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Como ensinar liberdade e autonomia aos filhos sem abrir mão dos limites?

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… April 25, 2026
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Abril sempre me provoca. Talvez seja a Páscoa, esse convite à reflexão que a data traz. Mas, este ano, uma palavra ficou ecoando na minha cabeça: liberdade. A Páscoa cristã celebra o renascimento. A judaica, a libertação do Egito. Duas histórias diferentes, com um fio em comum: essa travessia humana em direção à liberdade. E aí me peguei pensando: o que é ser livre, de verdade? E mais: será que estamos ensinando nossos filhos a serem livres ou apenas obedientes? Pescaram essa, né? Coluna de abril propõe refletir sobre como a autonomia infantil começa nas pequenas escolhas do dia a dia Freepik Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Liberdade não é fazer o que quer. Liberdade é conseguir escolher – essa diferença é tudo. Ninguém nasce sabendo ser livre emocionalmente, ou com pensamento crítico formado, ou fazendo boas escolhas. Tudo isso se aprende e, principalmente, se observa no dia a dia. Sabe aquela famosa frase, “o exemplo arrasta”? Vem comigo, emuma pergunta meio desconfortável: como anda a nossa própria liberdade, turma? Vivemos no piloto automático, reagindo aos trancos, ou paramos, respiramos e escolhemos conscientemente, mesmo quando a vida anda meio difícil? Porque nossos filhos não escutam tanto nossas palavras. Eles bebem do que vivemos. Outro dia aconteceu uma coisa que me acordou para isso. A Chiara combinou um programa direto com a minha mãe. Na hora, confesso, me incomodou. Não era exatamente o que eu tinha na cabeça. Não estava sob meu controle. Anny Meisler: "Maquiagem não é o problema. O problema é quando ela deixa de ser escolha e vira obrigação" Bateu aquele impulso básico: ajustar, interferir, reorganizar a situação. Mas aí parei, respirei fundo e pensei: “Poxa, Anny, ela está escolhendo. Está se relacionando com a avó, criando vínculos, exercitando a própria autonomia”. E eu ali, prestes a cortar isso – não por necessidade real, mas pelo meu próprio desconforto de não ter tudo planejadinho. Sim, a minha coluna de abril é para você pensar nessa tal liberdade também – a sua e a das crianças. Quantas vezes a gente faz isso sem perceber? Damos espaço real para eles escolherem ou só aplaudimos quando a escolha casa com a nossa? A diferença entre formar crianças livres e crianças apenas bem-comportadas é gigante. A liberdade de pensamento começa cedo, quando deixamos eles discordarem da gente em casa, quando perguntamos “o que você acha?” antes de entregar a resposta pronta, quando eles podem escolher a roupa “feia” no sábado. São exercícios pequenos de autonomia que, somados, formam adultos que pensam por si. A liberdade emocional é outra história linda. É quando eles aprendem a lidar com frustrações sem desabar, quando não precisam do nosso aval o tempo todo para se sentirem bem. 'Nossos filhos não precisam escolher entre o mundo digital e o real. Eles precisam aprender a navegar nos dois', diz Anny Meisler Isso se constrói nos “nãos” que sustentamos com carinho – sem culpa ou negociação infinita. Se constrói quando deixamos eles sentirem o desconforto e atravessarem – porque quem não suporta frustração nenhuma não é livre, é escravo dos próprios impulsos. Vamos ensinar cedo para nossa galerinha. A liberdade financeira também começa na infância, quando a criança entende que escolher A significa não ter B, e que desejo não é ordem. A mesada pequena, que acaba no primeiro dia, ensina mais sobre escolhas e consequências do que qualquer conversa sobre dinheiro. Tem uma frase linda do Pessach (Páscoa judaica): “Os hebreus comeram pão sem fermento porque a liberdade não espera tudo estar pronto”. Às vezes, você precisa sair antes de ter o plano perfeito. Com os filhos é assim também. Não entregamos liberdade empacotada, mas sim acompanhamos a travessia deles. E a travessia, às vezes, é uma birra monumental na padaria, um “eu faço sozinha” demorado, uma mesada torrada em bobagem... Anny Meisler: "A maternidade é, sim, uma escola de liderança" No fim das contas, a pergunta que fica é: que liberdade estamos plantando em casa? A de fazer tudo o que querem ou a de saber escolher com consciência? Porque liberdade de verdade não é sobre o mundo lá fora. É sobre o que a gente constrói aqui dentro, todos os dias, no miúdo da vida. E essa construção mais bonita começa sempre conosco. Para refletir e colocar em prática. Vamos falar? Anny Meisler é mãe de três: Nick, Tom e Chiara, e fundadora da LZ Studio, LZ Mini e LZ Corporativo, todas empresas do segmento de mobiliário e decoração Arquivo pessoal

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