Aos 16 anos, jovem autista emociona ao ser orador da turma , em SC
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April 2, 2026
Rafael, de 16 anos, emocionou sua família ao revelar que seria o orador de sua turma na formatura do ensino fundamental do colégio onde estuda, em Florianópolis (SC). Segundo sua mãe, Heloisa Silvério Ferreira, de 50 anos, foi o próprio o adolescente avisou aos pais que havia sido selecionado para esse momento importante da cerimônia – algo que trouxe orgulho, surpresa e preocupação no início. A família, contudo, conversou com ele, apoiou e se preparou para ajudá-lo da melhor forma possível. Rafael, de 16 anos, foi escolhido para ser orador da turma na formatura do ensino fundamental Arquivo pessoal Os primeiros sinais e o diagnóstico tardio Em entrevista à CRESCER, Heloisa conta que percebeu cedo que o desenvolvimento de Rafael era diferente dos dois filhos mais velhos, Matheus e Lucas, com 24 e 19 anos atualmente. “Desde pequeno, o Rafa teve dificuldade motora, principalmente a motricidade fina”, afirma. Dos 5 aos 11 anos, ele fez sessões de psicomotricidade e, nesse período, recebeu diagnósticos de TDAH e Distúrbio do Processamento Auditivo Central. Ainda assim, a mãe acreditava que havia algo mais. “Sempre questionei os neurologistas, porque, pra mim, o Rafa tinha mais coisas do que simplesmente TDAH ou distúrbio no processamento.” Colega não solta mão de amigo autista durante apresentação escolar e emociona a web Mesmo relatando comportamentos, manias e dificuldades escolares, Heloisa ouvia que tudo se encaixava no que seria esperado para a idade. “As médicas diziam que não davam diagnóstico de TEA porque ele se comunicava e se socializava.” A inquietação persistiu por anos, até que encontraram em Blumenau um neurologista que avaliou Rafael e foi direto: ele era autista. Desde então, o adolescente segue acompanhado por uma equipe de profissionais – psicopedagoga, fonoaudióloga e, mais recentemente, uma psicóloga especializada em adolescentes com TEA. “Ela entrou para ajudá-lo a entender este turbilhão que é a adolescência”, explica a mãe. O laudo trouxe mudanças importantes na rotina escolar, permitindo adaptações nas provas e melhor compreensão das necessidades dele. Mas o caminho nunca foi simples. “Sempre tive dificuldade e muita reunião no colégio para fazer entender que ele precisava ser atendido de maneira certa”, diz Heloisa. Menino autista viraliza ao se comparar com uma edição limitada de Lego: “Fui construído de um jeito diferente” Rafael também enfrentou momentos difíceis com colegas. “Ele sofreu com bullying. Crianças são ‘serzinhos’ cruéis quando querem”, desabafa Heloisa, ressaltando que as agressões verbais e atitudes maldosas tinham reflexo imediato em casa. “Minha casa era o inferno de gritaria e choro dele.” Apesar das tentativas de diálogo com os pais das outras crianças, a situação nunca desapareceu por completo. Orador da turma e novos desafios Rafael e seus pais na formatura em que foi orador da turma Arquivo pessoal De acordo com Heloisa, foi Rafael mesmo que avisou a família que havia sido escolhido para ser orador de sua turma na formatura. “Confesso que fiquei bem ressabiada, achando que queriam colocar ele numa situação de desconforto. Conversei muito bem com ele e disse que se ele quisesse mesmo, eu ajudaria”, relembra Heloisa. Diante da confirmação de que ele gostaria de ocupar esse lugar, sua família se mobilizou para ajudá-lo a se preparar para o grande momento. O discurso foi escrito, enviado ao colégio para ajuste e ensaiado em casa, em um processo que envolveu dedicação de Rafael e seus parentes. Menina prepara apresentação no Power Point para explicar que é autista e emociona amigos e professores Apesar da insegurança inicial da mãe, ela conta que o resultado trouxe uma grande recompensa. “Ficamos apreensivos, mas, depois, muito orgulhosos”, disse Heloisa sobre ver o filho, que foi fortemente aplaudido pelos colegas e convidados da cerimônia, após finalizar seu discurso. Agora, no ensino médio, a adaptação também tem sido desafiadora. “Ele tem medo. Foi na primeira semana e não queria ir mais. Ele está estressado.” Diante da mudança, a família, junto da escola e da psicóloga, tem caminhado devagar para que Rafael se sinta mais seguro nessa nova etapa. Para Heloisa, acompanhar o desenvolvimento do filho é um exercício diário de paciência, entendimento e amor. Ela faz questão de reconhecer o esforço do próprio Rafael. “Sempre digo que o mérito maior é dele. A evolução que ele teve e tem parte dele. Nem tudo são flores, mas respiramos, entendemos, corrigimos, educamos e amamos.”
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