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"textContent": "\nA maternidade não termina, nem mesmo diante da perda. Para algumas mulheres, ela se transforma em memória, saudade e um exercício diário de seguir em frente mesmo quando tudo parece ter parado no tempo. Trina Moore e seus filhos Jada e Zack Reprodução/redes sociais \"Tanto os homens quanto as mulheres precisam desconstruir a ideia de que o cuidado é papel apenas da mulher\", defende jornalista É o que vive uma mãe norte-americana, Trina Moore, que, após perder a filha adulta em 2026, se viu novamente atravessando um luto profundo, já conhecido, mas não menos devastador. Anos antes, em 2004, ela havia perdido o filho de 13 anos. Agora, com a morte repentina da filha, a dor voltou com força, trazendo também novas camadas de ausência e reflexão. A filha, Jada, tinha 30 anos e morreu de forma inesperada após um acidente. Dias antes, as duas haviam se encontrado, tomado café da manhã juntas e feito planos. “Eu achei que ainda tínhamos tempo”, relembra Trina em depoimento para à Newsweek. A sensação de interrupção brusca da vida — e do futuro imaginado — se soma à experiência anterior de perda, criando um luto que, segundo ela, não é apenas sobre quem se foi, mas sobre tudo o que não poderá mais acontecer. Quando o luto reabre antigas feridas Anos antes, a morte do filho Zack já havia marcado profundamente sua trajetória como mãe. Ele tinha paralisia cerebral, mas levava uma vida ativa, cheia de humor e conquistas. Morreu após complicações de saúde, nos braços da mãe. Durante muito tempo, essa foi a lembrança que prevaleceu, até que, aos poucos, outras memórias voltaram a ocupar espaço. Agora, com a perda da filha, ela descreve um processo diferente, mas igualmente intenso. “Você não lamenta apenas a perda dos filhos. Você lamenta a vida que imaginou para todos”, reflete. Culpa materna: o que é e como lidar com o sentimento de nunca fazer o suficiente Entre a dor e a decisão de seguir vivendo Para atravessar os dias, ela construiu uma rotina possível. As manhãs são dedicadas a pequenas práticas de presença, como exercícios de gratidão ao lado do companheiro. As tarefas burocráticas — comuns após a morte de um familiar — ficam concentradas nesse período. Já as tardes são, muitas vezes, reservadas para sentir. “Eu me permito desabar, se for preciso”, conta. Sem romantizar o processo, ela também reconhece os riscos de se desconectar completamente da vida, algo que observou em outros pais enlutados quando buscou apoio em grupos de acolhimento após a primeira perda. Por isso, faz uma escolha consciente: continuar, ainda que aos poucos. “Não quero desaparecer.” Compartilhar sua história nas redes sociais acabou se tornando uma forma de conexão. Ela passou a receber mensagens de outras mães e pais que também enfrentaram perdas semelhantes. No silêncio da noite, ler esses relatos virou parte do seu processo de elaboração do luto. Ainda assim, são os gestos simples que mais sustentam o cotidiano: amigos que chegam sem aviso, levam comida, escutam sem tentar consertar a dor. E, principalmente, a possibilidade de falar sobre os filhos: dizer seus nomes, lembrar quem foram em vida, para além da forma como morreram. Para ela, não existe prazo ou forma certa de viver o luto. “Você não deve a ninguém um sofrimento organizado”, afirma. Entre dias mais leves e outros quase insuportáveis, segue tentando abrir espaço, aos poucos, para algo que ainda parece distante: a possibilidade de voltar a sentir alegria. “Eles viveram com alegria. E, de alguma forma, é assim que quero honrá-los.”",
"title": "“Perdi meus dois filhos e precisei aprender a continuar”, diz mãe em relato sobre luto, amor e recomeço"
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