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Mãe tem parto surpresa de apenas 10 minutos em casa: “Parecia cena de guerra”

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… February 21, 2026
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“Parecia cena de guerra.” Foi assim que a fotógrafa Nina Castro, de 41 anos, descreveu como estava seu quarto em um dos dias mais especiais de sua vida. O cômodo — cheio de sangue nas paredes — foi o cenário onde o pequeno Joaquim chegou ao mundo. O bebê nasceu após um parto domiciliar em sua casa em Curitiba (PR). Joana conhecendo o irmão Arquivo Pessoal Você tem alguma história com seu filho ou filha que gostaria de compartilhar? Envie para o nosso e-mail redacaocrescer@gmail com o assunto “Minha História” ou para o nosso WhatsApp (11) 98808-7558. Vestida com uma camiseta com a frase “Na simplicidade, o extraordinário habita”, Nina sentiu a emoção de ver sua filha de 5 anos, a pequena Joana, conhecer o irmãozinho poucos minutos após seu nascimento. Em um relato emocionante à CRESCER, a fotógrafa conta sobre a sua jornada para engravidar do segundo filho e como foi o parto inesperado em casa. A vida como tentante A pequena Joana pedia um irmão para os pais há algum tempo. Em 2024, Nina e o marido, Daylson Castro, decidiram aumentar a família. A fotógrafa tirou o DIU (Dispositivo Intrauterino) e começou as tentativas. “Eu sempre fazia as contas do período fértil pela tabelinha, mas não estava dando certo e pensei em desistir, por ser um processo muito frustrante”, a mãe admitiu. Um ano depois, Nina comprou um teste de ovulação e disse que tentaria engravidar pela última vez. “Meu teste não deu positivo para nenhum dia do período. Eram cinco testes na caixinha, nenhum deu positivo para ovulação. Daí deixei para lá e fui fazer a 'minha parte' no processo, mesmo sem o teste apontar que eu estava ovulando”, relatou. Um dia, durante o jantar, Joana soltou uma frase que deixou Nina com o coração apertado. “Mamãe, acho que acabaram os bebês no céu, porque até hoje Jesus não mandou o nosso.” Com os olhos cheios de lágrimas, Nina conversou com o marido e decidiu desencanar da ideia de ter mais um filho. No entanto, a vida lhe reservou uma surpresa. No dia 2 de fevereiro, a fotógrafa fez um teste sozinha — um dia antes do atraso menstrual. “O tão sonhado risquinho positivo no teste veio. Eu estava tão no início da gestação que o risco era superfraco.” Câmera flagra reação de garotinho ao ver parto surpresa da mãe em casa, no Paraná Parto relâmpago: mãe dá à luz em casa após bebê “apressadinha” nascer antes de chegar ao hospital; veja vídeo Nina teve uma gravidez de risco devido à trombose Arquivo Pessoal A notícia veio em um momento muito especial para Nina. Dois anos antes, ela teve um AVC isquêmico. Isso ocorreu após ela passar por alguns episódios de trombose depois de voos longos, devido a uma mutação sanguínea. Um dia, enquanto estava dormindo no quarto da filha, ela sentiu uma forte dor de cabeça. “Acordei por volta das 8 da manhã, tudo já estava estranho. Minha visão estava meio turva, meu braço estava pesado. Tive a sensação de que ia desmaiar. Foi quando tentei chamar meu esposo e, ao invés de falar o nome dele, eu disse a palavra 'parede'. Tentei chamar de novo e falei 'telefone'. Palavras completamente aleatórias, sem sentido algum.” Ao passar por uma avaliação médica, Nina descobriu que tinha tido um AVC. O quadro ocorre quando os vasos sanguíneos que levam o sangue para o cérebro entopem ou se rompem, o que acarreta paralisia. A mãe permaneceu cinco dias internada fazendo exames e foi informada de que tinha uma deficiência de proteína S. A condição impede a coagulação adequada do sangue. Além disso, ela apresentava também uma pequena abertura no coração. Aos poucos, Nina foi se recuperando. “Consegui recuperar praticamente tudo, só a sensibilidade da mão direita que ficou um pouco comprometida”, ela apontou. “Após as sessões de fisioterapia, consegui voltar a fotografar uns três meses após o ocorrido.” A gravidez de risco Devido ao seu histórico médico de trombose, a gravidez de Nina foi considerada de risco e ela foi acompanhada com muita cautela. Ao longo da gestação, ela precisou aplicar um medicamento anticoagulante. Outro fator de risco da sua gestação foi a diabetes gestacional. No entanto, ela precisou