External Publication
Visit Post

Como educar meninos para o respeito e a responsabilidade pela cultura da violência

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… March 7, 2026
Source
Os recentes casos de abuso sexual em Minas Gerais e no Rio de Janeiro naturalmente inflamam os debates sobre educação, sociedade e saúde mental no Brasil. Para a especialista em Neuroeducação e Desenvolvimento Infantil, Priscilla Montes, isso sinaliza que os crimes espantosos expõem mais uma vez a urgência de revisar todo o processo educacional não só de meninos e meninas, mas também dos adultos no Brasil. A especialista aponta para a necessidade de refletir sobre a frustração no dia a dia dos meninos Freepik A educadora esclarece um mito de que 'meninos nascem naturalmente violentos'. Para Priscilla, eles são socializados em uma cultura que, muitas vezes, valida poder, domínio, desempenho e aprovação do grupo como sinônimos de masculinidade. A especialista aponta, por exemplo, como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que a violência sexual no Brasil está fortemente ligada a padrões culturais que naturalizam comportamentos abusivos e silenciam discussões sobre consentimento. Mais de um terço dos meninos de 11 a 17 anos está se envolvendo em jogos de apostas, aponta estudo “A adolescência é uma fase de intensa ativação emocional. A nossa busca por recompensas está acelerada. O cérebro ainda está em desenvolvimento e o controle de impulsos e o julgamento moral ainda estão amadurecendo. Ainda assim, isso não é justificativa; é um alerta para a responsabilidade adulta. Educação sexual não é erotização. É ensinar respeito, limites, ensinar que o corpo do outro não é território disponível. E aqui vai um ponto importante: quando família e escola se silenciam, quem educa é o grupo ou a internet”, explica ela. O cérebro do adolescente: Impulso e Violência? Priscilla relembra dos estudos conduzidos pela pesquisadora Sarah-Jayne Blakemore, da University of Cambridge, em que mostram como o cérebro humano, na fase da adolescente ainda está em desenvolvimento, especialmente nas áreas ligadas ao controle de impulsos, tomada de decisão e avaliação de riscos. O sistema de recompensa está mais sensível, enquanto o córtex pré-frontal — responsável pelo julgamento moral e autocontrole — segue em amadurecimento. Mas esse dado científico não pode ser usado como justificativa para comportamentos violentos. Ele é, sobretudo, um alerta para a responsabilidade adulta na orientação e supervisão. Seu filho usa Discord? Entenda as mudanças de segurança que chegam em março “Em muitos contextos familiares e escolares, ainda se ouvem frases como 'menino é assim mesmo', 'é coisa da idade' ou 'todo mundo faz', reforçando a ideia de que impulsividade e desrespeito seriam traços inevitáveis do masculino. A pergunta que precisa ecoar é: estamos ensinando nossos filhos a lidar com frustração? Estamos ensinando que 'não' é 'não'? Que consentimento não é ausência de resistência, mas presença clara de concordância?”, questiona Priscilla. Educação sexual não é erotização Organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura defendem a educação sexual baseada em evidências como ferramenta fundamental para a prevenção de violência e para a promoção de relações mais saudáveis. A educadora reforça que a abordagem do tema é estabelecer limites e responsabilidade. É ensinar que o corpo do outro não é território disponível. A especialista reforça como os pais também precisam trabalhar competências socioemocionais, como empatia, autorregulação e comunicação assertiva, habilidades que reduzem comportamentos de risco e fortalecem vínculos saudáveis. "Flagrei meu filho adolescente se masturbando e fiquei chocada. O que eu faço?" “Criar meninos emocionalmente responsáveis não é uma questão de reputação familiar, mas de humanidade. Não basta ensinar meninas a se protegerem; é preciso ensinar meninos a não violentarem. A conversa pode ser desconfortável, mas é urgente. Porque a forma como educamos hoje define não apenas o futuro de nossos filhos, mas a qualidade das relações e da sociedade que estamos construindo”, afirma Priscilla.

Discussion in the ATmosphere

Loading comments...