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Monica Pessanha: "Faz bem para o desenvolvimento de uma criança ser criada com estereótipos?"

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… April 14, 2026
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Imagine se hoje a gente tivesse um único tamanho de roupa e todo mundo tivesse que entrar nele, mesmo sendo gordo ou magro, gostando ou não do estilo da roupa. Quando usamos o conceito "menina veste rosa" e "menino veste azul", estamos fazendo exatamente com que a criança caiba em único tamanho de roupa, metaforicamente falando. Mônica Pessanha: "O poder da resiliência começa nas pequenas quedas" Agora, eu quero fazer uma pergunta: faz bem para o desenvolvimento de uma criança ser criada com estereótipos? Faz bem ela ser levada a gostar apenas de uma cor e não de outra? A questão da cor pode até parecer uma grande besteira, mas é preciso lembrar que aquilo que começa com uma mera questão de cor é levado para outros campos da vida social. "Faz bem para o desenvolvimento de uma criança ser criada com estereótipos?" Freepik Vamos falar do profissional como exemplo. Muitos dos brinquedos voltados para a construção de blocos lógicos, de casas e carros são destinados aos meninos. Às meninas, cabem o conjunto de panelinhas, de ferro de passar, bonecas e, no máximo, um quadro negro para brincar de ser professora. Quando entramos numa classe de engenharia, notamos que a maioria dos estudantes é constituída de rapazes. As moças são exceção. O mesmo se dá nos cursos de formação de professores, mais especificamente, de pedagogia. Os estudantes são, em sua maioria, mulheres; os rapazes são exceção. É interessante notar que isso se dá de forma tão naturalizada que não nos passa pela cabeça questioná-la. Esquecemos da lição do sociólogo francês Pierre Bourdieu, que nos ensinou que o mundo social é uma construção e que, portanto, aquilo que é socialmente construído pode ser desfeito. Enfim, estamos falando de papéis sociais que tanto meninos quanto meninas podem exercer, através daquilo que aprendem a ser. É bom lembrar que, hoje, a família trabalha em equipe. Não existe mais um papel tão definido e separado para o que a mãe e o que o pai fazem. Existe um trabalho em equipe, onde todos lavam a louça, arrumam a casa, trocam uma lâmpada e o chuveiro. Certamente, quando definimos categorias do que pode ou não ser feito por meninos e meninas, não adianta reclamar com seu filho quando ele não ajuda a lavar a louça. Nem com o marido, quando a mulher se sentir sobrecarregada. Isso é discutir questões de gênero. Sem isso, mulheres continuarão apanhando de maridos e se calando (nosso país ocupa o 5º lugar em feminicídio). Meninas continuarão sem poder frequentar a escola, como acontece em alguns países africanos, porque esse é um direito apenas concedido aos meninos. Cerca de 3 milhões de meninas continuarão a ser mutiladas em países da África e do Oriente Médio, onde, em certas culturas, cortam-lhes o clitóris porque só é permitido ao homem sentir prazer. Como se vê, a discussão das cores é apenas a ponta de um iceberg. No filme, o tubarão quer ser como um golfinho. Mas a família julga isso ruim porque os golfinhos são fofos, dóceis e gentis — como se isso fosse sinônimo apenas de "feminino". Mas não existe golfinho macho? Mônica Pessanha é psicanalista de crianças, adolescentes e mães. É co-autora do livro 'Criando filhos para a vida'. É mãe de mãe de dois, um que virou “estrelinha” e da Melissa, 13 anos (Foto: Arquivo Pessoal) Crescer

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