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  "textContent": "\nEu recebo muitas mensagens de mães perguntando como ensinar educação financeira para os filhos. Querem saber por onde começar, que atividades fazer, como introduzir o tema, como explicar dinheiro de forma correta. Para refletir: \"Na sua infância, dinheiro era um assunto natural na família?\" Quando essa pergunta vem de uma mãe solo, quase sempre vem acompanhada de outra coisa, mesmo que não seja dita com todas as letras: uma sensação de que não está fazendo o suficiente. E é justamente aí que o meu olhar muda. Clariana Barcelos reflete sobre educação financeira e mães solo Freepik Porque, antes de pensar em qualquer estratégia, eu penso na vida real dessa mulher. Em quem sustenta a casa, organiza a rotina, resolve o que aparece, antecipa o que ainda nem aconteceu. Em quem, na prática, já está tomando decisões financeiras o tempo inteiro. E é impossível não dizer o óbvio, que quase ninguém diz para ela: essa criança já está aprendendo! Não porque alguém sentou para ensinar, mas porque a vida cotidiana, com todas as suas decisões, escolhas e renúncias, está acontecendo na frente dela. Crianças não aprendem sobre dinheiro apenas quando o assunto é nomeado. Elas aprendem observando. E quando a mãe é quem dá conta de tudo, o aprendizado não é teórico. Ele é vivido. A criança vê que o dinheiro tem destino, percebe que existem escolhas e que nem tudo acontece na hora que se quer. Ela também acompanha decisões sendo tomadas, prioridades sendo organizadas, caminhos sendo ajustados. E é justamente a visão, a percepção e o acompanhamento da rotina que formam o repertório. E, posso dizer com convicção, que formam muito mais do que qualquer atividade pedagógica planejada. Ao mesmo tempo, existe um equívoco silencioso que recai sobre essas mães: a ideia de que, além de tudo o que já fazem, ainda precisam estruturar uma “educação financeira formal” para os filhos. Como se faltasse algo. Como se o aprendizado não estivesse acontecendo. Mas está. Talvez o que falte não seja mais esforço individual. Talvez o que falte seja reconhecer uma lacuna na educação de nossas crianças. Educar para a vida precisa ser um pacto coletivo. Porque nenhuma mãe deveria precisar dar conta de tudo sozinha, nem no cuidado, nem na educação, nem na construção dessa relação com o dinheiro. Educar financeiramente uma criança não é responsabilidade isolada de quem está dentro de casa. É também responsabilidade das escolas, das políticas públicas, das empresas, da forma como a sociedade organiza o trabalho, o consumo e o tempo. Quando a gente coloca tudo nas costas dessa mãe, a gente invisibiliza o que já está sendo feito e, ao mesmo tempo, reforça um estereótipo que não se sustenta: o da mãe que “tem que” dar conta de tudo! Neste Dia das Mães, vale ampliar a conversa. Em vez de perguntar o que ainda falta ensinar, cada mãe pode reconhecer o que já está sendo aprendido por sua criança. E, mais do que isso: nós, como sociedade, precisamos questionar por que ainda se espera que tantas mulheres façam sozinhas o trabalho que deveria ser compartilhado. A educação financeira acontece, sim, dentro de casa. Mas ela não deveria (e nem poderia!) depender apenas de quem nunca pode parar. Clariana Barcelos - Coluna Educação Financeira Arquivo pessoal",
  "title": "Quem ensina sobre dinheiro quando a mãe precisa dar conta de tudo?"
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