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"textContent": "\nA pequena Maitê, 4, deixou a web de coração derretido ao fazer uma dancinha ao lado dos enfermeiros de um hospital, em São Paulo. A garotinha está realizando o tratamento contra um nefroblastoma, um tipo de câncer renal. Mas isso não a fez perder sua luz e nem seu carisma. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela aparece dançando ao som da música \"Vira Vira Virou\" com a equipe de enfermeiros que a acompanhava - com direito a coreografia e tudo. A gravação bombou, alcançando mais de 13 milhões de visualizações no Instagram. Maitê dançando com os enfermeiros Reprodução/Instagram Nos mais de 22 mil comentários, os internautas se emocionaram com a cena e desejaram a cura de Maitê. \"Gente, que energia e muito amor envolvidos em um momento só\", diz um. \"Te amo, Maitê! Não te conheço e nunca te vi na vida, mas te desejo tudo de bom\", escreve outro. A mãe, a coordenadora de faculdade Priscila Cardoso Lago, 41, nunca imaginou que o vídeo teria tanta repercussão. \"Virou uma mensagem de esperança para muitas famílias. Receber mensagens de apoio e relatos de outras mães tem sido emocionante. Transformar dor em inspiração tem dado um novo sentido a tudo isso\", diz, em entrevista exclusiva à CRESCER. Menino de 6 anos enfrenta câncer pela segunda vez: 'Foi como voltar no tempo' Menina vence câncer após 3 anos de tratamento e família comemora: \"Começo de uma nova vida\" Maitê não compreende o que é viralizar ainda. \"Ela não entende a dimensão do que significa isso, mas ela adora saber que recebeu curtidas e muitas curtidas. Ela ama fazer vídeos, pede para filmar cada passo que ela dá\", conta. Initial plugin text 'Tratam a Maitê com muito carinho e respeito, e isso faz toda a diferença' A garotinha criou um vínculo muito bonito com a equipe de enfermagem do Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo, onde faz o seu tratamento. \"Eles tratam a Maitê com muito carinho e respeito, e isso faz toda a diferença. Ela se sente segura ali, isso tranquiliza muito a gente também e facilita muito o tratamento\", conta. A pediatra oncológica da BP, Rita Kechichian, que acompanha Maitê também tem um carinho enorme pela paciente. \"Ela passa para visitar todos os dias, o que é muito raro nos hospitais médicos. Maitê ama, não troca por nada. Dra. Rita chora junto e fica feliz junto, ela tem uma empatia enorme com seus pacientes\", destaca. A menina adora cantar e dançar. Por isso, Priscila e os enfermeiros sempre tentam animá-la com uma música ou uma coreografia divertida. \"Quando eu vejo que ela está meio caidinha, mas já passou a reação da quimio, eu já falo: 'Vamos agitar' e coloco as músicas que ela adora. O pessoal da enfermagem escuta e às vezes para na porta\", diz Certo dia, em 20 de fevereiro, alguns dos enfermeiros sugeriram fazer a dancinha juntos após terminarem o plantão. \"Escolhemos a coreografia, falei para ela ficar na frente para eles a copiarem. Ela foi lindamente fazendo a dança até o final direitinho, sem ensaio, sem nada\", lembra. Priscila postou o vídeo apenas para compartilhar com os seguidores e os enfermeiros que fizeram a dancinha com a filha. Quando viu, tinha viralizado. \"Já teve outras danças desde então. A Maitê gosta muito, ela contagia as pessoas lá. As enfermeiras são muito alegres também, elas deixam o ambiente mais leve\", acrescenta. Maitê e Rita Arquivo pessoal Em busca do diagnóstico O diagnóstico de Maitê foi descoberto durante uma consulta de rotina, em março de 2025. \"Ela ia fazer uma cirurgia no nariz e na garganta e precisava passar na pediatra para ela examinar e liberar a operação\", lembra. \"Nessa consulta, aproveitei para falar da barriguinha dela, que sempre foi um pouco