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  "textContent": "\nA violência contra a mulher segue em alta no Brasil. Em 2025, o país registrou um número recorde de feminicídios: foram 6.904 vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, o que representa um aumento de 34% em relação ao ano de 2024, quando houve 5.150 vítimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no país. Os dados são do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL). Violência contra a mulher Canva O feminicídio não termina na morte da mulher — ele também deixa marcas profundas em toda a família. O documento revelou que 69% das vítimas com dados conhecidos tinham filhos ou dependentes. Ao todo, 1.653 crianças ficaram órfãs em consequência dessa violência. Outro dado que chama atenção no relatório é que, em 30% dos feminicídios registrados, crianças ou adolescentes presenciaram o crime. O dado pode estar relacionado ao fato de que os casos de feminicídio acontecem, em grande parte (75%), no âmbito íntimo, ou seja, quando o agressor faz ou fez parte de seu círculo de intimidade, como companheiros, ex-companheiros ou a pessoa com quem a vítima tem filhos. A maioria das mulheres foi morta ou agredida na própria casa (38%) ou na residência do casal (21%). Além disso, 101 das vítimas estavam grávidas. A maior parte das mulheres mortas (30%) tinha entre 25 e 34 anos, com idade mediana de 33 anos. O relatório também aponta que, em pelo menos 22% dos casos, as vítimas já haviam denunciado os agressores antes do feminicídio. Alerta mundial: 1 mulher ou menina é morta a cada 10 minutos por seu parceiro ou membro da família Feminicídio deixou mais de 2,3 mil órfãos no Brasil em 2021, diz estudo Já em relação ao perfil dos agressores, a idade média é de 36 anos. Na maioria dos casos, o crime foi cometido por uma única pessoa: 94% dos feminicídios tiveram apenas um autor, enquanto 5% envolveram mais de um agressor. Quase metade das mortes (48%) foi provocada por arma branca, como faca, foice ou canivete. Em 7,91% dos casos com informações disponíveis, o suspeito morreu após o feminicídio, na maior parte das vezes, por suicídio. A prisão do agressor foi confirmada em pelo menos 67% das ocorrências com dados conhecidos. Combate à violência contra a mulher São Paulo foi o estado com o maior número de registros, com 1.143 casos. Para a Secretaria de Políticas para a Mulher, o enfrentamento da violência de gênero é uma prioridade, mas os dados mostram que o desafio ainda é grande. \"A violência contra a mulher não atinge apenas a vítima direta, mas toda a estrutura familiar, especialmente os filhos que convivem com esse ambiente de violência. Por isso, enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo de São Paulo\", diz a secretaria, em nota enviada à CRESCER. Em 2023, foi criada a pioneira Secretaria de Políticas para a Mulher. A pasta é responsável por coordenar ações integradas de prevenção, proteção e resposta rápida às vítimas de violência. Veja alguns dos projetos da secretaria: Grandes operações policiais para prender agressores: apenas nos últimos 3 meses, foram presos mais de 2 mil homens em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais relacionados a crimes contra mulheres; App SP Mulher Segura: funciona 24 horas por dia para conectar mulheres em risco com a polícia. São 45,7 mil usuárias e 9,6 mil acionamentos do botão do pânico, com envio imediato de policiais via georreferenciamento. O App também cruza os dados de localização da vítima e dos agressores tornozelados para emissão de alertas; Cabine Lilás: presente em todas as regiões do estado em unidades do Copom, onde chamados via 190 feitos por mulheres vítimas de violência são atendidos por policiais femininas treinadas para prestar acolhimento especializado e orientar sobre medidas protetivas e outros serviços de proteção do estado. Ampliação em 54% dos espaços especializados de atendimento às vítimas de violência: são 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e 173 Salas DDM 24h. Os atendimentos resultaram em um crescimento de 17,5% de medidas protetivas e de 12,5% em boletins de ocorrência entre os anos de 2024 e 2025; Inauguração de 20 Casas da Mulher Paulista: são espaços dedicados à proteção, ao acolhimento, à capacitação e à orientação das mulheres para o mercado de trabalho. Também foi feita a construção de outras 16 unidades, para acolhimento a vítimas; Criação do auxílio-aluguel: já apoia 4 mil mulheres vítimas de violência doméstica em 582 municípios; Movimento SP por Todas: criado para dar visibilidade e facilitar o acesso das mulheres à rede de proteção e acolhimento; Capacitação de mais de 135 mil profissionais de bares, restaurante e shows para ações de prevenção com o Protocolo Não se Cale - treinar a equipe, afixar cartazes informativos, acolher a vítima, garantir sua segurança (afastando do agressor) e, se necessário, acionar a polícia (190) ou a Central de Atendimento à Mulher (180). Pensão para órfãos do feminicídio O que acontece com os órfãos do feminicídio? Além da perda traumática da mãe, essas crianças também podem enfrentar dificuldades financeiras para garantir o próprio sustento. Embora seja possível solicitar pensão para os filhos dependentes, o processo costuma ser burocrático. As famílias precisam reunir certidões e documentos em diferentes órgãos para comprovar a situação ao INSS. O projeto de lei 6244/25, em análise na Câmara dos Deputados, quer mudar esse cenário. Ele busca acelerar a concessão de pensão por morte para filhos dependentes de mulheres vítimas de feminicídio. A proposta estabelece prioridade absoluta para esses pedidos no INSS e também impede que o autor do crime receba ou administre o benefício. Feminicídio: após mãe ser assassinada por parceiro, menina terá direito à pensão especial Se aprovada, a pensão poderá ser concedida mesmo que a vítima não tenha cumprido o tempo mínimo de contribuição exigido normalmente pela Previdência, desde que ela ainda tivesse vínculo com o INSS na data da morte. A proposta também prevê que o INSS adote procedimentos mais simples para liberar o benefício, como padronizar documentos e integrar seus sistemas com os da polícia e da Justiça para confirmar a ocorrência do crime. Fonte: Agência Câmara de Notícias",
  "title": "Quase 70% das vítimas de feminicídio em 2025 eram mães, diz relatório"
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