conhecimento da regra. \"Descobri na prática, quando entrei no vestiário infantil de meninos para ajudar meus filhos e um amigo deles que estava sob minha responsabilidade. Um pai que estava lá dentro começou a me criticar, dizendo que eu não poderia estar ali. Depois, soube que ele já havia feito o mesmo com outra mãe. Foi, então, que procurei a coordenação para esclarecimentos formais — e aí fui informada de que, de fato, eu não deveria estar no vestiário\", afirma Mariana*. Para ela, a comunicação com a escola tem sido \"inconsistente e desrespeitosa\". \"A resposta do coordenador foi direta: 'Não é da nossa responsabilidade se seus filhos não sabem tomar banho sozinhos'. Esse argumento, além de desconsiderar a realidade das crianças, expõe uma contradição evidente: se a necessidade de ajuda no banho fosse realmente um problema da família, então, nenhum responsável deveria poder entrar no vestiário\", destaca a mãe. \"No entanto, pais homens podem acompanhar e ajudar seus filhos, enquanto mães não podem. Na prática, a autonomia das crianças passa a ser exigida de forma desigual, dependendo de quem as acompanha\", acrescenta Mariana. ACM Unidade Lapa Reprodução/ACM Lapa 'Não existe uma alternativa prevista que contemple a minha situação' Vale destacar que há um vestiário infantil familiar, voltado para pais com filhas meninas e mães com filhos meninos. No entanto, além de ter apenas um chuveiro, é destinado para crianças de até 5 anos. \"Eu simplesmente não estou incluída em lugar nenhum: meus filhos têm mais de 5 anos, então, não poderiam usar o banheiro familiar. Ao mesmo tempo, eu não posso entrar no vestiário de meninos para ajudá-los. Ou seja, não existe uma alternativa prevista que contemple a minha situação\", lamenta Mariana*. Ela conta que, após muita insistência, eles abriram exceções para que famílias com crianças maiores de 5 anos possam usar o vestiário familiar. Mas, está longe de ser uma solução definitiva. \"O coordenador disse que meus filhos poderiam usar o banheiro familiar 'por enquanto', como se fosse um favor — e não o mínimo necessário — ainda que esse espaço claramente não atenda à situação\", diz a mãe. Natação ajuda a reduzir riscos de afogamento na infância? \"Enquanto o vestiário de meninos tem vários chuveiros disponíveis, o familiar tem apenas um — mas ambos foram tratados como se fossem equivalentes. Quando mencionei nunca ter visto fila no vestiário de meninos, isso foi contestado; quando relatei já ter visto fila no banheiro familiar, o problema foi minimizado, com a sugestão de que bastaria esperar com as crianças molhadas no meio do corredor\", acrescenta. Regulamento do vestiário familiar Arquivo pessoal 'Questões de equidade não dependem de maioria' Como resultado, muitas famílias tem levado os filhos sem tomar banho. \"Por enquanto, meu filho sai da natação com água de cloro e vem para casa. Ele não está tomando banho lá no vestiário, porque ele não quer ficar sozinho. Tem vários pais lá também, homens desconhecidos, que eles não se sentem à vontade para tomar banho\", diz Juliana*. O mesmo tem acontecido com Mariana*. \"Não existe condição real de dar banho em três crianças em um único chuveiro — e essa é a única alternativa oficialmente permitida para mim. Eu sou mãe solo, por adoção, então, não tem nenhuma possibilidade de ter um pai levando meus filhos para tomar banho\", conta. Segundo elas, outras mães tem tentado burlar as regras, entrando no vestiário infantil masculino. \"Isso indica que a regra não é aplicável na vida real: ela só se mantém porque é ignorada. O espaço maior é restrito, e o espaço menor, insuficiente, é imposto como única possibilidade. Mesmo que fosse um caso minoritário, isso não elimina a necessidade de uma solução adequada. Questões de equidade não dependem de maioria\", diz Mariana*. \"O resultado é que não existe uma solução estruturada — apenas improviso, desigualdade e constrangimento\", acrescenta. Juliana* concorda que a visão da escola exclui certas famílias. \"Eu acho uma discriminação de gênero, uma coisa muito grave. Eles discriminam qual é o sexo dos pais, sendo que hoje em dia existe família de duas mães, família de dois pais... Por que eles têm que exigir o sexo do pai do responsável pela criança?\", questiona. O que diz a ACM? A CRESCER entrou em contato com a ACM Unidade Lapa, que explicou as regras do vestiário. Leia a nota: \"A Associação Cristã de Moços de São Paulo é uma instituição com 123 anos de história, sem fins lucrativos, de assistência social, que tem como missão fortalecer pessoas, famílias e comunidades. Fundamentado nesta missão, em parceria com a família, que consideramos o nosso alicerce, atuamos junto as crianças e adolescentes no processo de formação cidadã. A partir dos 06 anos de idade, incentivamos o desenvolvimento da autonomia da criança. Um exemplo disso é o uso de vestiário infantil, um espaço exclusivo para o atendimento de crianças, onde elas podem realizar atividades como tomar banho e se trocar. Essa prática está prevista no regulamento do nosso quadro social e reflete a forma como estruturamos o atendimento na Instituição. Caso surja alguma situação especifica fora dessa condição, analisamos individualmente para buscar a melhor solução em conjunto com a família e atender as necessidades dos associados da forma mais adequada.\" *Os nomes das personagens foram alterado para manter a anonimidade",
"title": "Regra em escola de natação de SP revolta mães: \"Discriminação de gênero\""
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