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  "textContent": "\nA criança que tosse toda noite. O nariz que nunca desentope de vez. Os espirros logo cedo, todo dia ao acordar. Muitas famílias tratam esses sintomas como gripe atrás de gripe e não param para pensar que a causa pode estar bem perto, numa mancha escura no teto do banheiro ou numa parede úmida do quarto. Pneumologista pediátrica explica os riscos reais da umidade no outono e se o mofo em casa faz mal ou não para as crianças Magnific Bronquiolite levou bebê de Maíra Cardi ao hospital. Você sabe mesmo como se pega essa doença? Com a chegada do outono, as janelas ficam fechadas, o ar para de circular e a umidade aumenta dentro de casa. Esse é o cenário ideal para o mofo crescer e para a saúde respiratória das crianças piorar, muitas vezes de forma silenciosa e gradual. Em conversa com Talia Andrea Soria Muñoz, pneumologista pediátrica do Hospital Vila Nova Star, da Rede D'Or, procuramos entender os riscos reais e o que os pais podem fazer para proteger a família. Mofo é perigoso, sim! Quando o assunto é outono e saúde, a maioria dos pais pensa no frio lá fora. Mas Talia explica que o problema principal está nos ambientes fechados. \"Não é só o frio lá fora que prejudica. Na verdade, o que mais pesa é o ar dentro de casa, escola, creche. Quando as temperaturas caem, a gente fecha janelas e portas para não entrar frio. O ar para de circular, a umidade aumenta e aí juntam poeira, ácaros, pelos de animal e principalmente fungos. Esse ar parado e úmido é um prato cheio para vírus respiratórios circularem entre as pessoas\", explica ela. Aquelas manchas escuras ou esverdeadas na parede são colônias de fungos que liberam no ar partículas microscópicas chamadas esporos. Quando respiramos esses esporos, eles irritam as vias aéreas e podem desencadear alergias e infecções, especialmente em crianças. \"No dia a dia, o mofo pode provocar coriza que não passa, tosse seca principalmente à noite, chiado no peito, olhos vermelhos ou coçando, e crises de espirros, especialmente ao acordar. Em crianças que já têm asma ou rinite, o mofo pode desencadear crises mesmo sem nenhum vírus envolvido\", alerta a médica. E ela faz um alerta importante: \"O mais traiçoeiro é que muita família convive com o mofo sem perceber a relação com os sintomas, porque a piora acontece de forma gradual. A criança vai ficando sempre gripada, dormindo mal, tossindo à noite, e a causa pode estar numa mancha de umidade na parede do quarto ou no teto do banheiro.\" Adolescente fechado no quarto: quando o isolamento deixa de ser normal e vira sinal de alerta? Quem sofre com a umidade Crianças pequenas são as mais vulneráveis, porque ainda estão desenvolvendo o sistema imunológico e têm vias aéreas mais estreitas. Idosos e quem já convive com asma ou rinite também entram no grupo de risco. Para saber se os sintomas têm relação com o ambiente, Talia dá uma dica prática e valiosa: \"Se a criança melhora quando passa uns dias fora de casa, na casa de parentes ou numa viagem, e piora quando volta, isso é uma pista enorme. Se os sintomas são mais intensos em determinado cômodo, ou piores à noite e ao acordar, também vale investigar o ambiente.\" Ela sugere ainda anotar num papel os horários e os lugares onde os sintomas aparecem. \"Esse diário ajuda muito o médico a entender a causa.\" Onde o mofo se esconde Alguns cômodos merecem atenção redobrada. O banheiro é o primeiro da lista. \"O banheiro é o campeão absoluto. A água quente do banho junto com pouca ventilação cria o ambiente perfeito para o mofo crescer. O teto do banheiro é um dos lugares que mais acumula aquele mofo invisível, que ainda está microscópico, mas já está liberando esporos no ar\", explica a médica. O quarto das crianças também merece cuidado. \"É o local onde elas passam mais horas, especialmente dormindo. Colchão, travesseiro e roupa de cama acumulam umidade da respiração e do suor durante a noite. Cortinas grossas que nunca são lavadas, brinquedos de pelúcia em excesso e tapetes também são reservatórios.