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"textContent": "\n\"Meu corpo tem limites, o amor de mãe não\". Foi dessa forma que a influenciadora e artista de Lettering, Natália Evelyn dos Santos, legendou um dos seus vídeos no TikTok (@nataliaevelynsant), com mais de um milhão de visualizações. Nas redes sociais, ela — que não consegue mexer as mãos — já emocionou muitas pessoas com seus relatos, mostrando os cuidados com o filho autista Davi. Mãe mostra rotina com o filho autista Reprodução TikTok Natural de Barra Bonita (SP), Natália nasceu com uma condição chamada artrogripose, caracterizada por contraturas articulares — alterações estruturais no tecido conjuntivo que envolve os ossos e uma articulação. O quadro leva à limitação dos movimentos. Por isso, a mãe aprendeu a adaptar sua rotina para fazer tudo com as mãos, inclusive os cuidados com o filho. \"Nas pernas, tenho poucos movimentos e, nas mãos, não tenho movimento algum\", relata ela, em entrevista à CRESCER. Natália conta que a deficiência foi um incentivou para buscar mais independência. \"Nunca aceitei ser totalmente dependente das pessoas\", destaca. No entanto, o caminho não foi fácil. Desde pequena, a influenciadora passou por várias cirurgias para melhorar a sua mobilidade. Ao todo, foram 13, além de anos realizando fisioterapia, fonoaudiologia e hidroterapia. Professor ajuda aluno PCD a completar circuito e cena viraliza no mundo todo Professora adapta equipamento para aluno PCD dançar em festa junina, em SP Natália foi diagnosticada com artrogripose Arquivo Pessoal Uma nova fase na vida Com o passar do tempo, a mãe foi enfrentando seus desafios diários e, então, há 17 anos, conheceu seu marido. \"Uma pessoa incrível que Deus colocou no meu caminho. Ele me apoia, me ajuda em tudo e é verdadeiramente um príncipe na minha vida\", disse, orgulhosa. Logo, surgiu o desejo de aumentar a família. Natália sempre sonhou em vivenciar a maternidade e conseguiu realizar esse desejo. Ela lembra de passar pelas inseguranças de ser uma mãe de primeira viagem e teve uma gravidez tranquila. A pequena Vitória, hoje com 14 anos, nasceu saudável. \"Fui andando para a sala de parto e ela nasceu no tempo esperado. A única complicação foi que a anestesia não fez efeito, então acabei sentindo tudo até precisarem aplicar anestesia geral\", ela se lembrou. Natália com a família Arquivo Pessoal Com o caçula, a situação foi um pouco diferente. Com quatro meses, Natália teve uma infecção urinária e, um mês depois, descobriu hidrocefalia, alto acúmulo de líquido cefalorraquiadiano. Infelizmente, as complicações não pararam por aí! Com 31 semanas, a influenciadora começou a sentir uma dor de cabeça e no estômago muito fortes. Ela chegou a ir ao hospital, foi medicada, mas, ao voltar para casa, teve convulsões. \"Foram quatro antes do Davi nascer\". Após ser avaliada, Natália foi diagnosticada com eclampsia — desenvolvimento de convulsões em pacientes com pré-eclâmpsia (aumento da pressão) e sem diagnóstico prévio de doenças neurológicas. A mãe ainda foi diagnosticada com a Síndrome de HELLP — condição grave que pode causar complicações como insuficiência hepática, hemorragias e parto prematuro. Felizmente, após esse turbilhão de acontecimentos, Natália deu à luz e pôde voltar para casa com o filho. Contudo, o pequeno ainda precisou passar por uma cirurgia, devido à hidrocefalia. \"Aprendi que precisamos viver um dia de cada vez\" Quando estava com um ano, o comportamento de Davi chamou a atenção de sua terapeuta ocupacional. \"Ele já falava o alfabeto completo, contava de 1 a 100, conhecia formas e cores. Chegamos muito felizes, contando tudo o que ele sabia fazer\", Natália lembrou. No entanto, a especialista decidiu encaminhar o pequeno para uma investigação para o autismo. Depois, novos sinais foram surgindo. \"Ele pegava carrinhos para girar as rodas, girava lápis. Começaram as estereotipias, como bater as mãos e balançar a cabeça\", a mãe mencionou. Ao confirmar o diagnóstico de autismo nível 3, a influenciadora admite que ficou um pouco chateada. Mas, aos poucos, foi entendendo melhor o transtorno do filho. Davi ainda teve crises epiléticas e um quadro de encefalopatia crônica, que impacta a estrutura e funcionamento do cérebro. \"Foi um período muito difícil, porque até as terapias que ele amava começaram a gerar crises e resistência\". Da rotina intensa aos momentos inesquecíveis Natália revela que tem uma rotina intensa com o filho. \"Davi exige cuidados 24 horas por dia, pois é totalmente dependente. Entre terapias, consultas, cuidados diários e também a atenção que precisamos dar para nossa filha pré-adolescente, os dias são muito corridos\", ela desabafou. Dessa forma, \"equilibrar todos os pratos\", como escola, terapias, casa, cuidados, não é fácil. \"E ainda precisamos encontrar tempo para nós como casal, principalmente porque não temos rede de apoio\". Em seu dia a dia, Natália precisou fazer algumas adaptações para cuidar do filho. \"Como faço praticamente tudo com a boca, antes as adaptações eram mais relacionadas à minha altura, já que sou muito baixinha\", contou. \"Mas com o crescimento do Davi e o aumento das demandas, meu esposo precisou fechar a oficina de funilaria e pintura para se dedicar integralmente à nossa família, porque eu já não conseguia dar conta sozinha\". No entanto, a artista lembra que sua vida não é só feita de desafios, mas também de momentos inesquecíveis para deixar guardados para sempre na memória. \"A primeira vez que conseguimos levar as crianças para conhecer o mar foi algo emocionante. O Davi amou tanto que voltou transformado. Até as profissionais que o acompanham comentaram o quanto o mar fez bem para ele\", a mãe destacou. Hoje, ao compartilhar sua história nas redes sociais, Natália busca mostrar que, embora os desafios apareçam, é importante não desistir. \"Aprendi que precisamos viver um dia de cada vez. E uma frase que levo para a vida é: 'Você é o seu único limite'. Porque, por mais difícil que seja, somos capazes de ir além\", completou. O que é artrogripose? Essa é uma condição congênita rara, caracterizada por contraturas articulares presentes ao nascimento. O quadro resulta na limitação do movimento das articulações. O diagnóstico é clínico, e o tratamento inclui manipulação das articulações, colocação de gesso, órteses, e, em casos extremos, cirurgia. Essa é uma condição bastante incomum; a prevalência varia nos diferentes estudos, de cerca de 1 a cada 3 mil a 1 a cada 12 mil nascidos vivos.",
"title": "Sem mexer as mãos, mãe cuida de filho autista usando a boca: \"Meu corpo tem limites, o amor não\""
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