estufadinha. Às vezes, a criança tem a barriga mais pontudinha, mas ela sempre foi muito constipada e estava achando que a barriga dela estava muito dura\", adiciona. Quando a pediatra apalpou a barriga, reparou que algo não parecia certo. \"Ela disse que a Maitê estava com o baço aumentado e que precisava fazer um ultrassom de urgência\", recorda. No dia seguinte, Priscila levou a filha para fazer o exame. Aos 13 anos, menina ouviu dos médicos que sua leucemia era incurável, e ela surpreendeu: \"Não desista de mim\", diz \"A médica disse que não tinha nada no baço, mas que encontraram um nódulo de 12 cm no rim esquerdo. Não entendi nada. Pediram para eu enviar os resultados para a pediatra, pois ela iria solicitar uma tomografia para investigar\", diz. \"Eu saí meio sem chão de lá. Mas, eu sempre fui muito otimista, tentei não esbanjar nenhuma tristeza, porque isso acaba atraindo mais e mais\", acrescenta. 'Foi o pior dia da minha vida' Depois de fazer a tomografia, em 14 de março, Priscila recebeu uma notícia que nunca imaginava: Maitê foi diagnosticada com nefroblastoma - também conhecido como tumor de Wilms bilateral - grau 3, um tipo de câncer renal infantil. \"Foi o pior dia da minha vida. Parece que o chão desapareceu. A primeira reação foi o medo, medo do desconhecido, medo de perder, medo do que viria pela frente. Choramos muito, eu, meu marido e a família toda\", lembra. Mas ela sabia que tinha que ser forte para a filha. \"Junto com o medo, veio uma força que eu nem sabia que tinha. Até hoje me supero por estar ali firme, forte e otimista ao lado dela. Sei que ela se espelha muito em mim e nas minhas reações. Então, passo a minha versão mais animada para ela sempre. Quando é seu filho, você vira coragem, mesmo tremendo por dentro\", destaca. Maitê e Priscila Arquivo pessoal Após receber o diagnóstico, muitos sintomas que Maitê apresentava ao longo da infância começaram a fazer sentido. \"São sintomas silenciosos que, na verdade, quase todas as crianças têm, como febre, gripe, cansaço, dorzinha na barriga, vômito... Mas são coisas que crianças de 2, 3 anos apresentam\", diz. A menina sempre foi muito ativa e alegre, por isso, Priscila nunca imaginou que esses sinais poderiam indicar algo grave. 'Ela quer sorrir em meio à dor que está sentindo' O tratamento começou poucos dias após o diagnóstico. \"A rapidez foi essencial para agir logo e aumentar as chances de resposta\", diz a mãe. Maitê estava com seis linfonodos, sendo três com metástase. Tinha um tumor grande de 12 cm no rim esquerdo e tumores pequenos do lado direito. Ela logo começou com a quimioterapia pré-cirúrgica, realizada para reduzir o tamanho do tumor e facilitar a remoção. Quando os tumores reduziram cerca de 1 cm, em junho de 2025, ela partiu para a operação para retirar parte do rim esquerdo, pois o tumor havia tomado conta do órgão. \"Foi um sucesso. O cirurgião conseguiu manter 20% do rim, ele funciona normalmente\", conta Priscila. Mãe faz alerta ao descobrir leucemia da filha após queixa de dor na perna: “Acredite no que as crianças dizem” Mesmo em momentos difíceis como este, Maitê não perdeu seu brilho. \"Ela quer sorrir em meio à dor que está sentindo. Ela tem uma cicatriz de ponta a ponta na barriga e acha isso deslumbrante\", destaca a mãe. A menina ficou cerca de seis dias na UTI antes de voltar para o quarto. Enquanto ainda estava internada, a pequena completou quatro anos. \"Os médicos cantaram parabéns para ela na UTI, ela ficou muito feliz\", diz Priscila. 