\" A área de serviço entra na lista quando há roupa secando dentro de casa. \"Roupa molhada libera muita umidade no ar, e essa umidade vai para os outros cômodos.\" A cozinha também, por causa do vapor do fogão e da pia. A regra geral de Talia é simples: \"Onde tem umidade e pouca ventilação, tem risco”. Vai para a Copa? Brasil lança campanha de vacinação contra o sarampo para torcedores; veja quem deve se vacinar Como ventilar a casa sem deixar entrar o frio A dúvida clássica dos pais no outono é como renovar o ar sem expor as crianças ao frio. A médica explica que o segredo está no horário. \"A melhor estratégia é aproveitar as horas mais quentes do dia, geralmente entre dez da manhã e três da tarde, para abrir as janelas por pelo menos quinze a vinte minutos. Abrir janelas de lados opostos da casa cria uma circulação de ar muito mais eficiente do que abrir só uma. Evite ventilar de madrugada e de manhã bem cedo, quando o ar está mais frio e úmido.\" Nos dias com muita poeira, poluição ou vento forte, o melhor é manter as janelas fechadas e usar um purificador de ar dentro de casa. Ar-condicionado, purificador e umidificador: o que ajuda e o que atrapalha Sobre os equipamentos que as famílias mais usam, a médica é direta. O ar-condicionado pode ser aliado ou vilão dependendo da manutenção. \"Um aparelho limpo, com filtros trocados e higienizados pelo menos a cada três meses, ajuda a filtrar o ar e reduz alérgenos. Um aparelho sujo dispersa exatamente o que queremos evitar: fungos, bactérias e poeira.\" O purificador com filtro HEPA é o mais recomendado. \"Os modelos com filtro HEPA fazem diferença real na qualidade do ar do quarto e têm evidência científica para redução de sintomas\", diz Talia. O umidificador pede cuidado. \"Na maior parte do Brasil, o problema no outono não é o ar seco demais, e, sim, o ar úmido demais. Umidade acima de 60% favorece ácaros e fungos. O umidificador só deve ser usado se a umidade relativa do ar estiver abaixo de 40%.\" E, se for usar, o aparelho precisa ser limpo diariamente, porque água parada dentro dele também vira criadouro de fungos e bactérias. 3 dicas práticas para a saúde das crianças no outono A médica resume o que os pais podem fazer agora para proteger a saúde respiratória da família: Mantenha a vacinação em dia: Os vírus da gripe e o vírus sincicial respiratório circulam bastante no outono e inverno. A vacina é a proteção mais eficiente e segura que existe. Ventile a casa todos os dias, mesmo no frio: Abrir as janelas por vinte minutos nas horas mais quentes do dia renova o ar, reduz a umidade acumulada e diminui a concentração de vírus e alérgenos dentro de casa. Deixe o banheiro bem ventilado após o banho, de preferência com a porta aberta e o exaustor ligado. Verifique paredes e tetos em busca de manchas de mofo, trate com produtos adequados e, principalmente, resolva a causa, que pode ser infiltração ou falta de ventilação. Cuide da roupa de cama com frequência: Troque lençóis e fronhas toda semana. Lave os travesseiros pelo menos uma vez por mês. Exponha colchão e edredom ao sol sempre que possível. Se os sintomas se repetem com frequência, não melhoram com as medidas habituais, vêm acompanhados de febre ou dificuldade para respirar, é hora de consultar um especialista. O mesmo vale quando a criança melhora fora de casa e piora ao voltar. \"Não espere a situação piorar muito. Problemas respiratórios tratados cedo têm resolução muito melhor. E tratar o ambiente sem tratar a criança, ou o contrário, raramente funciona. Os dois precisam ser cuidados juntos\", conclui Talia.",
  "title": "Mofo em casa faz mal para crianças? Pneumologista explica os riscos e como se proteger"
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