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  "textContent": "\nNo puerpério, as mulheres vivenciam fortes alterações físicas e emocionais, lidando com a exaustão, as variações hormonais e a reorganização da rotina em torno do bebê. Para a numeróloga e palestrante Paula Abrantes, de 41 anos, que vive em São Paulo, esse período foi ainda mais desafiador. Menino de 7 anos atravessa o país para transplante: \"O fígado do meu filho era parecido com o de um idoso\" Isso porque, em janeiro de 2021, apenas 15 dias após o parto, ela recebeu um diagnóstico difícil — o de câncer de colo do útero, ao mesmo tempo em que a filha prematura lutava pela vida na UTI neonatal. “Naquele momento senti como se o chão tivesse desaparecido. Entrei em desespero. Era para ser uma fase de alegria absoluta com a chegada da minha filha, mas, de repente, tudo se transformou em um período de profunda incerteza. Viver a maternidade já muda tudo, assim como receber um diagnóstico de câncer. Agora imagina viver os dois ao mesmo tempo? Minha vida virou do avesso”, relembra. Mãe descobriu câncer no puerpério Arquivo pessoal A notícia que mudou tudo O diagnóstico veio de forma inesperada e em um contexto já delicado. Durante a gestação, a numeróloga apresentou um pólipo no colo do útero que cresceu ao longo dos meses. No dia do parto, a médica realizou uma biópsia durante a cesárea. Dias depois, ao retornar ao consultório acreditando que seria apenas uma consulta de rotina, recebeu a notícia que mudaria tudo. “Saí diretamente da obstetra para o consultório do oncologista. De repente, minha vida passou a ser tomada por termos médicos, exames e decisões que eu nunca imaginei precisar enfrentar”, conta. Menino de 14 anos fica paralisado após cair em trampolim: “Sou cuidadora em tempo integral”, desabafa mãe A filha, Laura, estava internada na UTI neonatal. Mesmo diante do medo do desconhecido, a maternidade se tornou sua principal motivação para seguir em frente. “Sem dúvida, a chegada da minha filha foi a minha maior fonte de força. Eu precisava estar forte para estar ali por ela. Essa experiência, diferente do que havia idealizado, acabou ressignificando a forma como encarei o tratamento”, afirma. Diagnóstico veio quando a filha ainda estava na UTI Arquivo pessoal Tratamento e recomeços interrompidos A recomendação médica foi a retirada do útero e do colo do útero em uma cirurgia que precisava acontecer o quanto antes. Menos de um mês após o parto, Paula Abrantes voltou ao centro cirúrgico. Inicialmente, ela acreditava que o tratamento terminaria com a cirurgia. No entanto, nas semanas seguintes, veio a indicação de que ainda seria necessário enfrentar sessões de quimioterapia e radioterapia. Nesse intervalo, Paula conseguiu amamentar a filha por um breve período, mas precisou interromper definitivamente ao iniciar o tratamento oncológico. Os pais com a filha recém-nascida Arquivo pessoal “Durante toda a gravidez, criamos muitas expectativas: ter um parto tranquilo, pegar o bebê no colo logo após o nascimento, amamentar, sair do hospital e começar a nova vida em casa. No meu caso, nada disso aconteceu como imaginado. Além disso, precisei passar por vários exames e, apenas 25 dias após dar à luz, tive que retirar o útero”. Mesmo em recuperação, o objetivo era sair do hospital com a filha nos braços. Trinta e seis dias após o nascimento, esse momento finalmente chegou. O desafio de ser mãe e paciente ao mesmo tempo Conciliar o tratamento oncológico com os cuidados de um recém-nascido trouxe desafios intensos. Após a cirurgia, Paula ainda enfrentou complicações na cicatrização, o que a impediu de estar presente em momentos importantes. “Não consegui estar com minha filha no primeiro mêsversário dela. Foi muito doloroso para mim como mãe. Com o início da quimioterapia e da radioterapia, eu ficava horas longe de Laura. Doía muito sair de casa e deixar um bebê tão pequeno”, relembra. Após cirurgia, ainda foram necessárias sessões de radio e quimioterapia Arquivo pessoal Nesse período, o apoio da família foi essencial. “Meu marido foi, sem dúvida, meu principal apoio. Ele se dividia entre o hospital onde eu estava e o da nossa filha. Além disso, tive muito apoio da minha família e amigos. É importante não se sentir sozinha. Em momentos assim, a gente percebe o quanto uma rede de apoio faz diferença”. Um novo olhar sobre a vida Após o tratamento inicial, Paula voltou à rotina, mas um ano e meio depois, os exames apontaram que a doença havia se espalhado para o pulmão. Mesmo com uma metástase, seu organismo reagiu bem ao novo tratamento. A experiência trouxe reflexões profundas sobre saúde, prioridades e autocuidado. Sem sinais evidentes da doença desde 2023, Paula conta que aprendeu a viver a maternidade de forma mais consciente. “Atualmente, sei que a presença vale muito mais do que perfeição. Busco ser melhor a cada dia por mim e por ela, que foi um presente da vida. Sempre aconselho as mulheres a cuidar delas mesmas, como cuidam de todo o resto. Quando a saúde está presente, a vida pode florescer. Quando ela falta, tudo para”, finaliza. Entenda o câncer de colo do útero O câncer de colo do útero se desenvolve na região inferior do útero, conhecida como colo uterino. Na maioria dos casos, está relacionado à infecção persistente pelo HPV, vírus transmitido principalmente pelo contato sexual. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o terceiro câncer mais comum entre mulheres no Brasil, com cerca de 17 mil novos casos por ano. “O câncer de colo do útero pode evoluir de forma silenciosa. Em alguns estágios iniciais, causa sinais como corrimento vaginal ou sangramento, principalmente após a relação sexual. Por isso, é fundamental que as mulheres fiquem atentas a esses sintomas e, principalmente, realizem anualmente o exame de Papanicolau”, explica Daniela de Freitas, especialista em oncologia clínica do Hospital Sírio-Libanês (SP). Hoje, o exame também pode incluir a testagem para HPV, permitindo identificar o vírus e definir estratégias de acompanhamento. Esse cuidado ajuda a detectar o tumor em fases iniciais, quando as chances de cura são maiores. O tratamento do câncer de colo do útero varia de acordo com o estágio da doença. Quando descoberto cedo, pode ser feita apenas a retirada da parte afetada do colo uterino, sem necessidade de remover todo o útero. Em casos mais avançados, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos maiores, quimioterapia ou radioterapia para controlar a doença. “A vacina contra o HPV é a principal forma de prevenção e deve ser administrada, preferencialmente, antes do início da vida sexual, inclusive nos meninos. Isso porque eles podem ser portadores assintomáticos do vírus e transmiti-lo a outras pessoas. Por isso, a vacinação é uma medida fundamental para prevenir o câncer de colo do útero”, destaca a oncologista. Mãe e filha Arquivo pessoal",
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