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"publishedAt": "2026-03-20T11:25:28.000Z",
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"textContent": "\nNo último fim de semana, entrei no meu quarto e encontrei um grupo de meninas de 8 anos em volta da minha penteadeira. Batom aberto, base fora do lugar, rímel na mão de quem mal sabe segurar um lápis — e aquela felicidade. Sabe, aquela? De quem acabou de descobrir um tesouro? Como o contato precoce com padrões de beleza tem influenciado as meninas gpointstudio/Freepik Fiquei parada na porta, sorri e, em algum lugar lá dentro, uma voz perguntou baixinho: “O que exatamente eu estou ensinando aqui?”. Eu sempre bati no peito dizendo: “exemplo arrasta”. Acredito nisso com tudo que tenho. Sou empresária, mãe de três, falo sobre liderança feminina em palcos e repito isso como mantra. Mas, naquela tarde, olhando para a Kiki (Chiara) e as amigas dela se transformando diante do espelho, me peguei numa contradição incômoda porque, o que elas estavam copiando não era só a maquiagem, era o ritual, a necessidade, a ideia – absorvida sem uma única palavra – de que existe uma versão de você que precisa ser melhorada antes de aparecer. Meninas sentem-se pressionadas a cuidar da aparência desde os 3 anos, sugere estudo Tem um livro que me voltou à cabeça naquele momento: “O Mito da Beleza”, de Naomi Wolf, escrito nos anos 90, mas assustadoramente atual. A tese dela é simples e brutal: conforme as mulheres foram conquistando espaço no mercado de trabalho, na política, na vida pública, a pressão estética foi aumentando na mesma proporção. Não foi coincidência. Foi resposta. Um sistema que lucra com a nossa insegurança não quer mulheres confortáveis no próprio corpo. E o que me parte o coração é que esse sistema não precisa mais de propaganda de revista — ele mora no nosso celular, tem filtro, luz, ângulo. Ele tem 8 anos. É isso, talvez até menos. Não estou dizendo que maquiagem é o problema. Eu uso maquiagem. Adoro, me faz bem. O problema é quando ela deixa de ser escolha e vira obrigação. Quando a menina aprende, antes de aprender a ler, que o rosto dela sem alguma coisa não é suficiente. Percepção de imagem corporal começa aos 7 anos, revela estudo Vemos isso em atrizes, cantoras, mulheres que chegaram ao topo com competência e talento, mas mesmo assim são destruídas publicamente por uma foto sem filtro, por um quilo a mais, por envelhecer. Mulheres extraordinárias emocionalmente e fisicamente, torturadas por existir. E a gente fica indignada, compartilha o post, diz que é absurdo, mas vai lá retocar o batom antes de sair. Quem nunca? Eu também. Então, o que fazemos? Não acho que a resposta é esconder a penteadeira, nem fingir que pressão estética não existe. Ela existe, e nossas filhas, nossas meninas, vão encontrá-la com ou sem nossa permissão. Pais temem que influenciadores gerados por IA promovam padrões de beleza fora da realidade Acho que a resposta é nomear, falar com elas sobre o sistema. Dizer: “existe uma indústria enorme que ganha dinheiro te fazendo sentir que não é suficiente. E você precisa saber disso antes de acreditar nela”. Mostrar que me arrumo porque gosto, não porque tenho medo de como vou ser julgada. E ser honesta quando a linha entre as duas coisas fica tênue, porque fica. E talvez o maior presente que eu possa dar para a Kiki não seja uma penteadeira cheia de produtos, mas sim ela me ver olhar pro espelho e não fazer cara feia. Você também, tá? Vem comigo. Exemplo arrasta - inclusive esse. Anny Meisler é mãe de três: Nick, Tom e Chiara, e fundadora da LZ Studio, LZ Mini e LZ Corporativo, todas empresas do segmento de mobiliário e decoração Arquivo pessoal",
"title": "Anny Meisler: \"Maquiagem não é o problema. O problema é quando ela deixa de ser escolha e vira obrigação\""
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