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Luisa Mell conta o que mudou em casa depois de ver crueldade contra animais virar ‘conteúdo’: “Meu filho não tem celular”

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… April 16, 2026
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Conforme os filhos crescem, as preocupações não diminuem, elas só mudam de endereço. E para muitos pais, o maior desafio hoje tem nome: internet. Saber o que os filhos assistem, com quem conversam e o que consideram normal se tornou uma tarefa cada vez mais difícil e mais urgente. Luisa Mell explica como cuida da questão de celular e uso de redes do filho Enzo, de 11 anos Arquivo Pessoal O caso do cachorro Orelha e o que ele revela sobre a educação dos meninos Para Luisa Mell, ativista com trajetória marcada pela luta pela causa animal e mãe de Enzo, de 11 anos, essa preocupação ganhou um contorno específico: o aumento de vídeos violentos e com agressões aos animais, que circulam em grupos e redes, muitas vezes protagonizados por adolescentes e assistidos por eles. "Como mãe, tenho feito muitas coisas para que o Enzo crie consciência sobre esses casos. Falei muito sobre o Caso Orelha com ele, falei sobre as maldades que fazem com meninas, independentemente da idade dele. Tenho abordado esses assuntos frequentemente em casave isso abre diálogo", conta Luisa. Luisa faz questão de acompanhar o filho em tudo e abrir diálogo sobre todos os assuntos Arquivo Pessoal “Caso Orelha” na China: crianças matam cachorro com explosivo e resposta dos pais choca web Pré-adolescência sem celular Cerca de 81% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos relataram ter celular próprio, segundo pesquisa da Cetic.br. No entanto, Luisa vai na contramão desse dado e sem arrependimento. Enzo não tem celular. E, quando tiver, as regras já estão definidas: "Mesmo quando chegar a hora, não vai ficar à noite com o aparelho, o celular vai dormir comigo. Acho muito importante saber o que o filho está fazendo. Ele sempre está comigo na sala quando está assistindo algo, nunca trancado no quarto." Ela também tirou o canal que Enzo tinha no YouTube. A decisão veio depois de observar o efeito que a busca por visualizações causava no filho. "A ansiedade de visualizações vira uma espécie de aprovação. Isso, se mexe com a nossa psique, imagina com a de uma criança que não tem valores completamente formados." Para quem achar excessivo, Luisa tem uma analogia direta: "Você deixaria seu filho sozinho na Praça da Sé, à noite? Porque é exatamente isso que fazemos quando deixamos eles expostos com acesso a tudo e tudo com acesso a eles." A plateia que alimenta a violência Uma das dinâmicas que mais preocupa Luisa é o papel que a audiência online tem na escalada de comportamentos violentos. Em grupos de aplicativos menos monitorados por adultos, vídeos violentos são compartilhados, lives acontecem e desafios circulam, muitas vezes sem que os pais saibam que aquilo existe. "Um adolescente que agride um animal e filma não está só sendo cruel, ele está se apresentando para alguém. Está dizendo 'olha o que eu sou capaz'. Isso muda completamente como a gente precisa pensar a prevenção", afirma Luisa. Na visão dela, as plataformas não podem mais se esquivar da responsabilidade. "As plataformas precisam de moderação eficaz, de canal de denúncia acessível e de responsabilidade real. Não adianta ter política de uso se o conteúdo fica no ar, viraliza e ainda ganha atenção." Teoria do Elo praticada pela ativista Luisa Mell é vegana há mais de dez anos e não come carne há mais de vinte, inclusive durante a gravidez de Enzo. Para ela, o veganismo carrega consigo um exercício constante de empatia que vai além dos animais e se estende a outros aspectos da vida. É um caminho que ela conecta à chamada Teoria do Elo. O conceito, usado por pesquisadores e profissionais de proteção, explica que a crueldade contra animais pode surgir junto de outras formas de violência, especialmente em contextos de abuso e violência doméstica. Isso não significa que quem machuca um animal vai, obrigatoriamente, machucar pessoas. Mas, esse comportamento pode funcionar como sinal de alerta: tanto de um ambiente familiar violento quanto de risco de escalada de agressividade e dessensibilização ao sofrimento. A partir disso, o caso do cão Orelha — que ganhou repercussão mundial e teve Luisa na linha de frente cobrando respostas dos órgãos públicos — reforçou para ela a importância de agir antes que os casos aconteçam e possam se desdobrar em outros comportamentos. "A gente acredita muito no trabalho com escolas, porque é onde o adolescente passa a maior parte do tempo e onde os grupos se formam. Adolescente que cuida de um animal, que aprende a se responsabilizar por outro ser vivo, dificilmente vai achar engraçado ver esse ser vivo sofrer", defende Luisa. Se dependesse dela, três medidas seriam implementadas de imediato — para escolas e famílias: Para as escolas: incluir a proteção animal no currículo, não como matéria extra, mas como parte da formação ética dos alunos. Para as famílias: supervisão digital sem abrir mão do diálogo. Saber o que o filho assiste, com quem conversa online, o que considera engraçado. Para os dois: tolerância zero com crueldade. "Quando um adulto ri de uma piada sobre animal sofrendo, ele está dizendo para a criança que aquilo é aceitável. Mas não é", conclui Luisa Mell.

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