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  "textContent": "\nVocê já ouviu falar em “enxoval de tentante”? O termo viralizou nas redes sociais e vem aparecendo cada vez mais em vídeos de TikTok, fóruns de maternidade e conversas entre mulheres que estão tentando engravidar. A ideia é simples: começar a comprar roupinhas, acessórios e itens de bebê antes mesmo do teste positivo. Mas será que vale a pena montar um enxoval antes da gravidez acontecer? Enxoval de tentante: será que vale a pena antecipar as compras? Freepik Embora a prática faça sentido para algumas mulheres no campo emocional, especialistas alertam que o momento das tentativas costuma ser cercado de incertezas — e que antecipar compras pode gerar mais ansiedade do que acolhimento. Por outro lado, o desejo de se preparar para a maternidade é legítimo e não deve ser tratado como exagero. Enxoval de tentante: de onde vem essa vontade? Segundo a psicóloga Bruna Augusto Maiani, especialista em psicanálise e desenvolvimento humano, a vontade ou o impulso de fazer um enxoval de tentante pode ser entendido como uma forma de dar forma concreta a um desejo muito profundo. “O bebê existe primeiro como um ‘bebê imaginado’, ocupando um lugar no projeto identificatório dos pais”, explica. Ou seja: antes mesmo da gravidez acontecer, muitas mulheres já criaram, emocionalmente, um espaço para esse futuro filho. “Antes do positivo, já existe um ‘bebê psíquico’ que é uma construção imaginária, que ocupa um lugar na vida da mulher. Comprar objetos seria uma maneira de materializar esse bebê no mundo concreto, antecipando simbolicamente sua existência”, aprofunda. Na prática, isso mostra que o enxoval de tentante não é só sobre consumo. Tem relação com vínculo, expectativa e significado. Comprar antes da gravidez ajuda ou aumenta a ansiedade? A resposta depende muito da relação que cada mulher estabelece com esse processo. Tentar engravidar significa lidar com algo que foge totalmente do controle e isso pode ser emocionalmente difícil. “Tentar engravidar coloca a mulher diante de um limite, pois o corpo e o tempo não obedecem completamente à sua vontade. O problema é quando esse tipo de estratégia se torna a única forma de lidar com a incerteza, podendo gerar sofrimento e sentimentos de ansiedades e impotências”, afirma Bruna. Nesse contexto, as compras podem funcionar como uma tentativa de diminuir a sensação de espera. “Ao comprar, a mulher cria uma ilusão de domínio sobre algo que, estruturalmente, envolve espera e falta. Isso pode gerar frustrações”, alerta a especialista. Em outras palavras: comprar uma roupinha pode até trazer conforto momentâneo, mas não resolve a ansiedade de quem está vivendo a expectativa do positivo. O que vale mais a pena fazer antes de engravidar? Se a vontade é se preparar para a chegada de um bebê, especialistas reforçam que existem prioridades muito mais importantes do que começar um enxoval. “Eu diria que essa mulher já está no caminho certo, mas que vale direcionar essa energia para o que realmente faz diferença”, afirma a ginecologista Flávia Purcino, membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetríca (Febrasgo). Segundo a médica, estas etapas são mais úteis e importantes no período de tentativas: Agendar uma consulta pré-concepcional Atualizar exames e vacinas Iniciar ácido fólico Organizar rotina de sono, alimentação e atividade física Reduzir fatores de risco (álcool, tabaco, estresse excessivo) Conversar sobre expectativas reais de tempo para engravidar Além dos cuidados médicos, também vale investir em preparação emocional e prática: buscar informações confiáveis, alinhar expectativas com o parceiro e adaptar a rotina para essa nova fase da vida. Existe algo que pode ser comprado sem problema? Sim — desde que tenha um valor afetivo e não vire uma cobrança silenciosa. Um item simbólico, como uma primeira roupinha ou um objeto especial, pode representar esperança e carinho sem necessariamente gerar sofrimento. O problema aparece quando o enxoval de tentante passa a ocupar um espaço emocional muito maior do que deveria. “A questão não está no ato de comprar, em si, mas na função que assume quando a compra deixa de ser só uma expressão simbólica do desejo de ter um filho e passa a funcionar como uma tentativa compulsiva de preencher um vazio que não pode ser totalmente preenchido”, diz Bruna. Ela faz um alerta importante: “É algo que tende a produzir mais sofrimento do que alívio. Isso pode acontecer quando os objetos deixam de representar esperança e passam a confrontar os pais com a ausência do bebê real”. Initial plugin text Roupas de bebê Magnific O que é melhor deixar para depois de engravidar? De forma geral, roupas, móveis, decoração e itens caros do bebê podem esperar. Além de ainda não serem necessários, existe o risco de essas compras aumentarem a pressão emocional durante as tentativas. A boa notícia é que, depois da confirmação da gravidez, normalmente existe tempo suficiente para organizar tudo com mais calma, consciência e praticidade. Como equilibrar expectativa e realidade durante as tentativas? Fantasiar o futuro e imaginar o bebê faz parte do processo de quem deseja engravidar. Mas especialistas reforçam a importância de não transformar a espera em uma fonte constante de ansiedade. “Uma boa proposta para buscar um possível equilíbrio seria balancear fantasia e realidade, sustentando uma relação menos rígida entre uma e outra. É possível transitar entre fantasia e realidade, sem confundi-las completamente”, orienta Bruna. Ela reforça que a maternidade envolve uma dimensão impossível de controlar totalmente. “Isso implica em reconhecer que há uma dimensão da maternidade que não pode ser antecipada, nem garantida. Em vez de tentar eliminar a incerteza, o caminho pode ser sustentar essa espera sem precisar preenchê-la totalmente com ações ou objetos”, explica. Por fim, a psicóloga destaca que apoio emocional também faz diferença nessa fase. “Quando há possibilidade de elaboração pela fala, pela reflexão ou por acompanhamento terapêutico, a preparação para esperar este bebê tende a ser mais flexível e menos fonte de sofrimento”.",
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