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  "textContent": "\nO que vem à sua mente quando se fala em HPV? Provavelmente, você pensará no câncer de colo de útero. Afinal, esse vírus está associado a 99% dos casos desse tipo de tumor no Brasil. Mas, o papilomavírus humano também está por trás de outros cânceres, que afetam, inclusive, os homens. Um dos mais perigosos é o de cabeça e pescoço, especialmente o câncer de garganta. HPV Getty Images O alerta foi feito por Valentino Magno, ginecologista e professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, durante o lançamento da campanha Por um Futuro Sem Câncer de Colo do Útero. O evento — organizado pela MSD Brasil, em parceria com a McCann Health, na última quinta-feira (26) — marcou oficialmente a abertura do Março Lilás, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de colo do útero. Embora o foco da campanha seja sobre as consequências da doença para as mulheres, o especialista ressaltou que o HPV também é um problema para o público masculino. “Nos anos 2000, se dizia muito: 'Para que vou vacinar o menino para evitar o câncer que ele vai passar para as meninas?' Não tem nada a ver com isso. Vacinamos homens e mulheres para evitar doenças que o HPV causa em ambos.” Juliana Paes revela como reagiu à indicação da vacina contra o HPV para filho de 11 anos: “O preconceito estava em mim” Em meio ao aumento de tumores, em fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou a vacina Gardasil 9 — indicada para proteger contra o câncer de colo de útero — também para prevenção de cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço. O que é o câncer de cabeça e pescoço? Esse tipo de câncer engloba uma série de tumores malignos que podem aparecer na: Cavidade oral Faringe Laringe Cavidade nasal Seios paranasais Tireoide Glândulas salivares O HPV está associado, principalmente, ao câncer de orofaringe (popularmente conhecido como câncer de garganta). A principal via de transmissão é pelo sexo oral sem proteção. Vale lembrar que as lesões são causadas pelos tipos 16 e 18 do vírus e podem estar presentes nas seguintes áreas: Base da língua; Palato mole; Amígdalas; Partes laterais e de trás das paredes da garganta; Por muito tempo, o fator de risco para esse tipo de câncer era o tabagismo e o alcoolismo. No entanto, o cenário vem mudando. “Enquanto estávamos diminuindo o câncer de cabeça e pescoço, conforme diminuía o tabagismo, o câncer de cavidade oral associado ao HPV só cresceu.” Para se ter noção desse aumento, a média de casos de câncer de orofaringe associado ao HPV nos Estados Unidos foi de 22.585, sendo que 83% dos casos foram identificados em homens. Com relação ao câncer de colo de útero, o HPV foi associado a uma média de 12.287 casos. Isso significa dizer que o câncer mais comum associado ao HPV nos Estados Unidos já é o de orofaringe. O que chama a atenção é que o câncer de cavidade oral sozinho já é o quinto mais comum em homens. “Eles têm uma mortalidade cinco vezes maior por câncer de orofaringe do que as mulheres”, explicou o ginecologista. Esse tipo de câncer também tende a ser descoberto já em uma fase mais tardia, pois as lesões não são tão fáceis de identificar. “Eventualmente, um dentista pode ver, mas é um achado difícil”, reforça o médico. “Há áreas que não são vistas mesmo com a luz do celular.” Principais sintomas? Rouquidão ou outras mudanças na voz; Dificuldade para engolir ou sensação de que alguma coisa está presa na garganta; Irritação da garganta que não passa; Dor de ouvido; Como proteger o meu filho? A vacinação é a principal aliada contra os cânceres causados pelo HPV. A boa notícia é que o imunizante está disponível na rede pública. A vacina quadrivalente contempla: O público de 9 a 14 anos; Pessoas com HIV/Aids até 45 anos; Pacientes transplantados de órgãos sólidos e medula óssea até 45 anos; Usuários de PrEP de 15 a 45 anos; Vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos; Pacientes oncológicos até 45 anos; Já na rede privada, há ainda a disponibilidade da vacina nonovalente para homens e mulheres entre 9 e 45 anos. A lição que fica é que vacinar seu filho hoje é como lhe dar um presente no futuro. E fique tranquilo, a imunização contra o HPV não incentiva o início precoce da atividade sexual. Um estudo publicado no jornal acadêmico JAMA, em 2015, apontou que a imunização não eleva as taxas de doenças sexualmente transmissíveis, informou o G1. “Se o fato de vacinar estas jovens contra o HPV causasse um aumento de atividades sexuais arriscadas, teríamos observado um aumento forte das taxas de infecções sexualmente transmitidas (...), e não foi o caso”, disse Seth Seabury, da Universidade do Sul da Califórnia e principal coautor do estudo, financiado pelos Institutos Americanos da Saúde (NIH). Mas muitos ainda se perguntam: 'Por que vacinar entre 9 e 14 anos?' E a resposta é simples: para garantir a eficácia da proteção, uma vez que o sistema imunológico responde melhor nessa faixa etária e antes do início da vida sexual.",
  "title": "HPV pode causar um câncer em seu filho que você nem imagina"
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