Grávida do terceiro filho, Isa Scherer fala sobre maternidade dupla, parceria com Rodrigo Calazans e o que não abre mão para não se perder em meio a tantos papéis
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April 23, 2026
Quem acompanha Isa Scherer nas redes sociais já sabe que ela não é do tipo que faz as coisas pela metade. Chef de cozinha, influenciadora com milhões de seguidores e cofundadora da Scherbi’s, mãe dos gêmeos Mel e Bento, de 3 anos, e agora grávida novamente do empresário Rodrigo Calazans, Isa acumula papéis com uma naturalidade que parece desafiar as leis do tempo. Mas por trás dessa rotina intensa, existe um conjunto de escolhas muito conscientes sobre como dividir o dia, onde colocar energia e, principalmente, o que não negociar consigo mesma. Isa Scherer comenta como lida com a carreira e com a maternidade, sem se esquecer de si mesma Divulgação/Schutz Em entrevista à CRESCER, ela, estrela a campanha de Dia das Mães da Schutz, abre o jogo sobre essa nova gravidez, sobre como a maternidade mudou sua relação com o trabalho e com ela mesma, e sobre a parceria real — não só no discurso — que construiu com o marido na criação dos filhos. Ary Mirelle revela como conheceu João Gomes e o detalhe que a conquistou Da primeira para a segunda gestação: paz no corpo, mais cuidado no prato Quem passou pela primeira gravidez sabe que a segunda tende a ser diferente, seja no corpo, na cabeça ou nos hábitos. No caso de Isa, a mudança mais concreta foi na alimentação. "Na primeira eu era mais desencanada de me alimentar fora de casa. Dessa vez, estou bem mais regradinha", conta ela, que, como chef, tem uma relação de proximidade particular com a cozinha e com o que coloca no prato. Mas, além dessa diferença prática, há uma constante que ela carrega das duas gestações: uma espécie de paz consigo mesma que a gravidez parece acionar. "A gravidez sempre me trouxe um lugar muito de paz e de estar muito bem resolvida comigo mesma", diz. Gestando um terceiro filho enquanto cuida de dois de três anos e toca dois negócios, esse senso de equilíbrio interno não é detalhe, é estrutura. Empreendedora e mãe: o truque que ela foi aprendendo ao longo dos anos Isa não chegou ao empreendedorismo com a maternidade já instalada. Ela empreendeu antes, ainda jovem, com a marca de moda Serê, e foi nessa experiência que aprendeu algo fundamental: ela não consegue fazer tudo sozinha, e reconhecer isso foi decisivo. "Fazia tudo: criativo, financeiro, os desenhos, as peças piloto. Então, eu já sabia, antes de começar a Scherbi’s, que precisaria de uma sócia", conta. Encontrou na Eduarda essa parceira, alguém que fica no operacional do dia a dia, enquanto Isa se concentra no que faz de melhor: a cozinha e o criativo da marca. "Aí sim eu consigo dar conta", resume. Mas, a engrenagem que ela considera seu maior aprendizado de maternidade é mais simples do que parece: dividir o dia por blocos. "Até levar as crianças na escola, eu sou só mãe. Aí eu deixo eles, começo minha rotina como chef e empreendedora, faço meu exercício físico, e, quando busco na escola, volto a ser mãe e só mãe", explica. Essa divisão, segundo ela, foi o que permitiu estar 100% presente em cada papel — sem a culpa constante de estar sempre em dois lugares ao mesmo tempo. Nos dias em que a gravidez de Tom pesa e o cansaço fala mais alto, a solução é ainda mais direta: ela conversa com o Rodrigo, ele segura as pontas, e ela vai descansar. Ou, então, a família inteira assiste Toy Story junto no sofá. "E, assim, eu consigo dar uma descansada", diz, sem drama. Isa com os filhos Mel e Bento e à espera de Tom Divulgação/Schutz Artista de SP impressiona ao transformar desenhos das crianças em obras de arte cheias de significado A parceria com Rodrigo: coparentalidade que funciona porque é real, não porque foi combinada Muito se fala em "parceria" e "divisão igualitária" na criação dos filhos, mas, na prática, essa conversa frequentemente para no discurso. No caso de Isa e Rodrigo, o que chama atenção é exatamente o contrário: a divisão funciona justamente porque não foi engessada em combinados formais. "É muito natural essa divisão para a gente. Ele não se vê como um ajudante. Ele é pai, igual a mãe. A gente tem as mesmas responsabilidades", afirma ela. Na fase mais intensa da vida com os gêmeos recém-nascidos, quando os dois acordavam às cinco da manhã, eles criaram revezamentos conforme a necessidade ia surgindo. "Teve uma época que ele cobria as madrugadas e eu as manhãs. Depois, quando não precisava mais acordar de madrugada, cada dia, um acordava mais cedo e o outro conseguia descansar um pouquinho mais tarde", conta. Com o tempo, e com as crianças crescendo, esses acordos foram se tornando desnecessários, não porque o problema desapareceu, mas porque a lógica de "somos os dois responsáveis" se tornou tão incorporada que opera quase automaticamente. O que fica de ensinamento aqui não é uma fórmula, mas uma mentalidade: coparentalidade não é dividir tarefas em uma planilha. É construir, ao longo do tempo, uma cultura doméstica em que nenhum dos dois espera o outro pedir para agir. Initial plugin text 4 Marias: Letícia Almeida revela por que deu o mesmo nome para todas as filhas Entre mãe, chef e empresária, existe a Isa que precisa respirar Talvez o aspecto menos óbvio da rotina de Isa — e o mais revelador — seja o que ela protege com mais cuidado: as segundas-feiras. Um dia que ela reservou, quase que como política pessoal, para o autocuidado. "Segunda-feira é um dia mais para mim. Faço fisioterapia, faço terapia com minha psicóloga. É um dia mais de autocuidado e me ajuda demais", conta. Quando é necessário encaixar alguma call de trabalho, ela encaixa, mas sem abrir mão da estrutura do dia. "Às vezes, eu tenho que fazer reunião enquanto estou fazendo fisioterapia, mas, mesmo assim, me ajuda muito." O outro pilar de autocuidado que ela não negocia, grávida ou não, é o treino. "O principal que eu não abro mão é tentar treinar todos os dias, nem que seja por meia hora ou uma hora. Muda meu físico, mas, principalmente, o meu mental. Fico muito mais relaxada e muito mais disposta para o meu dia", diz. Essa disciplina, que para muita gente pode parecer luxo num dia já tão cheio, é, na lógica de Isa, exatamente o que viabiliza todo o resto. É o combustível, não o bônus. O que ela aprendeu, na prática, sobre limites é que eles não se constroem em momentos de crise. Eles se formam na rotina, antes que a crise chegue. A segunda-feira blindada, o horário sem celular com os filhos, o exercício que acontece mesmo nos dias pesados: são pequenas apostas cotidianas na ideia de que para dar conta de tudo, é preciso primeiro dar conta de si mesma. E, com um terceiro filho a caminho, essa lição parece mais necessária do que nunca.
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