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"textContent": "\n\"More\" (mais em inglês) foi a primeira palavra que Arthur disse aos 3 anos. Para Alex Lugon, ver o filho falando foi muito emocionante. \"Sinceramente, naquele momento não importava se era inglês ou português. O que importava era ouvir a voz dele\", disse o pai, de 44 anos, à CRESCER. Alex com o filho Arquivo Pessoal O pequeno Arthur recebeu o diagnóstico de autismo ainda quando era bebê. Fazia cerca de um ano que sua família tinha se mudado de Duque de Caxias (RJ) para os Estados Unidos. Antes de embarcar nessa jornada, Alex viveu momentos bem difíceis. \"Quando eu tinha cerca de 10 anos, minha mãe desapareceu e nunca mais tivemos notícias. Isso me marcou profundamente e acabou moldando muito da forma como vejo a vida e a família\", ele destacou. Aos 28 anos, o paisagista se casou e teve dois filhos: Arthur, hoje com 8 anos, e Yasmin, de 14. Preocupado com o futuro da família, Alex decidiu deixar o Brasil para construir uma vida mais estável. Em 2018, com um bebê de seis meses no colo, ele desembarcou em Boston, Massachusetts. \"A decisão de sair do Brasil foi pensando em dar mais oportunidades para nossos filhos\", ele explicou. Arthur com a família Arquivo Pessoal O susto do diagnóstico A suspeita de autismo surgiu quando Arthur estava com 1 ano e 6 meses. Enquanto estava na casa da babá, uma profissional sugeriu que a família fizesse uma avaliação. Logo depois, veio a confirmação do diagnóstico. \"Foi um momento muito difícil, daqueles que mexem com tudo dentro da gente. Ao mesmo tempo, foi o começo de um novo caminho, de entender melhor nosso filho e buscar ajuda\", o pai lembrou. Com o diagnóstico em mãos, Alex foi percebendo que os sinais já estavam lá. Arthur tinha o hábito de alinhar os brinquedos, gostava muito de repetir os movimentos, andava na ponta dos pés, não olhava nos olhos e tinha pouca interação social. \"Eram comportamentos que, na época, a gente não entendia completamente, mas que depois fizeram todo sentido com o diagnóstico\". A fala em crianças com TEA: os problemas de comunicação e linguagem que elas podem ter Por que criança nasce com autismo? Autismo: \"Corrigir e reprimir ‘sintomas’ só causam estresse e tensão\" O atraso da fala Até os 3 anos, o pequeno ainda não conseguia falar, o que deixou a família muito preocupada. \"Foi uma fase difícil porque a comunicação é algo essencial no desenvolvimento da criança. Mas, ao mesmo tempo, seguimos confiando no processo e nas terapias\". Desde o diagnóstico, Arthur fazia as terapias em inglês. Por isso, sempre teve um pouco mais de facilidade com a língua inglesa. A entrada na escola, com 3 anos, acelerou seu desenvolvimento. \"Após conviver com outras crianças e profissionais, ele começou a desenvolver a fala. Como todo o ambiente era inglês, esse acabou sendo o idioma que ele absorveu primeiro\". Na época, os terapeutas incentivavam a comunicação. Por exemplo, quando ele queria brincar mais, eles faziam o sinal de mais com a mão e falavam a palavra. Arthur foi se acostumando com os sons e, logo, falou pela primeira vez: \"more\" (mais em inglês). Linguagem própria Surgiu, então, uma outra questão. Arthur passou a só falar inglês, enquanto o pai só falava português. Hoje, o pequeno já consegue entender o português melhor. \"Mas falar ainda é mais difícil para ele. Na maior parte do tempo, ele se comunica em inglês, mesmo entendendo o que dizemos\", o pai explicou. No dia a dia, pai e filho precisaram criar uma linguagem própria. \"Eu falo em português, ele responde em inglês, e quando algo não fica claro, ele tenta explicar de outro jeito, usa gestos, repete, mistura palavras. No fim, sempre damos um jeito de nos entender. Existe muita conexão aqui, mais do que só a língua\", Alex contou. O paisagista se lembra de passar por uma situação curiosa com o filho ao vir para o Brasil para visitar a família em Piabetá (RJ). Enquanto estava na praça de alimentação, Arthur pediu um hambúrguer em inglês. \"A atendente ficou sem entender e perguntou de quem ele era filho. Quando eu disse que era meu, todo mundo começou a rir e ficou admirado com a situação. Foi engraçado e, ao mesmo tempo, muito especial\", disse o pai orgulhoso. Ao longo de todos esses anos, Alex confessa também que não foi fácil ser um pai atípico. Desde o diagnóstico, ele já estava com medo da incerteza do futuro do filho. \"Também tivemos fases complicadas, como quando ele era pequeno: ao se frustrar por não conseguir falar e se expressar, ele prendia a respiração até desmaiar\". Apesar dos desafios, o paisagista destaca que é muito emocionante ver a evolução de Arthur. Hoje, o pequeno já fala, se expressa e interage. \"Às vezes, até fala sem parar. E cada palavra carrega um significado enorme pra mim. E a prova de que todo esforço, toda dedicação e todo amor fizeram a diferença\", pontuou. Veja o vídeo de Alex conversando com o filho \"Eu só falo português e meu filho inglês\", revela pai de menino autista; veja vídeo",
"title": "“Eu só falo português e meu filho, inglês”, revela pai de menino autista; veja vídeo"
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