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  "textContent": "\nUm levantamento nacional realizado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) revela um dado preocupante: 23% dos médicos não se sentem preparados para lidar com casos de violência contra a mulher. A pesquisa aponta que a violência aparece com frequência na prática clínica, mas ainda existem falhas na formação profissional, na estrutura de apoio e nos fluxos de encaminhamento das vítimas. Pesquisa da FEBRASGO aponta lacunas na formação e dificuldades estruturais no atendimento a vítimas de violência em consultórios e hospitais Freepik Os dados fazem parte de uma pesquisa conduzida no âmbito da campanha #EuVejoVocê, criada pela FEBRASGO para ampliar o debate sobre a violência contra a mulher em todas as fases da vida. O estudo ouviu ginecologistas e obstetras de todo o país e buscou identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos profissionais no momento de reconhecer, acolher e orientar pacientes em situação de violência. Segundo a presidente da FEBRASGO, Dra. Maria Celeste Osório Wender, o objetivo é transformar os dados em ações práticas. “Ao apresentar esses resultados, assumimos nosso papel institucional de liderar esse debate, transformar conhecimento em ação e fortalecer nossos profissionais para que sejam parte ativa no enfrentamento à violência contra a mulher”, afirma. Quase 70% das vítimas de feminicídio em 2025 eram mães, diz relatório Violência aparece com frequência nos atendimentos médicos A pesquisa mostra que os casos de violência fazem parte da rotina de muitos profissionais da área da saúde. Mais da metade dos médicos entrevistados (57,24%) afirma atender vítimas ao menos ocasionalmente, o que evidencia que a violência está presente de forma recorrente nos consultórios e serviços de saúde. Entre os tipos de violência mais identificados estão: Violência psicológica ou emocional: 82,99% Violência sexual: 50% Violência física: 34,38% Violência patrimonial: 24,65% A presença desses casos reforça o papel estratégico do ginecologista e do obstetra no cuidado com a saúde das mulheres. Muitas vezes, esses profissionais são os primeiros a perceber sinais de abuso, que podem aparecer de forma silenciosa durante consultas de rotina. Abordagem ainda depende de sinais evidentes Apesar da frequência desses casos, a pesquisa revela que a violência contra a mulher ainda nem sempre é abordada de forma sistemática nas consultas. Segundo os dados, 46,55% dos médicos dizem abordar o tema apenas quando percebem sinais evidentes de violência. Outros 26,55% conversam sobre o assunto somente quando a própria paciente relata espontaneamente. A abordagem preventiva ainda é menos comum. Apenas 14,48% afirmam perguntar rotineiramente sobre possíveis situações de violência, enquanto 12,41% dizem raramente ou nunca abordar o tema. Esse cenário mostra que muitas situações podem permanecer invisíveis no atendimento de saúde, já que nem sempre as vítimas conseguem falar espontaneamente sobre o que estão vivendo. Como educar meninos para o respeito e a responsabilidade pela cultura da violência Falta de preparo e insegurança jurídica são obstáculos Entre os médicos entrevistados, 23% relatam sentir-se pouco ou nada preparados para lidar com esses casos, o que aponta para uma lacuna importante na formação médica. Além disso, muitos profissionais mencionam dificuldades relacionadas à estrutura do sistema de atendimento. A fragilidade ou ausência da rede de apoio foi citada por 59,17% dos participantes, enquanto 44,98% mencionaram insegurança jurídica como um obstáculo para agir de forma mais ativa. Outro ponto crítico é o desconhecimento sobre os fluxos de encaminhamento das vítimas. De acordo com o levantamento, 43% dos profissionais conhecem pouco ou não conhecem os protocolos de notificação e encaminhamento, o que evidencia falhas na articulação entre os serviços de saúde e a rede de proteção. Médicos pedem protocolos claros e capacitação prática Nas respostas qualitativas da pesquisa, muitos médicos destacaram a necessidade de ferramentas mais objetivas para orientar o atendimento. Entre as principais demandas estão: fluxogramas claros de atendimento protocolos padronizados checklists operacionais orientações específicas por município ou região ferramentas estruturadas de avaliação de risco Os profissionais também apontam a necessidade de capacitação prática, com treinamentos e simulações de atendimento que ensinem como abordar o tema com sensibilidade e segurança. Outro pedido recorrente envolve orientação jurídica simplificada, com esclarecimentos sobre notificação obrigatória, limites do sigilo médico e proteção institucional para os profissionais. Psicanalista viraliza com reflexão sobre caso de Itumbiara: \"Não agiu por dor, agiu por posse\" Rede de proteção precisa ser fortalecida Além da formação médica, o estudo destaca a importância de fortalecer a rede de apoio para mulheres em situação de violência. Entre as necessidades apontadas pelos profissionais estão: ampliação das Delegacias da Mulher criação e expansão de casas-abrigo integração com assistência social, psicologia e serviços jurídicos redução da burocracia nos encaminhamentos equipes multiprofissionais estruturadas Sem essa rede, muitos médicos relatam sentir-se limitados após identificar a violência, sem saber exatamente como garantir a continuidade do cuidado e a segurança da paciente. Campanha busca ampliar conscientização Os dados fazem parte da próxima fase da campanha #EuVejoVocê, lançada pela FEBRASGO em março de 2025. A iniciativa busca ampliar o debate público sobre violência contra a mulher e fortalecer o papel dos profissionais de saúde no enfrentamento desse problema. Além da capacitação médica, a campanha também destaca a importância de educação e conscientização das próprias mulheres, para que reconheçam diferentes formas de violência, incluindo aquelas menos visíveis, como a psicológica ou patrimonial. Entre as propostas sugeridas pelos profissionais estão campanhas educativas na mídia, divulgação de canais de denúncia, como o Disque 180, e ações de educação em escolas e comunidades. Para a FEBRASGO, enfrentar a violência contra a mulher exige uma atuação que vá além do consultório. Envolve políticas públicas, educação e o fortalecimento das redes de proteção que garantem acolhimento e segurança para as vítimas.",
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