'Maitê surpreende a gente todos os dias com a força dela' Mesmo durante o tratamento, Maitê não perdeu seu brilho Arquivo pessoal Maitê se recuperou muito bem e seguiu com o tratamento. \"Tem sido desafiador, com muitas internações para ciclos de quimioterapia, radioterapia - que já foi concluída -, queda de imunidade e transfusões de sangue\", diz. \"Mas também tem sido uma jornada de muita superação. A Maitê surpreende a gente todos os dias com a força dela. Mesmo nos dias difíceis, ela encontra energia para sorrir e dançar\", adiciona. Por ser muito pequena, Maitê ainda não sabe que tem câncer. \"De início, a gente falava que ela estava dodói. No começo da quimioterapia, ela inchou muito, a barriguinha ficou muito estufada. A gente falava que era um bichinho que ia sair da barriga dela com o tratamento\", diz. \"Ouça sua intuição\", diz mãe de menina de 7 anos que venceu leucemia \"A gente deixa tudo lúdico. Eu não falo que ela tem um nefroblastoma, ou um câncer no rim. Quando ela foi fazer a cirurgia, a gente falou que ia tirar aquela coisa ruim que estava dentro dela, aquele bichinho ruim que estava ali deixando ela com a barriguinha doendo, e ela foi aceitando\", adiciona. Segundo Priscila, Maitê tem enfrentado o tratamento com leveza. \"Claro que há dias difíceis, mas ela é resiliente. Dança e canta no hospital, fez amigas... O que mais impressiona é a preocupação com as pacientes amigas. Quando não estão bem, ela vai à porta delas para dizer que vão melhorar. Ela encara as medicações, exames e agulhadas com uma coragem que inspira todo mundo\", afirma. 'O amor é muito maior que o nosso medo' Maitê com os pais Arquivo pessoal Para a mãe, não é nada fácil ver a filha passando pelo tratamento. \"É viver em estado de alerta constante, mas também aprender sobre força, fé e resiliência. Cada exame, cada ciclo de quimioterapia, vira uma montanha-russa emocional. Cada ciclo tem reações diferentes nela, que automaticamente afetam meu emocional. Mas peço força e coragem para Deus todos os dias para ser forte e continuar sendo o porto seguro para a Maitê\", ressalta. \"Ao mesmo tempo, é um privilégio poder estar ao lado dela em cada etapa\", diz. O chefe de Priscila foi muito compreensivo desde o diagnóstico. \"Quando soube, ele disse: 'Vai cuidar da sua filha que o resto a gente se vira'. Desde então, sigo ao lado dela 24 horas por dia, graças a ele também. A cada internação, a gente descobre que o amor é muito maior que o nosso medo\", finaliza. O que é nefroblastoma? O nefroblastoma - também conhecido como tumor de Wilms - é um câncer relativamente frequente na infância, que ocorre em cerca de 1 a cada 10 mil crianças com menos de 15 anos. A idade média no momento do diagnóstico é de 3 a 4 anos nos casos em que o tumor afeta apenas um rim (doença unilateral) e de 2 a 3 anos (cerca de 2 anos e 8 meses) quando atinge os dois rins (doença bilateral). A doença afeta tanto meninas quanto meninos - mas é um pouco mais comum em meninas. Na maioria das vezes, o tumor se desenvolve em crianças previamente saudáveis. No entanto, cerca de 10% dos pacientes apresentam malformações associadas ou síndromes genéticas reconhecidas. Quais são os sinais? Inchaço abdominal Dor Sangue na urina Pressão alta Febre Perda de apetite Náuseas e vômitos Qual é o tratamento? O tratamento do nefroblastoma (tumor de Wilms) em crianças costuma envolver uma equipe com vários especialistas e combina diferentes formas de cuidado: quimioterapia, cirurgia e, em alguns casos, radioterapia. A boa notícia é que as chances de cura são altas, chegando perto de 90%. Geralmente, o tratamento começa com quimioterapia para diminuir o tamanho do tumor. Depois, é feita a cirurgia para retirar o tumor. Dependendo do caso, a criança pode precisar de mais sessões de quimioterapia após a operação. Fonte: GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer)",
"title": "Menina de 4 anos com câncer conquista web ao dançar com enfermeiros em hospital de SP"
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