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Adolescente pode usar absorvente interno? O que dizem médicos e especialistas

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… February 26, 2026
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A pergunta costuma surgir logo nos primeiros ciclos menstruais: será que adolescente também pode usar absorvente interno? A resposta é objetiva. “Não há contraindicação para uso de absorvente interno por adolescentes”, afirma a ginecologista e obstetra Camila Martins de Carvalho, secretária da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia na Infância e Adolescência da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Segundo a especialista, o produto é seguro, mas a informação correta e o uso adequado fazem toda a diferença para evitar riscos e desconfortos. Com os cuidados certos, absorvente interno pode, sim, ser usado por adolescentes Freepik Existe idade mínima para usar absorvente interno? Diferentemente do que muita gente acredita, não existe uma idade mínima estabelecida para começar a usar absorvente interno. A decisão pode ser tomada desde a primeira menstruação, desde que a adolescente queira e se sinta bem com isso, é claro. “Não existe uma idade estabelecida. A adolescente pode usar a partir da primeira menstruação, se sentir confortável em utilizá-lo”, explica a médica. Segundo Camila, fatores sociais costumam influenciar essa escolha. “Pesquisas evidenciam que o uso de absorvente interno em adolescentes é mais comum entre aquelas em que a mãe tem uma atitude favorável em relação ao uso e quando há amigas que também o utilizam”, aponta. Por isso, o diálogo no consultório é indispensável. “É importante que as dúvidas sejam esclarecidas com a ginecologista, para que a paciente possa escolher, baseada em informações corretas”, orienta. Absorvente interno oferece riscos? Uma das preocupações mais frequentes dos pais é se usar absorvente interno faz mal. De acordo com a especialista, o risco não está no produto em si, mas na forma de utilização. “O uso adequado de absorvente interno não causa riscos. O problema é quando a pessoa esquece de retirá-lo ou permanece longos períodos com o absorvente. Isso pode favorecer infecções e dores”, explica. Ou seja, o cuidado principal é respeitar o tempo de troca e não prolongar o uso além do recomendado. Nesse contexto, surge também o medo de uma condição rara, a síndrome do choque tóxico. A ginecologista, no entanto, tranquiliza: “A síndrome do choque tóxico relacionado ao uso de absorvente é um evento incomum, após a retirada do mercado de produtos fabricados com fibras de alta absorção”. Ainda assim, o intervalo de troca deve ser seguido rigorosamente. “O ideal é que o absorvente seja trocado a cada 4 horas e que seja evitado no período de sono. Há estudos que evidenciam risco aumentado de síndrome do choque tóxico com uso acima de 6 horas e uso noturno”, destaca. Absorvente interno tira a virgindade? Outro mito persistente envolve a virgindade. Muitas adolescentes temem que o absorvente interno possa “tirar a virgindade” ou romper o hímen. A médica esclarece que essa associação não faz sentido do ponto de vista científico. “Há preocupação em relação a romper hímen da paciente, mas é importante entender que há baixa probabilidade de isso ocorrer e, mesmo que aconteça, isso não significa que a paciente não é mais ‘virgem’. A virgindade está relacionada ao início da vida sexual, não ao rompimento do hímen”, diferencia. A explicação ajuda a reduzir tabus e a aliviar medos que, muitas vezes, impedem a adolescente de fazer escolhas com autonomia. Dor ao usar: como saber se colocou errado? Quanto à colocação, o principal sinal de que algo não está correto é a dor. “Os sintomas mais comuns são dor e desconforto quando o absorvente não é colocado de forma correta”, diz a especialista. Quando o absorvente está posicionado de maneira adequada, não deve ser sentido. Caso haja incômodo persistente, a recomendação é retirar e tentar novamente com calma ou optar por outro método naquele momento. Qual absorvente escolher na adolescência? Na hora de escolher o produto, o tamanho faz diferença, especialmente para quem está começando. “Caso a adolescente nunca tenha tido relações sexuais, o ideal é que comece com os modelos menores, como o mini, para que a introdução cause menos desconforto”, orienta a ginecologista. Para aquelas que têm dificuldade na inserção manual, há uma alternativa: “Os modelos com aplicador podem ser utilizados quando há dificuldade da introdução manual”. O mais importante é respeitar o próprio corpo e escolher a opção que ofereça mais conforto e segurança. Pode usar absorvente interno para entrar na piscina? Uma dúvida bastante prática é sobre o uso na água. Afinal, absorvente para adolescente entrar na piscina é seguro? A resposta é positiva. “O absorvente interno é uma boa opção para entrar em piscina, mar e praia”, afirma a Camila. No entanto, os cuidados continuam valendo. “Assim como fora da água, deve ser retirado após 4 horas de uso. Após a imersão, pode ocorrer comprometimento da absorção, logo é aconselhável realizar a troca do produto”, recomenda. Ou seja, a troca após sair da piscina ou do mar é uma medida simples que ajuda a manter a segurança. O mais importante é que a decisão da adolescente sobre usar ou não absorvente interno seja baseada em informação de qualidade e não em medo ou em mitos e tabus. Com orientação adequada, respeito ao tempo de troca e atenção aos sinais do próprio corpo, o produto é considerado seguro e pode ampliar a autonomia da adolescente na menstruação.

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