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"Ler literatura hoje é quase um ato de resistência", diz Pedro Pacífico, criador do perfil Bookster nas redes sociais

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… March 11, 2026
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Diferente do que muitos pensam, a literatura não entrou de forma imediata na vida de Pedro Pacífico, criador do perfil literário Bookster no Instagram. Hoje conhecido por recomendar livros e incentivar milhares de pessoas a ler, ele conta que o interesse pela leitura surgiu aos poucos, entre momentos de curiosidade e fases em que o hábito parecia distante. Conheça a trajetória de Pedro Pacífico, a mente por trás do perfil @bookster nas redes sociais Divulgação Durante a infância e a adolescência, os estímulos vieram principalmente do ambiente escolar e de algumas referências familiares. As avós, ávidas leitoras, foram importantes nesse processo, criando memórias afetivas ligadas aos livros. Ainda assim, ele lembra que a leitura nem sempre era apresentada como entretenimento, mas, muitas vezes, como obrigação. “A gente precisa ensinar crianças e adolescentes que leitura é, antes de tudo, entretenimento”, afirma ele, em conversa com a CRESCER. O que a leitura desenvolve nas crianças além do vocabulário? De Pedro a Bookster,: Como nasceu o perfil sobre literatura A virada na relação de Pedro com os livros aconteceu na faculdade de Direito. Foi nas redes sociais que ele descobriu uma comunidade de leitores que discutia literatura e indicava obras de autores pouco conhecidos. Curioso, começou a seguir perfis que falavam sobre livros e a experimentar novas leituras. As recomendações o levaram a conhecer histórias de diferentes culturas e realidades, algo que ampliou sua visão de mundo. “Comecei a ficar muito impactado por leituras de autores que eu nunca tinha ouvido falar e por histórias de diversas partes do mundo. Era quase que conhecer diferentes pontos de vista do meu sofá, entende?”, conta. Quarto de adolescente: ideias para decorar com personalidade Esse interesse crescente levou à criação do perfil Bookster. Inicialmente, a ideia não era se tornar um influenciador literário, mas apenas encontrar outras pessoas com quem pudesse compartilhar leituras e conversar sobre livros. “Eu criei o perfil para ter com quem compartilhar aquilo que estava me encantando”, explica. Com o tempo, porém, o espaço se transformou em uma grande comunidade de leitores que buscam sugestões e descobertas literárias. Initial plugin text Pai cria sistema de compras de horas no videogame, em SP — e ideia viraliza Literatura, diversidade e o processo de falar sobre sua sexualidade A leitura também teve um papel importante no processo de autoconhecimento de Pedro, especialmente na forma como ele passou a enxergar as diferenças e a própria sexualidade. Ele conta que cresceu em um ambiente acolhedor, com pais afetuosos, mas inserido em uma realidade social bastante homogênea. Nesse contexto, sentia que precisava se encaixar em um padrão. “Eu cresci com a sensação de que ser diferente era algo ruim e que precisava reprimir isso”, diz. Os livros ajudaram a desconstruir essa visão. Ao entrar em contato com histórias e personagens diversos, Pedro começou a perceber que a diferença podia ser uma riqueza. “A literatura me mostrou que a diversidade é algo a ser celebrado.” O processo de autoaceitação levou tempo e culminou em uma conversa marcante com os pais, quando decidiu se assumir gay aos 27 anos. Segundo ele, foi um momento de grande nervosismo, mas também de libertação. “Foi uma conversa direta, dizendo que eu era gay. É um momento muito difícil, porque é um fantasma que você carrega por anos.” O diálogo com os pais depois da autoaceitação Apesar do medo inicial, Pedro diz que a reação dos pais foi acolhedora, algo que no fundo ele já esperava. Ainda assim, enfrentar esse diálogo exigiu coragem depois de tantos anos lidando com inseguranças internas. Depois da conversa, a relação familiar ganhou uma nova dimensão. Ele explica que deixar de esconder parte de si mesmo ampliou a troca com os pais, especialmente com a mãe. “Quando você para de esconder algo, deixa de esconder várias partes da sua vida também”, afirma. Hoje, temas como relacionamentos e sentimentos fazem parte das conversas em família, fortalecendo a conexão entre eles. Initial plugin text Leitura na adolescência: desafios da era digital Para Pedro, incentivar jovens a ler se tornou um desafio ainda maior na era das telas e da hiperconexão. Segundo ele, a literatura disputa espaço com diversas formas de entretenimento digital. “Ler literatura hoje é quase um ato de resistência”, analisa. Ele acredita que o problema não está apenas nas novas gerações, mas no comportamento de todas as idades diante da tecnologia. Ao mesmo tempo, o influenciador defende que adolescentes devem ter liberdade para escolher o tipo de livro que querem ler. Na visão dele, começar com histórias leves e envolventes é fundamental para criar vínculo com a leitura. “Sou totalmente a favor de ler aquilo que desperta interesse. Conforme o leitor amadurece, ele mesmo começa a explorar novos gêneros e autores”, explica. Livros infantis: 4 lançamentos que vão encantar pequenos (e adultos) Dicas do Bookster para pais incentivarem pré-adolescentes a ler Com base na experiência com sua audiência nas redes sociais, Pedro compartilha algumas estratégias que podem ajudar famílias a aproximar crianças e pré-adolescentes da leitura: Apresentar a leitura como diversão, não como obrigação escolar. Permitir que os jovens escolham os livros, respeitando seus interesses. Evitar impor leituras consideradas “difíceis” logo no início. Criar momentos de leitura em família, que estimulem o hábito naturalmente. Conversar sobre histórias e personagens, mostrando que livros podem gerar diálogo. Segundo ele, a paixão pela literatura costuma surgir quando a leitura deixa de ser apenas uma tarefa e passa a ser uma experiência pessoal. A seguir, veja o vídeo exclusivo que Pedro gravou para a CRESCER: Initial plugin text A trajetória de Pedro mostra como a literatura pode transformar a forma como uma pessoa vê o mundo e a si mesma. O que começou como curiosidade durante a faculdade se tornou uma missão de vida: conectar leitores e mostrar que os livros podem abrir portas para novas experiências. Ao compartilhar leituras e reflexões no Bookster, ele reforça uma ideia simples, mas poderosa: ler não precisa ser uma obrigação acadêmica. Pode ser, acima de tudo, um espaço de descoberta, diálogo e liberdade.

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