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  "textContent": "\nAos 8 anos, o estudante cearense Augusto de Paula Bezerra conquistou medalha em uma competição importante nos Estados Unidos. O aluno, que mora em Baturité, cidade serrana a cerca de 150 km de Fortaleza, no Ceará, participou da etapa internacional da Copernicus Global Round 2026 – uma das mais prestigiadas olimpíadas internacionais de ciências, realizada na Universidade de Rice, em Houston, nos Estados Unidos – após se classificar na fase nacional da competição. Augusto de Paula Bezerra Arquivo pessoal A conquista envolveu dedicação aos estudos, participação em diversas olimpíadas acadêmicas e o apoio da família e da comunidade para viabilizar a viagem. Segundo o pai, Raimundo Bezerra Lima Junior, de 42 anos, o momento do anúncio da medalha foi marcado por surpresa e emoção. “A prova estava bastante difícil, com questões bem complexas. Na cerimônia de encerramento, não sabíamos se ele conseguiria medalhar. Para ser sincero, sempre conversamos com ele que estar lá já era uma vitória”, contou à CRESCER. Enquanto aguardavam o resultado, Augusto brincava no saguão do hotel com um carrinho de controle remoto. Quando começaram a anunciar os medalhistas, a família foi pega de surpresa. “Não estávamos preparados. Como foi por ordem alfabética e ele era da categoria 1, acabou sendo o primeiro a ser chamado. Ficamos eufóricos, pegando a bandeira do Ceará e tentando gravar tudo. Foi maravilhoso ouvir o nome dele”, relembrou o pai. O garoto também reagiu com emoção ao receber a medalha. “Ele também ficou muito emocionado. Chorou depois que desceu do palco com a medalha na mão e nem sabia explicar por que estava chorando. Era um misto de emoções e muita alegria.” Para a família, o resultado vai além de uma conquista individual. “Saber que é uma vitória do Brasil em uma olimpíada internacional, levando o nome da escola municipal e de uma cidade do interior do Ceará para o mundo, é algo incrível.” Augusto após conquistar a medalha de bronze, com as bandeiras do Brasil, Baturité e Ceará Arquivo pessoal Habilidades desde pequeno Segundo o pai, os sinais de que Augusto tinha habilidades acima da média apareceram ainda na primeira infância, com interesse e facilidade incomuns para a idade. “Com 1 ano e oito meses, ele já sabia o alfabeto completo e, aos 2, iniciou o processo de leitura. Como éramos pais de primeira viagem, apenas achávamos isso bonitinho”, lembrou Raimundo. Durante a educação infantil, o avanço acadêmico se tornou mais evidente, especialmente quando uma professora percebeu que seu nível de leitura estava muito acima do esperado. “A leitura dele estava extremamente avançada, de nível de criança do quarto ano. Foi quando ele começou a demonstrar recusa escolar, pois já sabia o que estava sendo ensinado e isso lhe causava um grande sofrimento”, afirmou o pai. A família buscou, então, uma avaliação neuropsicológica, que levou ao diagnóstico de superdotação de nível profundo em 2022, aos 4 anos. O laudo foi feito em Brasília pela especialista Olzeni Ribeiro. Augusto durante a prova da etapa internacional da Copernicus Global Round 2026, em Houston, nos EUA Arquivo pessoal “Sentíamos que estávamos perdendo nosso filho, pois aquela criança doce estava se tornando reativa, o que gerava um sofrimento muito grande para todos. O diagnóstico nos trouxe respostas e também muitas perguntas novas sobre esse universo”, contou. A trajetória escolar teve desafios. Mesmo com recomendação de aceleração de três anos nos estudos, Augusto enfrentou dificuldades emocionais e chegou a sofrer violência escolar por parte de um profissional que atuava como apoio na instituição onde estudava. Depois do episódio, denunciado por colegas de turma, a família decidiu mudar de vida. Eles deixaram Fortaleza e passaram a morar em um sítio em Baturité, onde Augusto foi acolhido pela rede municipal de ensino e passou a estudar na escola Eduardo Taveira, localizada na zona rural. “Aqui fomos acolhidos pela secretaria de educação municipal e encontramos uma escola que nos deu suporte”, disse Raimundo. Experiências em competições acadêmicas O contato com olimpíadas acadêmicas começou em 2025, depois que Augusto passou a participar de um grupo de estudos online chamado Amplexo. “Esse clube dá suporte com aulas on-line, material de estudos e também um apoio emocional, pois ele tem oportunidade de conhecer crianças