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  "textContent": "\nA morte de um menino autista de 13 anos, encontrado no Centro de Tratamento de Esgoto Barbosa, em Marília (SP), no interior de São Paulo, com indícios de afogamento, reacendeu um alerta: por que crianças no espectro autista estão mais vulneráveis a esse tipo de acidente? Por que crianças no espectro têm risco até 160 vezes maior? Especialistas explicam motivos e dão orientações Freepik “Eu só falo português e meu filho, inglês”, revela pai de menino autista; veja vídeo Mãe descobre autismo após diagnóstico dos filhos e burnout: \"Pude me conhecer pela primeira vez\" O caso, que ganhou repercussão nacional após o desaparecimento do garoto, escancara uma estatística alarmante apontada por pesquisas internacionais, como o estudo da Columbia University’s Mailman School of Public Health, que diz que crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ter até 160 vezes mais chances de morrer afogadas do que crianças neurotípicas. O levantamento, publicado no American Journal of Public Health, analisou causas de mortalidade em pessoas autistas e identificou o afogamento como uma das principais causas externas de morte, especialmente na infância. Mas o que explica esse risco tão elevado? A interação de crianças autistas com o ambiente merece atenção Segundo especialistas ouvidas pela CRESCER, a resposta passa por um conjunto de fatores, que envolvem percepção de risco, comportamento e até a forma como essas crianças interagem com o ambiente. “A gente sabe que crianças com autismo podem apresentar maior risco de afogamento principalmente por características comportamentais e sensoriais. Muitas vezes, elas não têm noção do perigo e não compreendem os limites do ambiente”, explica Amanda Godoy, profissional de educação física especialista em psicomotricidade. Ela destaca que, além da dificuldade em perceber situações de risco, muitas apresentam comportamento de exploração e fuga. “Elas podem sair rapidamente de um ambiente sem supervisão e ir em direção a locais que chamam atenção, como piscinas, rios ou qualquer espaço com água”, afirma. E há um detalhe importante: a água, para muitas dessas crianças, não representa ameaça, mas sim atração. “A água oferece uma experiência sensorial muito rica. O brilho, o movimento, o som e a sensação corporal funcionam como estímulos organizadores. Para muitas crianças autistas, esse ambiente é extremamente agradável”, diz Amanda. Esse aspecto também é reforçado pela psicóloga clínica e orientadora parental Débora Faraco. “Não é falta de cuidado dos pais. É uma forma distinta de a criança perceber o mundo”, afirma. Segundo ela, o cérebro da criança autista pode priorizar a experiência sensorial em vez da segurança. “A água pode ser altamente atrativa e, nesse momento, o risco não é avaliado da mesma forma”, explica. Mães de autistas e saúde mental: como depressão, ansiedade e exaustão afetam o dia a dia Conheça mães que só descobriram o autismo após o diagnóstico dos filhos Dificuldade de comunicação e não generalizações Na fatalidade que aconteceu no interior paulista, o menino era não verbal. Por isso, outro fator que agrava a situação, especialmente em graus mais severos, é a dificuldade de comunicação. “Quando falamos de uma criança não verbal, o risco aumenta ainda mais, porque ela não consegue pedir ajuda ou responder quando chamada”, acrescenta Débora. Apesar disso, é importante evitar generalizações. A professora de Libras, Daniela Borba, que também é autista e especialista em inclusão, ressalta que nem todas as pessoas no espectro têm atração pela água. “Isso varia de indivíduo para indivíduo. O que pode acontecer é que algumas não tenham discernimento sobre o que é perigoso, e, se houver interesse pelo estímulo, podem se colocar em risco”, explica. A psicóloga Márcia Julianelli reforça que o comportamento também não é uniforme. “Existem crianças mais impulsivas e outras mais cautelosas. Por isso, o acompanhamento e a orientação precisam ser individualizados”, afirma. Supervisão em nível coletivo Diante desse cenário, especialistas são unânimes em um ponto: a prevenção precisa ser constante e coletiva. “Supervisão é essencial, principalmente perto da água. Mas, não podemos colocar toda a responsabilidade nas famílias. A sociedade precisa estar preparada para garantir segurança e inclusão de verdade”, defende Débora. Amanda vai na mesma linha e destaca a importância de estratégias práticas. “Barreiras físicas, sinalização adequada e ambientes seguros fazem diferença. Se [do acidente em Marília] o local fosse cercado, por exemplo, talvez essa tragédia pudesse ter sido evitada”, afirma, ao comentar o caso recente. Além disso, intervenções terapêuticas podem ajudar a reduzir riscos. A psicomotricidade aquática, por exemplo, trabalha autonomia, consciência corporal e segurança no meio líquido. “Não é só sobre nadar. É sobre ensinar limites, percepção de perigo e estratégias de sobrevivência”, explica Amanda. No fim, a discussão vai muito além de um único caso. Ela aponta para uma necessidade urgente de ampliar o olhar sobre o autismo, não apenas no campo do desenvolvimento, mas também da segurança. Quando o assunto é infância e água, o perigo pode ser silencioso. E, no caso de crianças autistas, ele exige atenção redobrada, informação e, sobretudo, uma rede de cuidado que vá muito além das bordas da piscina.",
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