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Após 2 anos de tentativas, quando finalmente engravida, mulher perde o marido: “Meu mundo caiu”

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… March 12, 2026
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“Um dia de cada vez”. Era esse o mantra que a empresária Dayane Martins, 36, de Mogi Mirim (SP), repetia para si mesma para conseguir enfrentar a realidade e reaprender a caminhar, para cuidar dos filhos e refazer sua vida, depois da perda do marido, no último dia 24 de abril. Felipe Mazzer, 37, sofreu um infarto e não conseguiu resistir, poucos meses depois de saber que, finalmente, realizaria o sonho de ser pai. Não deu tempo de conhecer seu bebê. Felipe infartou, enquanto Dayane estava grávida de 7 meses do primeiro filho, com o qual ele tanto sonhava Reprodução/ Instagram Em um depoimento exclusivo a CRESCER, Dayane contou que ela e Felipe estavam juntos há três anos. Quando eles se conheceram, ela já era mãe de Maria Clara, que na época tinha 5 anos (hoje ela está com 8). “O sonho dele era ser pai e ele e a Maria tinham uma história a parte”, relata ela. Embora não tivessem relação biológica, os dois eram muito parecidos fisicamente e tinham até as mesmas manias. “Ela já o chamava de pai e ele a chamava de filha”, conta a mãe. Desde o início do relacionamento, o casal planejou ter mais um filho, mas isso acabou demorando mais do que o previsto para acontecer. “Foram dois anos tentando e o positivo nunca vinha. Já estávamos sem esperanças”, lembra. Mas, então, em dezembro de 2024, o sonho se realizou. Dayane descobriu que estava grávida e deu a notícia ao marido. “Ele foi o homem mais feliz do mundo”, conta. Felicidade interrompida Tudo corria bem e a família se preparava para receber o mais novo membro, com toda a alegria. Mas os planos foram brutalmente interrompidos em abril. Tudo começou quando Felipe começou a sentir uma dor forte no estômago e ânsia de vômito. “No domingo anterior, tinha sido a Páscoa; ele achava que tinha exagerado no chocolate”, lembra Dayane. Como Felipe tinha uma alimentação regrada e não tinha costume de comer fora da dieta, atribuiu o mal-estar aos excessos. Ele passou mal durante todo o dia e a madrugada. Os sintomas começaram no dia 23 de abril e, na manhã do dia 24, pioraram. “Ele foi passear com os cachorros e sentiu muita dor no peito. Quando chegou em casa, se deitou um pouco para ver se passava” lembra a esposa. Mas não passou e ele foi para o hospital. Dayane, que ainda dormia, acordou assustada. “Era bem cedinho. Acordei com ele correndo pelo quarto, segurando o tênis, e indo em direção a porta. Perguntei para onde ele estava indo e ele falou que ia ao hospital porque estava sentindo dor no peito. Nisso, minha filha também acordou. Ele deu um beijo nela, disse que ia para o hospital e que voltaria logo”, relata. Dayane já era mãe de Maria Clara e os dois esperavam o primeiro filho juntos Reprodução/ Instagram Felipe deu entrada no hospital às 7h. Antes mesmo de ser encaminhado para a UTI, teve uma parada cardíaca. “Eu estava falando com ele por mensagem e ele me escreveu que era suspeita de infarto”, conta Dayane, que se desesperou e correu para o hospital. Mas tudo aconteceu muito rápido. Às 9h05, Felipe faleceu. Quando Dayane chegou ao hospital, as enfermeiras viram que ela estava gravida de 7 meses e não contaram o que havia acontecido. Elas disseram que ela tinha de pedir que alguém fosse até o hospital. “Naquele momento, eu já entendi tudo e comecei a passar mal. Consegui ligar para a minha cunhada, Aline, e ela foi me encontrar. Então, a equipe médica deu a notícia para ela, que disse à Dayane que ela precisaria ser forte – confirmando seu maior pesadelo. “Meu mundo caiu”, lembra a empresária. “Eu só pensava no sonho dele ser pai. Eu falava: ‘Acorda ele, ele tá cansado, está trabalhando muito, vai ser pai’”, lembra. Era a fase de negação. Naquele dia, Maria Clara estava com uma amiga e a mãe só conseguiu contar para ela o que havia acontecido no dia seguinte. “Eu disse:’ ‘Filha, lembra que ontem o papai passou mal? Então, o coraçãozinho dele não resistiu e ele foi morar com o papai do céu’. Ela me abraçava e chorava muito. Ela repetia que aquilo não era justo e que eles tinham passado pouco tempo juntos. Ela repetia: ‘Eu quero o meu papai’. A parte mais difícil foi vê-la sofrendo. Até hoje, quando lembro, me dá um nó na garganta”, diz Dayane. Além do luto Antes mesmo da morte de Felipe, a família enfrentava desafios financeiros. Eles tinham uma loja de açaí e, depois de ficar viúva, Dayane descobriu que o empreendimento acumulava dívidas de aluguel e com fornecedores. “Pedi um direcionamento a Deus”, lembra ela, que teve a ideia de fazer uma feijoada beneficente para ajudar a pagar o que precisava. Felizmente, ela também recebeu apoio de pessoas próximas. Um amigo se dispôs a pagar pelo parto, que se aproximava, e outra amiga pagou o aluguel durante alguns meses. “Foram muitos milagres”, conta, agradecida. Enquanto lutava para resolver as pendências da vida prática, ela tentava se manter firme, enquanto atravessava o luto. “Eu tentava alimentar pensamentos bons na minha cabeça, e tentava levar tudo de uma forma mais espiritual. Eu tentava lembrar que meu marido descansou, que ele estava no paraíso, que nosso lindo bebê estava prestes a chegar. Fui levando assim”, afirma. A chegada do bebê Há poucos meses, a imagem da chegada do bebê era representada de uma forma na cabeça da mãe. Então, tudo virou de ponta-cabeça e a realidade foi completamente diferente. “O parto foi um misto de alegria e dor”, define. “O fato do meu marido não estar mexeu comigo. O neném nasceu a cara dele”, relata. O bebê recebeu o nome de Mateus Felipe. A família de Dayane é de Goiânia e, quando tudo aconteceu, a mãe dela não pensou duas vezes: largou tudo por lá e veio morar com a filha, no interior de São Paulo. “Ela foi minha rede de apoio”, afirma. Amigos também ajudaram bastante. Hoje, Dayane continua tentando equilibrar a dor e a necessidade de seguir em frente, por ela e pelos filhos. “A Maria, às vezes, tem crises de choro com saudades”, conta. Dayane também. Os momentos mais simples, do cotidiano, são os mais difíceis. “Sinto muita falta do meu marido. Ele era amoroso, gentil, romântico... Ele fazia de tudo por nós, vivia para a família. Uma simples ida ao mercado dá saudade”, compartilha. A mãe segue firme, por ela e pelos filhos, Mateus Felipe, 6 meses, e Maria Clara, 8 anos Reprodução/ Instagram Com a dolorosa experiência, a mãe chegou a escrever um livro, “Depois daquela carta”, que a ajudou a transformar o sofrimento em propósito. Se pudesse falar com Felipe, ela o tranquilizaria. “Eu gostaria que ele soubesse que eu estou dando conta de tudo, para ele não se preocupar. Também diria que nosso filho é a cara dele, tem o sorriso de Deus, que me acalma e que nossa filha continua um doce de menina”, pontua. Assista ao vídeo abaixo (se não conseguir visualizar, clique aqui): Initial plugin text

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