Mãe escreve carta emocionante para revelar ao filho que ele tem autismo e TDAH
Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv…
February 24, 2026
Rayanne Andrade, 36 anos, de Aracaju (SE), nunca imaginou que precisaria encontrar uma forma tão delicada de conversar com o filho sobre algo que mudaria a rotina da família. Ao lado do marido, Flávio Silva, 42, ela decidiu transformar o diagnóstico do menino em um gesto de cuidado: uma carta escrita com muito carinho, respeito e amor. Rayanne transformou a revelação do diagnóstico do filho em um momento de amor e acolhimento Reprodução/Instagram O vídeo em que ela aparece lendo o texto ao lado do esposo e do filho mais novo viralizou nas redes sociais, ultrapassando 2 milhões de visualizações. Nas imagens, ela inicia dizendo: “Você nasceu muito especial”, mas, tomada pela emoção, não consegue continuar. É o pai quem segue a leitura: “Você nasceu com autismo e TDAH. Isso significa que seu cérebro funciona de um jeito único, fazendo você ver, pensar e sentir o mundo de forma diferente.” O menino ouve atentamente e, emocionado, chora enquanto é acolhido com abraços e beijos dos pais. Mas, até chegar o momento de revelar a Lucas o diagnóstico, Rayanne afirma que a família viveu um caminho longo. Mania fofa leva mãe ao diagnóstico de autismo da filha: "Não fazíamos ideia" Tudo começou em 2024, quando a família se mudou de Vitória (ES) para Aracaju (SE). Foi quando a adaptação escolar, que parecia simples, se transformou em sofrimento para Lucas, depois que ele passou a apresentar insegurança intensa, chorava para entrar na escola, se escondia e evitava participar das atividades. A seletividade alimentar também começou a ficar mais acentuada, assim como a rigidez cognitiva. Em casa e na escola, os comportamentos que antes eram interpretados como “birra” começaram a preocupar os pais e professores. Contudo, o quadro se agravou ainda mais quando surgiram os sintomas de TOC: ele passou a lavar as mãos repetidamente, mesmo logo após higienizá-las. A orientação da escola, então, foi colocá-lo na terapia. Depois, veio a necessidade do acompanhamento psiquiátrico. “Para mim, foi extremamente difícil. Já tinha sido doloroso buscar ajuda psicológica, então iniciar a medicação foi ainda mais. Eu me culpava muito. Perguntava a Deus o que eu tinha feito de errado”, relatou Rayanne à CRESCER. "Os maiores desafios estão dentro da nossa mente", conta mãe autista sobre rotina com filho também no espectro Mesmo com plano de saúde, o casal optou por fazer todo o acompanhamento do filho no particular, em busca de profissionais com quem se sentissem seguros. A confirmação, por fim, veio após avaliação neuropsicológica. “Naquele momento, eu paralisei, congelei. Não chorei, não questionei, não falei quase nada. Fiquei em silêncio”, relembrou a mãe. Dias depois, segundo ela, vieram a negação e o luto. “Foram dias difíceis. Quase um mês chorando escondido, me culpando, tentando entender.” Com o tempo, contudo, a perspectiva mudou. “O diagnóstico não mudava quem meu filho era. Ele continuava sendo o mesmo Lucas: inteligente, amoroso, único. O diagnóstico só nos dava direção.” Mães provam, com histórias reais, que TDAH não é “modinha” das redes A carta que nasceu como desabafo Quando decidiu contar ao filho, Rayanne sabia que precisaria de ajuda para organizar as palavras. “Eu sabia que não conseguiria falar tudo olhando nos olhos dele. Minha voz ia falhar.” A carta começou como um desabafo pessoal. “Era uma forma de respirar, de organizar meus sentimentos, de dizer para mim mesma: ‘Está tudo bem. Você vai dar conta.’” Depois, ela entendeu que aquelas palavras precisavam chegar ao filho. “Eu queria que ele entendesse que ele não é um diagnóstico. Ele é o