Cirurgia íntima após laceração no parto: quando a correção deixa de ser estética e passa a ser saúde
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March 26, 2026
A conversa sobre estética vaginal está mudando, e, no consultório, o que aparece com cada vez mais frequência não é vaidade, mas dor. Mulheres que passaram por lacerações no parto, especialmente quando há cicatrização inadequada, têm buscado avaliação médica para tratar desconfortos que atravessam o dia a dia: desde o uso de roupas até a vida sexual. Cirurgia íntima após laceração no parto: quando a correção deixa de ser estética e passa a ser saúde Freepik Segundo o cirurgião plástico Pedro Westphalen, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o tema precisa sair do campo do tabu e ser entendido como uma questão de saúde. “A vulva não tem um padrão ideal. Existe uma ampla variação anatômica considerada normal. A indicação cirúrgica só acontece quando há queixa consistente de desconforto físico, irritação recorrente, dor durante atividade física ou sofrimento emocional relevante”, explica. Absorvente pós-parto: para que serve e como escolher Quando a laceração no parto vira um problema persistente Durante o parto vaginal, é comum que ocorra algum grau de laceração perineal. Na maioria dos casos, a cicatrização evolui bem. Mas, quando isso não acontece, podem surgir consequências como: dor durante a relação sexual sensação de repuxamento ou desconforto constante assimetrias ou alterações visíveis na região íntima impacto na autoestima e na qualidade de vida Nesses cenários, a cirurgia íntima deixa de ser estética e passa a ter indicação funcional. Perineoplastia: a cirurgia mais indicada nesses casos Entre os procedimentos, a perineoplastia é a principal indicada para mulheres que tiveram laceração no parto. A técnica corrige cicatrizes mal formadas e reconstrói a região do períneo, buscando restaurar a anatomia e a funcionalidade local. Estudos científicos apontam melhora significativa no conforto, na função sexual e na qualidade de vida quando a indicação é bem feita. Além das lacerações, o pós-parto também pode trazer outras mudanças que levam mulheres ao consultório, como: hipertrofia dos pequenos lábios (tratada com labioplastia) flacidez ou perda de volume dos grandes lábios assimetrias que causam incômodo físico “Muitas pacientes chegam após a maternidade, com grandes oscilações de peso ou já na menopausa. O ponto central não é estética, mas desconforto”, afirma o especialista. 49% das mulheres brasileiras pretendem deixar seus empregos em até dois anos, aponta pesquisa Nem toda insatisfação é cirúrgica Um dos principais alertas dos especialistas é que nem toda queixa precisa — ou deve — ser resolvida com cirurgia. “A vulva apresenta grande diversidade anatômica considerada normal. Muitas pacientes se surpreendem ao entender isso. Nosso papel é orientar com base científica”, diz o médico. Antes de qualquer decisão, é essencial: avaliação clínica detalhada alinhamento de expectativas investigação de possíveis causas não cirúrgicas Em alguns casos, o encaminhamento pode ser para ginecologistas, endocrinologistas ou uroginecologistas, especialmente quando há questões hormonais, dor de outra origem ou incontinência urinária. Obsessão com peso afeta saúde mental de jovens, conclui pesquisa Segurança e informação são fundamentais Por se tratar de uma região delicada, altamente vascularizada e com muitas terminações nervosas, a escolha do profissional e da técnica é decisiva. “Estamos falando de uma anatomia complexa. Técnica e experiência são determinantes para segurança e preservação funcional”, reforça Pedro. Hoje, quando bem indicados, os procedimentos íntimos apresentam altos índices de satisfação, superiores a 90% em estudos internacionais. O maior avanço, segundo o especialista, não está apenas nas técnicas, mas na mudança de narrativa. Cuidar da região íntima, especialmente após uma experiência como o parto, não é sobre atender a padrões estéticos. É sobre recuperar conforto, função e bem-estar. “Quando há desconforto real, tratar deixa de ser vaidade e passa a ser cuidado”, conclui Westphalen.
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