com o mesmo perfil dele e isso traz para ele pertencimento”, explicou o pai. Além das atividades escolares, o estudante mantém uma rotina de leitura e estudos em casa, acompanhada pela mãe, Vaneuda Almeida de Paula, também de 42 anos. As atividades envolvem diferentes áreas do conhecimento. “Ela faz um acompanhamento de enriquecimento curricular com atividades diárias de leitura e estudo, variando por temas como corpo humano, física e astronomia”, contou Raimundo. A preparação para as olimpíadas é feita de forma lúdica, com jogos, maquetes e livros voltados para a idade. “Temos etapas de resolução de provas anteriores, mas sempre tentamos preparar o Augusto para ter inteligência emocional no momento dos testes. Não passamos pressão nem o deixamos nervoso”, garantiu. Augusto e sua mãe, no momento em que seu nome foi anunciado para a medalha de bronze Arquivo pessoal O interesse pelo conhecimento aparece também nos hábitos de leitura. Segundo o pai, Augusto começou a ler aos dois anos e aprendeu inglês sozinho. “Ele lê de tudo, desde manuais de carro, livros de ciências até o Código de Trânsito Brasileiro”, disse. Em casa, a família montou uma biblioteca com mais de 200 livros em português e inglês, com temas que vão de astronomia e biologia a veículos híbridos e elétricos. Em 2025, o menino participou de 20 olimpíadas acadêmicas e conquistou medalhas em 16 delas, incluindo ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) e na Copernicus. Sua primeira competição foi a Olimpíada de Física e Astronomia Principia, também em 2025. Olimpíadas nos EUA e novos desafios Para chegar à etapa internacional nos Estados Unidos, ele precisou se classificar no round nacional da Copernicus, realizado online. No entanto, a viagem representava um custo alto para a família, que recebeu o resultado da classificação em novembro, com a competição marcada para janeiro. “Para nós era uma viagem extremamente cara e não tínhamos como nos preparar financeiramente em tão pouco tempo”, contou o pai. A solução veio com uma mobilização nas redes sociais e na cidade. A família publicou um vídeo no Instagram pedindo ajuda para custear a viagem, e a repercussão foi maior do que esperavam. “No mesmo dia da postagem, o vídeo teve centenas de comentários e compartilhamentos. Um portal de notícias da nossa cidade pediu para repostar e, de repente, já passava de 50 mil visualizações.” A mobilização acabou pressionando o poder público local, que decidiu ajudar. Augusto com a bandeira do Ceará após ganhar a medalha de bronze Arquivo pessoal “A Prefeitura de Baturité, juntamente com a Casa Civil de Fortaleza, uniu forças e nos ajudou com as inscrições para a olimpíada e as passagens aéreas, que eram o custo que não conseguíamos arcar”, disse Raimundo. Desde a conquista internacional, Augusto passou a ser reconhecido pelos moradores da cidade, algo que a família encara com naturalidade. “As pessoas falam com ele na rua, reconhecem e dão os parabéns. É incrível ver que sentem orgulho por ele ser da cidade. Isso incentiva outras pessoas e estamos tentando espalhar a ideia de que, se ele pode, outros também podem.” Apesar da repercussão, o menino continua vivendo a rotina típica da infância – e ainda não decidiu qual carreira pretende seguir no futuro. “Como toda criança, ele sempre muda de ideia. A última foi fotógrafo”, contou o pai. “O que sempre permanece é que ele diz que quer ajudar a salvar o mundo.” Segundo Raimundo, o calendário de competições do filho para 2026 já está cheio. Augusto participará de várias olimpíadas nacionais e internacionais e já se classificou para a final da TeenEagle, que será realizada em julho na Inglaterra. “Como não temos apoio financeiro, tudo fica por nossa conta, o que muitas vezes se torna inviável para a família. O que aconteceu com a Copernicus foi algo inimaginável para nós, mas o que realmente precisamos é de incentivo e apoio constante”, disse o pai. E concluiu: “Enxergamos o Augusto como um atleta olímpico que precisa de treino (no caso dele, o estudo) e de toda uma rede de apoio, pois ele acaba levando o nome da cidade, do estado, do país e da educação pública para o mundo inteiro”. Augusto e os outros campeões da etapa internacional da Copernicus Global Round 2026, nos EUA Arquivo pessoal",
  "title": "Aos 8, cearense conquista medalha em Olimpíada Internacional de Ciências, nos EUA"
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