nosso Lucas Gabriel. O autismo e o TDAH não definem quem ele é e não limitam onde ele pode chegar.” Ao receberem o diagnóstico dos filhos, pais descobrem que também são autistas Ela, então, preparou o momento com carinho, organizando uma cesta com guloseimas e criando um ambiente leve. A decisão de contar foi questionada por algumas pessoas próximas, mas ela não hesitou. “Eu me perguntava: por que eu esconderia algo tão importante do meu próprio filho? Se é sobre a vida dele, ele precisava saber com amor, com cuidado e dentro de casa.” Durante a leitura da carta, Lucas acabou se emocionando. Depois, fez algumas perguntas e quis saber se a mãe já sabia do diagnóstico antes. Rayanne explicou que também estava entendendo tudo e reforçou que o amor nunca mudou. Hoje, ela afirma que o filho já demonstra compreensão sobre suas particularidades. Quando não quer abraço, por exemplo, explica com educação às pessoas. Já em momentos de desregulação, a própria mãe aprendeu a fazer diferente: “Hoje eu não digo mais ‘levanta daí’. Às vezes, eu sento no chão com ele, às vezes eu deito junto. Dou o tempo dele, e ele volta.” Mãe de SC viraliza ao compartilhar sinais de autismo da filha quando era bebê: "Já estava ali" Vídeo viralizou e acolheu outras famílias Rayanne não esperava a repercussão do vídeo compartilhado no Instagram, onde acabou recebendo milhares de mensagens de apoio, inclusive de profissionais que pediram autorização para usar o conteúdo em palestras. Também houve críticas, mas foram minoria, ela afirma. “Alguns pais disseram que, depois de assistir, decidiram conversar com os filhos sobre o diagnóstico de forma mais leve.” Por fim, Rayanne afirma que não romantiza a jornada de Lucas e reconhece que é um caminho com dificuldades. “Não romantizo o autismo e o TDAH porque cansa, é pesado, é exaustivo. Mas, se Deus entendeu que eu conseguia, eu consigo. Ser mãe de uma criança neurodivergente não é fácil, mas sou profundamente grata a Deus pela minha família.” Mãe conta por que ignorava sintomas de autismo do filho: “Buscava todas as justificativas” Ao mesmo tempo, ela ressalta que o filho transformou sua vida. “O Lucas veio para me ensinar a ser mais paciente e mais amorosa. Eu vivo o desafio de prepará-lo para a vida, para que ele cresça forte, resiliente, cheio de princípios e capaz de enfrentar uma sociedade que nem sempre é acolhedora”, disse ela. E concluiu: “Eu não falo como especialista. Eu falo como mãe que está vivendo as consequências. E, mesmo no meio da dor, sigo acreditando: meu filho é maior que qualquer desafio – nós vamos atravessar isso juntos”. Assista abaixo o vídeo compartilhado por Rayanne no Instagram: Initial plugin text O transtorno do espectro autista nem sempre é hereditário A causa do autismo não é única e vem de uma complexa interação entre fatores genéticos e condições ambientais, como destaca o neuropediatra Anderson Nitsche, do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba (PR). Uma pesquisa global feita com mais de 2 milhões de crianças de sete países diferentes mostrou que os fatores genéticos são a principal causa dos casos confirmados de TEA. Na análise, os pacientes foram acompanhados até completarem 16 anos e mais de 22 mil foram diagnosticados com autismo. Foi constatada a hereditariedade do autismo em 80% deles, com diferenças entre os potenciais fatores de risco de cada país – reforçando a ideia de que o ambiente também tem influência no desenvolvimento do transtorno. De acordo com o CDC, são fatores de risco para o autismo: ter um irmão com TEA; ter certas condições genéticas ou cromossômicas, como a síndrome do X frágil ou esclerose tuberosa; vivenciar complicações no parto; e nascer de pais mais velhos.
Discussion in the ATmosphere