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  "textContent": "\nSustentabilidade se aprende na infância – e os livros são uma das formas mais potentes de começar essa conversa. Histórias bem contadas transformam temas complexos, como crise climática, preservação ambiental e cuidado com o planeta, em reflexões acessíveis e sensíveis para crianças de diferentes idades. Nos últimos anos, o mercado editorial infantil tem ampliado esse repertório com obras criativas, diversas e cada vez mais conectadas aos desafios do nosso tempo. São títulos que ajudam a formar leitores conscientes de que somos, de fato, um só planeta. Reunimos 10 destaques disponíveis nas livrarias brasileiras que podem provocar bons debates. Entre eles, uma figura conhecida e que há muito tempo tem na arte a sua maneira de lutar: o músico Gilberto Gil. No livro Refloresta, a abertura é da jornalista e ativista Eliane Brum, que elabora o que une as intenções concretas e poéticas do ato de reflorestar. “Para parar de matar é preciso antes saber viver. A Floresta não é nem árvore nem bicho nem fungo, a Floresta é relação”, escreve no prefácio. A seguir, conheça esse e outros títulos que convidam crianças – e adultos – a escutar e responder aos chamados da natureza. Ilustração de Refloresta Divulgação 1. Tem festa na floresta O livro começa com a frase do título: “Tem festa na floresta. Quem vai?”. A cada página, um novo animal aparece – a tartaruga, o beija-flor, a onça-pintada. Com o felino, surge outra camada da narrativa: “Jaguaretê vai correndo mais rápido do que todos”. Em seguida, o sapo: “Kururu vai pulando em todas as poças d’água”. É assim que Paula Taitelbaum, no texto, e Xadalu Tupã Jekupé, nas imagens, constroem um jogo delicado entre português e guarani. As línguas não se correspondem de forma literal, mas dialogam na narrativa visual e ampliam o sentido da história. Ao final, o texto aparece integralmente em guarani, com colaboração da tradutora Ara Poty (Maria Ortega). Livros com animais costumam encantar os pequenos e, aqui, esse encanto vem acompanhado de algo maior: o contato com outras formas de nomear o mundo e de se relacionar com a natureza. Tem festa na floresta Divulgação DE XADALU TUPÃ JEKUPÉ E PAULA TAITELBAUM, PIU, R$ 44,90 A PARTIR DE 0 ANO editorapiu.com.br 2. Uma lagarta muito comilona Publicado originalmente em 1969, o clássico de Eric Carle (1929/2021) transforma o ciclo da lagarta em uma história irresistível para os pequenos. Em vez de explicar didaticamente as fases de ovo, larva, pupa e borboleta, o autor cria uma narrativa simples e bem -humorada sobre uma lagarta que acorda com muita fome – e passa a devorar o que encontra pelo caminho. Enquanto acompanha a comilança, a criança aprende, quase sem perceber, os dias da semana e os números. Dos livros infantis com mais versões pelo mundo, em 2025, a Companhia das Letrinhas produziu uma edição cartonada e com os furinhos em que cabem os dedinhos dos bebês. Uma lagarta muito comilona Divulgação DE ERIC CARLE, TRADUÇÃO DE RENATO MORICONI, COMPANHIA DAS LETRINHAS , R$ 69,90 A PARTIR DE 0 ANO companhiadasletras.com.br 3. Livro tem língua? A vida urbana em excesso, ocidentalizada e eurocêntrica nos afastou como sociedade das belezas dos povos originários e da cultura afro, que faz parte de nosso país após a vinda forçada de pessoas de diversos povos africanos para o sistema de escravização. Estas três autoras se juntaram para acolher as infâncias de hoje e, quem sabe, nos melhorar um pouco no futuro. No livro, vemos o encontro de duas meninas e diferentes maneiras de nomear a natureza, as existências, as identidades. Voltado aos bem pequenos, traz expressões, nomes de animais e objetos em frases contextualizadas a partir desse encontro e das culturas indígena, africana e brasileira. Uma lagarta muito comilona Divulgação DE ALIÃ WAMITI GUAJAJARA, HELOISA PIRES LIMA E FERNANDA RODRIGUES, PASSARINHO, R$ 85 A PARTIR DE 2 ANOS editorapassarinho.com.br 4. Lá Esta aventura proposta pela artista paulistana Fernanda Ozilak vem dentro de uma caixinha. Ao abri-la, descobrimos que não há uma única história: são três histórias, três “pôsteres” e três convites a três aventuras pelo nosso planeta. Cada livro-pôster está dobrado e traz, de um lado, a pintura; do outro, a mesma imagem apenas nos contornos. No texto, informações e curiosidades aparecem em três perspectivas. Em uma delas, entramos pela Floresta Amazônica, com suas araras vermelhas, a sucuri, as curvas dos rios, a onça-pintada à espreita. Em outra, estamos na praia e exploramos o oceano, mergulhando com a baleia jubarte e acompanhando um submarino até a “noite” do fundo do mar. Por fim, a viagem é ao espaço, em um foguete que carrega a história da humanidade, permite ver a Lua de perto e sonhar em ir além da Via Láctea. Não é um livro sanfonado, mas uma estrutura de dobras iguais, recortadas de modo diferente. Para além da brincadeira com o objeto, o texto sugere que lemos não apenas informações científicas, mas