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O autismo não fica na infância: o desafio de crescer em um mundo que ainda não se adapta

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… April 29, 2026
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Abril é o mês da conscientização do autismo. Quando o tema ganha mais visibilidade, o diagnóstico precoce entra em pauta e as intervenções na infância são amplamente discutidas. Mas, enquanto avançamos nesse caminho, uma realidade importante ainda fica à margem: crianças autistas crescem. Para Mayra Gaiato, a sociedade precisa fazer uma profunda conscientização sobre o envelhecer das crianças autistas Freepik Elas chegam à adolescência, à vida adulta e, com isso, surgem novos desafios que exigem mais do que informação: exigem preparo, escuta e estrutura. Ao longo da minha prática, tenho observado uma lacuna que preocupa: o que cresce com essas crianças? Na maioria das vezes, não cresce a rede de apoio. Não cresce a adaptação das escolas. Não cresce o acesso a serviços que acompanhem as novas demandas. E, junto com isso, algo também se perde: o colo, o olhar mais compreensivo que existia na infância. Na adolescência, espera-se mais independência, mas nem sempre há suporte para isso. As relações também mudam. A amizade, que passa a ocupar um lugar central nessa fase, nem sempre acontece de forma espontânea para o adolescente autista, o que pode intensificar o sentimento de isolamento. O que cresce, muitas vezes, é a exigência. A adolescência, por si só, já é uma fase intensa. O corpo muda, as relações se transformam, a busca por pertencimento aumenta. No autismo, esse processo pode ser ainda mais desafiador, principalmente em um ambiente que ainda não está preparado para acolher essas diferenças. O resultado aparece no dia a dia: as demandas aumentam, mas o suporte não acompanha. E, muitas vezes, esses adolescentes passam a ser vistos como “problema”, quando, na verdade, estão apenas tentando se adaptar a um mundo que não foi pensado para eles. As dores que nem sempre aparecem A adolescência no autismo traz desafios específicos e muitos deles ainda são pouco falados. Um dos principais é a redução do suporte. Enquanto a infância costuma contar com mais intervenções e acompanhamento, a adolescência muitas vezes entra em um “vazio”. Justamente quando surgem questões mais complexas, como autonomia, relações sociais, sexualidade, identidade e preparação para a vida adulta. A pressão social também aumenta. A necessidade de pertencimento é natural nessa fase, mas, para o adolescente autista, a dificuldade em interpretar sinais sociais pode levar ao isolamento, à ansiedade e ao bullying. A escola, que deveria ser um espaço de acolhimento, nem sempre consegue oferecer esse suporte. Além disso, o corpo muda, mas o comportamento nem sempre acompanha as expectativas sociais. Isso pode gerar julgamentos, rótulos e ainda mais exclusão. Há também os desafios acadêmicos. Com o avanço das séries, cresce a exigência por organização, autonomia e abstração. Sem adaptações adequadas, muitos adolescentes enfrentam dificuldades que impactam não só o aprendizado, mas também a autoestima. Conscientizar é olhar para todas as fases Falar sobre autismo não pode se limitar à infância. Conscientizar é entender que o autismo acompanha a pessoa ao longo de toda a vida e que cada fase traz necessidades diferentes. A adolescência, em especial, ainda é pouco contemplada em políticas públicas, formação profissional e estratégias de cuidado. Por isso, é urgente ampliar esse olhar. Isso passa por escolas mais preparadas, profissionais capacitados, acesso a suporte emocional e, principalmente, por uma sociedade que compreenda que inclusão não é adaptação do indivíduo. É responsabilidade coletiva. Crescer precisa ser possível para todos Se as crianças crescem, é fundamental que tudo ao redor cresça junto. Políticas públicas, escolas, serviços de saúde, mercado de trabalho e a própria sociedade precisam acompanhar esse desenvolvimento. Porque, quando isso não acontece, o que vemos não é falta de capacidade. É falta de suporte. O autismo não termina na infância. E o cuidado também não pode terminar. Ampliar esse debate é garantir que adolescentes e adultos no espectro tenham não apenas diagnóstico e intervenção — mas também pertencimento, dignidade e oportunidades reais ao longo da vida.

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