apenas controlar com dieta alimentar e exercício físico. Sem intercorrências, Nina levou a sua gestação até as 40 semanas — foi quando a aventura começou. A fotógrafa começou a sentir as contrações de treinamento com 38 semanas. Parecia que o pequeno Joaquim estava pronto para nascer. Já estava na posição cefálica e virado de cabeça para baixo. Mas, ainda não encaixava. Nina queria esperar o tempo do filho, mas admite que ficou um pouco apreensiva. Com 39 semanas, ela fez uma ecografia e ficou mais aliviada ao ver que tudo estava bem. Na semana seguinte, ela faria a indução. “Eu tinha uma semana para fazer esse menino nascer e não precisar induzir o parto de forma mecânica ou química”, disse ela. A mãe, então, recorreu a formas naturais de incentivo ao trabalho de parto, como chás, massagem e acupuntura, mas nada do Joaquim nascer. Em meio à expectativa para o parto, Nina também estava preocupada com quem iria ficar com a sua filha se ela precisasse ir para o hospital. Para ajudá-la (e tranquilizá-la), a mãe de Nina antecipou sua vinda de São Paulo para Curitiba e chegou no dia 14 de outubro — data provável do parto. No dia seguinte, a família foi fazer um passeio no parque para aliviar um pouco a ansiedade. Ao retornar para casa, Nina começou a fazer alguns exercícios em casa, indicados por sua amiga que é estudante de obstetrícia, e foi dormir. Ela acordou por volta das 4:30 da manhã com fortes contrações — ela mal imaginava que minutos depois estaria com seu filho nos braços. “Olhei para baixo e vi a cabeça do bebê saindo” As dores foram ficando cada vez mais fortes e, então, a bolsa de Nina estourou. Diante da situação, o casal tentou manter a calma e ligou para o obstetra, que pediu para observar as próximas contrações, afinal, os bebês podem levar horas para nascer após o rompimento da bolsa amniótica. Na ocasião, Nina começou a gritar de dor, o que acordou a pequena Joana, que foi tranquilizada pela avó. “Fui de 0 a 100 de dor muito rápido. Eu não queria que minha filha tivesse visto essa parte do grito. Não queria assustá-la, mas não teve jeito.” Nina com o filho nos braços Arquivo Pessoal Na sexta contração, Nina sentiu de fato que o parto já estava acontecendo. “Olhei para baixo e vi a cabeça do bebê nascendo. Ele começou a empurrar a calcinha pós-parto que eu estava usando, eu não fiz força, a gravidade fez a parte dela. Só pus a mão para segurá-lo”, ela lembrou. Imediatamente, Daylson, que tem medo até de tirar sangue, não se abalou e pegou o filho. Quando foi fazer o contato pele a pele com o bebê, a fotógrafa percebeu que o bebê estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço, mas a família conseguiu desenrolá-lo. O encontro emocionante Com a porta aberta do quarto, Nina se virou e viu a filha com um sorriso no rosto ao ver o pequeno Joaquim. “Falei: 'olha, filha, seu irmão estava tão ansioso para te conhecer que resolveu nascer aqui em casa'”. Joana conheceu o irmão enquanto ele ainda estava com o cordão umbilical. “Foi muito lindo esse momento. Foi muito gratificante”, a mãe revelou. Depois, o casal foi para o hospital com o novo integrante da família. Segundo Nina, seu parto inesperado durou cerca de 10 minutos e, felizmente, Joaquim nasceu bem com 3,6 kg e 50 centímetros, sem nenhuma intercorrência. Foi sua mãe que cortou seu cordão umbilical. Logo depois, Nina ainda precisou levar alguns pontos devido a uma laceração (comprometimento da musculatura) de grau 1. Nina no hospital Luana Teske “Não deu tempo de processar” Ao vivenciar um parto em casa, a fotógrafa sentiu um misto de emoções. É claro que tinha o êxtase do momento, mas depois, passada a euforia, ela se sentiu um pouco frustrada. “Nunca foi a minha intenção que ele nascesse em casa, muito menos tão rápido. Não deu tempo de processar”, ela desabafou. Camiseta que Nina usou no parto Luana Teske Com o passar dos dias, veio a culpa. “Me senti muito culpada por fazer tanta coisa para incentivar o parto”, disse ela. No início, foi até difícil revisitar esse momento, mas, hoje, ela já se sente mais segura, principalmente após o uso de medicação e apoio terapêutico. “É difícil lidar com a frustração de que não foi do jeito que eu quis, mas foi da forma que deveria ser na simplicidade. Vivemos o extraordinário na nossa casa”, destacou.

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