também as perguntas poéticas de uma criança. Lá Divulgação DE FERNANDA OZILAK, CAIXOTE, R$ 86 A PARTIR DE 3 ANOS editoracaixote.com.br 5. Abissais A poesia contribui para pensarmos sobre quem habita o nosso planeta? Sim! O mercado editorial mostra isso há anos, mas poucos autores colocam meio ambiente e vida silvestre em pauta com tanta constância quanto a dupla Lalau e Laurabeatriz. Há mais de 30 anos criando livros para crianças, eles mantêm bichos, biomas e belezas naturais no radar. Nesta obra, mergulham nos oceanos e iluminam, na escuridão das grandes profundezas, uma parte ainda pouco conhecida do mundo abissal do nosso planeta. Abissais Divulgação DE LALAU E LAURABEATRIZ, PEIRÓPOLIS, R$ 72 A PARTIR DE 4 ANOS editorapeiropolis.com.br 6. Flor de mureru Márcia Kambeba e Cris Eich têm assinado várias parcerias – e esta, especialmente dedicada às crianças pequenas, embora possa soar como um poema-oração para leitores mais velhos e adultos. Na narrativa visual, percebemos que o foco está na flor de tons rosados, a mureru, que brota nas cheias dos rios amazônicos. A menina está no rio perto dela, enquanto os pássaros sobrevoam a cena, atraídos pelo perfume. A poesia construída em texto e imagem, no entanto, não deixa de reafirmar um compromisso ancestral das divindades indígenas: enfrentar a maldade do opressor e sua ganância vendo luz onde for possível. Flor de mureru Divulgação DE MÁRCIA WAYNA KAMBEBA E CRIS EICH CIRANDA NA ESCOLA R$ 39,90 A PARTIR DE 4 ANOS cirandacultural.com.br 7. Tatá Neste livro sanfonado, de um lado, o leitor conhece uma porção de adoráveis famílias que vivem na floresta. A família Jacaré chegou há pouco tempo; anta e sua filha preparam a maloca, entre almoços, jantares, caminhadas e descansos. “Até que...”, escreve a artista Fran Matsumoto, “Lá bem alto na floresta, seu Harpia e família acordaram assustados” e começaram a gritar “Tatá, Tatááá!”. Ao puxar a folha-sanfonada para o outro lado, vemos o movimento desesperado dos animais diante das chamas: tatá significa “fogo” em “nheengatu (língua geral amazônica). Fran, que, além de artista é bióloga de formação, oferece um sopro de esperança ao final, mas não deixa de marcar o alerta para um dos maiores perigos que ameaçam a floresta. Tatá Divulgação DE FRAN MATSUMOTO, EDIÇÕES BARBATANA, R$ 40 A PARTIR DE 5 ANOS edicoesbarbatana.com.br 8. Estações A obra, vencedora do Prêmio Jabuti 2025 na categoria melhor livro infantil, reúne uma parceria poética entre dois grandes nomes da arte para as infâncias. De um lado, Daniel Munduruku traz a perspectiva indígena de olhar para as estações do ano como o tempo de uma vida humana – ou como poderia ser: “A natureza não planeja, não se estressa/Nem corre atrás do tempo porque ela mesma é o seu tempo”. Do outro, Marilda Castanha constrói metáforas visuais que mostram as “gentes” de nossa Terra, entrelaçando vidas diversas – pessoas, peixes, rios, árvores, pássaros – e sugerindo a natureza como expressão da circularidade da existência. Estações Divulgação DE DANIEL MUNDURUKU E MARILDA CASTANHA, MODERNA, R$ 81 A PARTIR DE 5 ANOS moderna.com.br 9. Refloresta Na capa, os guarás – aves que pintam de vermelho a paisagem de vários estados brasileiros. Na guarda (que une a capa ao miolo), um tamanduá ocupa a cena. À medida que viramos as páginas, outros desenhos do premiado autor gaúcho Daniel Kondo nos encaram. Entre imagens de cores intensas e traços marcantes, lemos a letra da canção Refloresta, composta pelo músico Gilberto Gil a pedido do fotógrafo Sebastião Salgado, criador de um projeto de reflorestamento nas terras de sua família, em Minas Gerais. “Manter em pé o que resta não basta”, diz Gil – e sempre haverá quem queira derrubar, como Kondo representa no fogo e na motosserra. O caminho, então, é replantar, “agora é hora de ser refloresta”. Dedicado aos povos originários, a obra traz indígenas em movimento, entrelaçados à vida de diversos animais, reforçando a ideia de que cuidar da floresta é um gesto coletivo. Refloresta Divulgação DE GILBERTO GIL E DANIEL KONDO, ELO EDITORA R$ 84 A PARTIR DE 6 ANOS eloeditora.com.br 10. Menino onça, Onça menino Narrada por um trio de artistas de Recife, a história tem um quê de mágico e reúne biodiversidade, Brasil e questões existenciais ligadas às fases de crescimento das crianças. Nela, um menino chega ao lugar imaginário Mungará e o explora sem medo, tentanto compreender o que vê – e, ao mesmo tempo, conhecer um pouco mais de si. Neste território, vive uma onça para quem tudo é familiar. Quando os dois se encontram, há primeiro um susto, depois, uma identificação mútua. Enquanto acompanhamos essa amizade improvável, os os biomas brasileiros – Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Amazônia, Pampas e Pantanal – aparecem combinados em detalhes e grandiosidade. Menino onça, Onça menino Divulgação DE NARA ARAGÃO, RENATA ROBERTA E GUILHERME LIRA, R$ 75 A PARTIR DE 7 ANOS boitempoeditorial.com.br",
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