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  "textContent": "\n“Você é a mãe dele?” — a pergunta foi feita por médicos e enfermeiros poucas horas depois de Agtha Lima, 30 anos, conhecer Dom pela primeira vez. O bebê, com síndrome de Down, acabava de ser internado às pressas com dificuldade respiratória e precisou ser intubado. “Eu respondia: ‘Sou a mãe, mas conheci ele hoje’”, relembra a enfermeira obstetra de Guarulhos (SP). Naquela manhã, ela e o marido saíram de casa para finalmente encontrar o filho, que esperavam havia muito tempo no processo de adoção. Mas o que deveria ser apenas o primeiro contato da família se transformou rapidamente em uma corrida ao hospital, cercada por medo e decisões difíceis. Apesar da gravidade do quadro, Agtha afirma que teve certeza imediata de que queria seguir com a adoção. “Tudo o que eu conseguia pensar era que ele não podia passar por aquilo sozinho”, conta. Agatha com o filho, durante a internação Arquivo pessoal O encontro com Dom A adoção sempre fez parte da vida de Agtha. Quando tinha apenas 1 ano, sua mãe adotou sua irmã e as duas cresceram juntas. “Desde o namoro, eu e meu marido conversávamos sobre construir uma família por meio da adoção. Três meses após o casamento, iniciamos o processo”, conta. Em 2022, nasceu Theodoro, hoje com 4 anos. A chegada do primeiro filho biológico, porém, não mudou os planos do casal de seguir com a adoção. Foi nesse período que eles decidiram ampliar o perfil para deficiência intelectual. Pouco tempo depois, veio a ligação da Vara da Infância sobre Dom, um bebê de 2 meses com síndrome de Down. Na saída do hospital Arquivo pessoal No dia marcado para conhecê-lo, tudo saiu diferente do planejado. Ainda no abrigo, a equipe percebeu que o bebê não estava bem e o levou para uma unidade de saúde. Agtha e o marido foram encontrá-lo lá. “Quando o conhecemos, percebemos que ele tinha muita dificuldade para respirar. Ele foi encaminhado para o hospital e internado na UTI. Eu tinha a sensação de ter acabado de conhecer meu filho e, ao mesmo tempo, podia perdê-lo.” A equipe da Vara da Infância chegou a perguntar se o casal gostaria de continuar com o processo diante da gravidade do quadro. Mas os dois estavam decididos a seguir com a adoção. Dias depois, a guarda provisória foi concedida e Agtha passou a acompanhar Dom durante a internação. O pequeno foi para casa com os pais Arquivo pessoal Uma nova gravidez inesperada A família aumentaria ainda depois da chegada de Dom. Apenas três dias após conhecer o bebê no hospital, Agtha descobriu que estava grávida novamente. A descoberta aconteceu enquanto Dom ainda estava internado e a família tentava entender a nova rotina. “Levei o maior susto da minha vida. Só pensava em como eu daria conta de tudo. Depois, com o tempo, entendemos que nossa família estava sendo construída exatamente daquele jeito”, afirma. Hoje, Elisa tem 1 ano e cresceu ao lado de Dom desde o nascimento. Com apenas alguns meses de diferença, os dois compartilharam fases importantes do desenvolvimento infantil. “Eles engatinharam juntos, começaram a ficar em pé na mesma fase e aprendem muita coisa ao mesmo tempo. A Elisa estimula muito o Dom no dia a dia”, destaca. Gravidez inesperada Arquivo pessoal A vida além dos rótulos Nos primeiros dias em casa, Theodoro estranhou dividir a atenção dos pais com o novo irmão. Mas, com o tempo, os dois construíram uma relação de muito afeto. Atualmente, Dom faz fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. Entre consultas, terapias, escola e trabalho, Agtha define a rotina da casa como intensa. “Temos uma vida muito agitada. É um eterno equilibrar de pratos. A maternidade atípica me mostrou que nossos filhos são mais do que os rótulos e diagnósticos que carregam. A vida pode ser muito mais leve e feliz. Existe beleza em cada detalhe do que vivemos”, diz. Os planos da família continuam crescendo. “Daqui a alguns anos, queremos adotar uma menina. O amor só se multiplica, e ter uma família dá motivação para enfrentar tudo e todos”, conclui. De repente, três! Arquivo pessoal",
  "title": "“Achei que o perderia poucas horas após conhecê-lo”, diz mãe que adotou bebê com síndrome de Down"
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