Mãe documenta batalha para tirar telas durante refeições do filho: “Assustador”
Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv…
May 8, 2026
As telas até pareciam uma solução simples, ainda mais para alguém que não conta com nenhuma rede de apoio. Era o caso de Flávia Dornelas, uma influenciadora de Minas Gerais, que mora no Recife (PE). Longe da família, ela ficava sozinha, na maior parte do tempo, com o filho, Bernardo, hoje com 2 anos e 9 meses. Quando o pequeno começou a apresentar seletividade alimentar, com 1 ano, ela ouviu conselhos de familiares, durante as férias, e resolveu apelar para o tablet. O que Flávia não imaginava era que aquilo que parecia ser sua salvação causaria um problema ainda maior – e mais complexo de resolver. Mãe relata sufoco para tirar o hábito Reprodução/Instagram “No início parecia maravilhoso. Eu ligava um vídeo, ele abria a boca e comia tudo com facilidade”, conta, em entrevista a CRESCER. Na época, ela acreditava que o uso era controlado. O menino só assistia durante almoço e jantar e tinha uma rotina cheia de estímulos fora das telas, com natação, academia para bebês e passeios frequentes. Mas, aos poucos, os sinais começaram a mudar. Flávia percebeu que o filho já não tinha paciência para assistir aos mesmos vídeos e queria trocar constantemente de conteúdo. Depois, veio um sinal assustador: Bernardo simplesmente se recusava a comer sem tela. “Quando ele começou a não abrir a boca de jeito nenhum sem o tablet, eu entendi que aquilo não era normal”, diz a mãe. O alerta definitivo veio após um comentário de uma amiga próxima, que presenciou a cena durante uma refeição. “Ela falou: ‘Tira isso dele’. Aquilo ficou na minha cabeça”, afirma. No dia seguinte, Flávia decidiu interromper completamente o uso das telas. Ela viralizou nas redes sociais ao compartilhar o árduo processo de retirar os dispositivos eletrônicos de Bernardo. A influenciadora começou a registrar discretamente as reações do filho, inicialmente sem intenção de publicar. Ela conta que tinha vergonha de admitir que a família dependia das telas para fazê-lo comer. O primeiro dia, para ela, foi o mais difícil. “Foi assustador. Eu não imaginava que estava naquele ponto”, confesssa. Segundo ela, Bernardo passou a pedir vídeos o tempo inteiro, inclusive no café da manhã, algo que antes nem fazia parte da rotina. Para a mãe, a situação piorou depois que a família precisou se mudar de Paulínia (SP) para Recife (PE). Como precisava organizar a casa praticamente sozinha, Flávia acabou recorrendo ainda mais às telas para conseguir dar conta da rotina. Para conseguir quebrar a associação entre comida e vídeos, a família fez um “detox” radical: mais de um mês sem qualquer acesso às telas. Flávia conta que desligou televisões da tomada e evitava até mexer no celular perto do filho. “Se eu pegasse o celular, ele queria ver também”, relata. Os três primeiros dias foram especialmente intensos, mas depois as reações começaram a diminuir. Segundo ela, Bernardo levou cerca de 15 dias para parar de pedir vídeos durante as refeições. Mesmo assim, qualquer reintrodução fazia o comportamento voltar. “Minha sogra colocou um desenho para ele assistir um pouco e, no jantar, ele já voltou a pedir”, diz ela. Hoje, o uso é esporádico e controlado. Ao compartilhar a experiência, Flávia diz que não quer culpabilizar famílias, especialmente mães sem rede de apoio. Ela relata que o processo só foi possível porque contou com o apoio do marido, que assumia parte da rotina quando chegava do trabalho. “É muito difícil”, confessa. “Não é só cuidar do filho. Tem casa, almoço, jantar, roupa, tudo acontecendo ao mesmo tempo”, acrescenta. A influenciadora também afirma que entende perfeitamente por que tantas famílias acabam recorrendo às telas. “A tela facilita muito. Esse é justamente o perigo”, diz ela. Ainda assim, Flávia deixa um alerta para quem ainda não introduziu esse hábito: “Meu maior arrependimento foi ter dado tela ao meu filho; é difícil reverter depois. Recomendo fortemente que pais evitem oferecer telas, pois é muito mais fácil lidar com a ausência do que tentar tirar depois. Se já começaram, tenham coragem de retirar, pois o impacto negativo só fica claro nesse momento — e é assustador”. Assista ao vídeo abaixo (se não conseguir visualizar, clique aqui): Initial plugin text
Discussion in the ATmosphere