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"textContent": "\nObservar a pele dos filhos durante a adolescência vai muito além da estética. Para especialistas, cravos, espinhas e mudanças na oleosidade podem ser sinais visíveis de transformações hormonais, emocionais e comportamentais típicas dessa fase. Em um período marcado por inseguranças e construção da identidade, a pele se torna também uma linguagem silenciosa do que o adolescente sente. Menino com acne Getty Images Segundo a dermatologista Lívia Pino, a conexão entre pele e saúde mental é real e cientificamente reconhecida. A médica explica que a acne pode piorar em momentos de estresse, ansiedade e pressão social, criando um ciclo delicado: quanto mais a pele inflama, maior tende a ser o sofrimento emocional, e vice-versa. Por isso, para os pais, olhar com atenção para a pele é também uma forma de cuidado integral com o filho. Autoimagem na adolescência e o impacto das espinhas na saúde emocional A adolescência é uma fase em que a aparência ganha grande relevância na construção da autoestima. O psicólogo Rodrigo Gomes Ferreira afirma que a acne, por ser muito visível, pode gerar vergonha, insegurança e até isolamento social. “Se há sofrimento persistente, que vai além de uma chateação pontual e começa a prejudicar a vida do adolescente, pode haver uma questão emocional mais complexa, como bullying ou dificuldade de socialização por baixa autoestima”, explica o especialista. Ele destaca que os pais não precisam resolver tudo sozinhos, mas devem estar atentos aos sinais emocionais. O apoio começa pela escuta e pela validação dos sentimentos. Minimizar o problema com frases como “é só uma fase” pode aumentar a sensação de incompreensão. Uma estratégia importante, segundo o psicólogo, é normalizar a experiência. “Os pais podem lembrar que a acne é algo natural do ser humano, especialmente na adolescência, e até compartilhar suas próprias experiências para reduzir a vergonha”, orienta. Skincare não é “coisa de menina”: Como conversar sobre assunto sem estigmatizar A forma como o assunto é abordado em casa influencia diretamente na autoestima dos adolescentes. Rodrigo ressalta que o cuidado com a pele deve ser apresentado como uma questão de saúde e não apenas estética. “É importante relativizar o peso da aparência, sem negar o incômodo, e reforçar outros aspectos pessoais, como inteligência, atitudes e relações”, afirma. Outro ponto relevante é desconstruir estigmas de gênero. O psicólogo explica que ainda existe a ideia de que skincare é “coisa de menina”, o que pode afastar meninos do autocuidado. “O cuidado com a acne pode ser uma oportunidade de ensinar que homens também podem cuidar da própria saúde e do corpo, sem preconceitos.” Ele sugere ainda associar o cuidado com a pele a hábitos básicos de higiene, como escovar os dentes ou tomar banho, evitando cobranças estéticas e comparações. Entendendo a acne na adolescência e o papel dos hormônios De acordo com Lívia, a acne costuma surgir com o início da puberdade, geralmente entre 11 e 13 anos, devido às mudanças hormonais intensas dessa fase. “A acne na adolescência está diretamente ligada ao aumento dos hormônios andrógenos, que estimulam as glândulas sebáceas a produzirem mais óleo. Esse excesso de sebo, combinado com células mortas, obstrui os poros e favorece o surgimento de cravos e espinhas”, explica. A médica compara os hormônios a um “interruptor” da oleosidade da pele. Quando ativados, aumentam a produção de sebo, criando o ambiente ideal para a proliferação da bactéria Cutibacterium acnes e o desenvolvimento das lesões inflamatórias. Ela também alerta que a puberdade precoce pode antecipar o aparecimento da acne, exigindo avaliação conjunta com pediatra e dermatologista. O que os pais devem observar na pele dos filhos Para ajudar no cuidado precoce, a dermatologista orienta que os pais observem sinais iniciais, como: Surgimento de cravos (pontinhos pretos ou brancos) Oleosidade excessiva na zona T (testa, nariz e queixo) Espinhas inflamadas e doloridas Queixa de dor, coceira ou manipulação constante da pele Impacto emocional, como vergonha ou isolamento “Não é preciso esperar a acne piorar para procurar ajuda. A intervenção precoce ajuda a prevenir manchas, cicatrizes e sofrimento emocional”, destaca Lívia. Lesões profundas, cicatrizes iniciais, acne no tronco e ausência de melhora após dois ou três meses de cuidados básicos são sinais claros de que a avaliação médica é necessária. Skincare básico para adolescentes sem exageros e sem modismos Segundo a dermatologista, a rotina ideal para iniciantes deve ser simples, consistente e adequada à pele jovem. O trio básico costuma ser suficiente na maioria dos casos leves: Limpeza suave duas vezes ao dia com sabonete específico para pele oleosa Hidratação com produtos leves, oil-free ou em gel Uso diário de protetor solar com textura leve “Manter a pele limpa, hidratada e protegida ajuda a equilibrar a oleosidade e prevenir novas lesões”, afirma a especialista. Ela alerta ainda sobre os riscos de trends de skincare da internet. Produtos inadequados, ácidos fortes e receitas caseiras podem causar irritações, manchas e piora significativa da acne. Cosméticos de adultos, especialmente anti-idade, também podem obstruir os poros e agravar o quadro. Outro erro comum é lavar o rosto várias vezes ao dia. “Isso causa efeito rebote. A pele perde sua barreira natural e passa a produzir ainda mais oleosidade”, explica. Quando levar o adolescente ao dermatologista e como apoiar o tratamento A consulta dermatológica é recomendada desde os primeiros sinais de acne. O tratamento pode incluir medicações tópicas, como retinoides, peróxido de benzoíla e ácido azelaico, além de terapias combinadas, sempre individualizadas conforme a gravidade e a idade. Lívia reforça que a acne não deve ser subestimada. “A ideia de que ‘é só uma fase’ nem sempre é a melhor estratégia. Esperar pode significar maior risco de cicatrizes permanentes.” O acompanhamento psicológico também pode ser indicado quando há impacto na autoestima, ansiedade ou isolamento social, tornando o cuidado multidisciplinar mais eficaz. Para melhorar a adesão ao tratamento, os pais devem agir como parceiros. Isso inclui lembrar a rotina de cuidados com gentileza, validar sentimentos e ter paciência com os resultados, que costumam levar tempo. Autocuidado como ponte para fortalecer o vínculo com os adolescentes Transformar o cuidado com a pele em um momento de conexão pode mudar completamente a experiência do adolescente com a acne. Em vez de cobranças, os especialistas sugerem criar rituais leves de autocuidado, como pesquisar produtos juntos ou estabelecer uma rotina simples de skincare. Para a dermatologista, a principal mensagem deve ser focada na saúde, não na estética. “Estamos cuidando da sua pele para que ela seja saudável e para que você se sinta bem. A melhora da aparência será consequência.” Ao estreitar o diálogo e oferecer acolhimento, os pais ajudam o adolescente a entender que autocuidado não é vaidade, mas um gesto de atenção consigo mesmo. E, muitas vezes, esse cuidado diário com a pele pode se transformar em um caminho potente para fortalecer a autoestima, a confiança e os laços familiares durante uma das fases mais sensíveis do desenvolvimento.",
"title": "Acne: como tratar a pele com espinhas na adolescência"
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